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Industrialização ganha espaço no agro e biodiesel reforça mudança de perfil do Estado

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Durante décadas, o crescimento do agronegócio brasileiro esteve associado principalmente ao aumento da produção dentro da porteira. Agora, uma nova etapa começa a ganhar força no setor: a industrialização das cadeias agropecuárias como forma de ampliar valor agregado, reduzir dependência da exportação de matéria-prima e fortalecer a economia regional.

Em Mato Grosso, esse movimento vem sendo puxado pela indústria de biocombustíveis. Dados divulgados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o estado alcançou, em março, o maior volume de produção de biodiesel da série histórica, consolidando-se como principal polo nacional do segmento.

As usinas mato-grossenses produziram 228,36 mil metros cúbicos no período, o equivalente a cerca de 26% de todo o biodiesel fabricado no país. O avanço foi impulsionado principalmente pela ampliação da mistura obrigatória do biocombustível ao diesel, atualmente em 15% (B15), o que elevou a demanda da indústria.

Na avaliação de Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o crescimento da agroindústria representa uma mudança estrutural para o setor. “O agro brasileiro começa a entrar em uma nova fase. Não basta mais apenas produzir volume. O grande diferencial econômico passa a ser a capacidade de industrializar, transformar e agregar valor àquilo que é produzido no campo”, afirma.

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Segundo ele, Mato Grosso simboliza esse processo ao integrar produção agrícola e geração de energia renovável. “Quando o estado transforma soja em biodiesel, ele deixa de exportar apenas matéria-prima e passa a capturar uma fatia maior da riqueza gerada pela cadeia. Isso significa mais empregos, arrecadação, investimentos e fortalecimento da economia regional”, diz.

Rezende também destaca que a industrialização ajuda a reduzir a vulnerabilidade do produtor às oscilações externas. “Uma agroindústria forte cria demanda interna mais consistente e diminui a dependência exclusiva do mercado internacional. Isso dá mais estabilidade para o produtor e fortalece toda a cadeia produtiva”, avalia.

O avanço do biodiesel em Mato Grosso está diretamente ligado à forte integração entre a produção de grãos e a indústria de energia renovável. Segundo o Imea, o óleo de soja respondeu por 84% da matéria-prima utilizada pelas usinas no mês, mantendo a oleaginosa como principal base do setor.

Além do biodiesel, os dados do instituto apontam cenário positivo para outras cadeias relevantes do estado. No milho, a produtividade da safra 2025/26 foi revisada para 118,78 sacas por hectare, elevando a projeção de produção para 52,66 milhões de toneladas, favorecida pelo bom regime de chuvas em parte das regiões produtoras.

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No algodão, a área cultivada foi ajustada para 1,38 milhão de hectares, enquanto a produção segue estimada em 6,14 milhões de toneladas de algodão em caroço, mantendo Mato Grosso na liderança nacional da cultura.

Na pecuária, o mercado apresentou movimentos distintos em abril. O boi gordo registrou valorização, com arroba média de R$ 350,11, sustentada pela menor oferta de animais para abate. Já o suíno perdeu força diante da demanda doméstica mais fraca, encerrando o mês com média de R$ 5,96 por quilo ao produtor.

Para Rezende, o avanço da indústria ligada ao agro deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. “O mundo busca alimentos, energia renovável e produtos de menor impacto ambiental. Mato Grosso reúne escala, produção e capacidade de processamento para ocupar posição estratégica nesse cenário. O futuro do agro passa cada vez mais pela industrialização”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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Drones reduzem uso de inseticidas na cana-de-açúcar com tecnologia de controle biológico apoiada pela Embrapii

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Inovação leva drones ao controle biológico na cana-de-açúcar

Uma tecnologia desenvolvida com apoio da Embrapii está transformando o manejo de pragas na cultura da cana-de-açúcar no Brasil. O sistema utiliza drones para realizar a liberação mecanizada de agentes biológicos no campo, reduzindo a necessidade de inseticidas químicos.

A solução foi criada pela empresa Sardrones em parceria com a Unidade Embrapii da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), com foco no controle da broca-da-cana, uma das principais pragas que afetam a produtividade do setor sucroenergético.

Controle biológico deixa de ser manual e ganha escala com drones

O projeto surgiu a partir de um desafio operacional comum no campo: o controle biológico tradicional exige grande esforço humano e apresenta limitações de escala.

Segundo o agrônomo Gustavo Scarpari, fundador da Sardrones, o método manual expõe trabalhadores a condições adversas e baixa eficiência operacional.

“É um trabalho perigoso, com calor, presença de animais e esforço físico elevado com baixo rendimento”, explica.

Para superar esse cenário, a proposta foi mecanizar o processo por meio de drones capazes de distribuir vespas da espécie Cotesia flavipes, inimigas naturais da broca-da-cana.

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Tecnologia garante liberação precisa e rastreabilidade no campo

O sistema utiliza embalagens biodegradáveis acopladas a dispensers instalados nos drones, que realizam a liberação controlada dos agentes biológicos sobre a lavoura.

Durante o voo, as aeronaves sobrevoam os canaviais e liberam os insetos de forma programada, garantindo maior uniformidade na aplicação.

Todo o processo é monitorado por mapas de voo, permitindo rastreabilidade completa das áreas atendidas e maior controle sobre a eficiência da operação.

Parceria com Embrapii e Esalq/USP acelerou desenvolvimento

O avanço da tecnologia contou com o apoio da Embrapii e da parceria com pesquisadores da Esalq/USP, que contribuíram para a otimização do sistema de aplicação.

Segundo o professor e entomologista José Maurício Bento, o trabalho envolveu a definição de parâmetros técnicos fundamentais para a eficiência do método.

“Trabalhamos na definição da melhor forma de aplicação, número ideal de liberações, horários e custo-benefício, além de avaliar a eficiência do método”, afirma.

Redução de defensivos químicos e ganhos em sustentabilidade

Um dos principais impactos da tecnologia é a redução do uso de inseticidas químicos na lavoura de cana-de-açúcar.

De acordo com os especialistas, o controle biológico contribui para a preservação de organismos benéficos e reduz a pressão ambiental associada ao uso de defensivos.

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“O principal ganho é evitar aplicações químicas”, destaca Bento.

Solução também gera impacto econômico para o setor sucroenergético

Além dos benefícios ambientais, a tecnologia também pode gerar ganhos econômicos para produtores e usinas.

A redução do uso de insumos químicos e a eficiência do controle biológico contribuem para a melhoria da rentabilidade da produção.

Segundo Scarpari, o avanço pode até influenciar a valorização do produto final no mercado.

“Quanto mais biológico se usa, maior a chance de obter prêmio no preço do açúcar”, afirma.

Tecnologia já avança para outras culturas agrícolas

Embora inicialmente aplicada na cana-de-açúcar, a tecnologia já começa a ser utilizada em outras cadeias produtivas, como soja, milho, café e fruticultura.

A expansão reforça o potencial de escalabilidade da solução e sua adaptação a diferentes sistemas agrícolas.

Para especialistas, iniciativas como essa mostram como a integração entre pesquisa científica, demanda do setor produtivo e investimento em inovação acelera a transformação tecnológica no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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