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Safra de grãos avança no Brasil, mas queda de produtividade acende alerta no agronegócio

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A agricultura brasileira vive uma mudança estrutural importante. Embora a produção nacional de grãos siga em expansão, o desafio do produtor rural deixou de ser apenas aumentar volume e passou a depender, cada vez mais, de eficiência, gestão e estratégia dentro da porteira.

Dados do 7º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram avanço na estimativa da safra brasileira, mas revelam perda de produtividade em culturas relevantes, como o milho, que apresenta queda média de 4% no rendimento por hectare. Ao mesmo tempo, a expansão da área plantada continua ocorrendo, indicando que o crescimento da produção nem sempre significa maior rentabilidade no campo.

O cenário reforça uma nova lógica no agronegócio brasileiro: produzir melhor se tornou mais importante do que simplesmente produzir mais.

Clima irregular aumenta risco operacional no campo

A oscilação climática tem sido um dos principais fatores de pressão sobre a produtividade agrícola. Segundo o levantamento, diversas regiões registraram chuvas irregulares, alternando períodos de excesso hídrico e estiagem, o que compromete o desenvolvimento das lavouras.

Nos estados da região Sul, por exemplo, a redução da umidade do solo já afeta culturas como soja e milho, elevando os riscos de perdas produtivas e aumentando a necessidade de manejo técnico mais preciso.

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Esse ambiente de instabilidade climática exige maior capacidade de adaptação do produtor rural, especialmente diante da tendência de neutralidade climática após ciclos influenciados pelo fenômeno La Niña. A expectativa é de manutenção da variabilidade nas chuvas e temperaturas ao longo das próximas safras.

Eficiência produtiva ganha protagonismo no agronegócio

Com custos de produção mais altos e margens pressionadas, decisões equivocadas no manejo passaram a ter impacto ainda maior sobre o resultado financeiro das propriedades rurais.

Na prática, o produtor vem direcionando investimentos para estratégias que aumentem a eficiência do uso de insumos, água e solo, buscando reduzir perdas e ampliar a previsibilidade da produção.

De acordo com Loremberg de Moraes, diretor da Hydroplan-EB, o cenário atual exige uma nova postura do setor produtivo.

“Hoje, o produtor que depende apenas de volume está mais exposto ao risco. O que define o resultado da safra é a capacidade de controlar variáveis dentro da porteira, principalmente em um cenário de clima cada vez mais instável”, afirma.

Tecnologia e gestão hídrica se tornam estratégicas

Com a produtividade mais sensível às condições ambientais e econômicas, ferramentas voltadas à gestão hídrica, equilíbrio fisiológico das plantas e monitoramento da lavoura passam a ocupar papel central na agricultura moderna.

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Mais do que tecnologias complementares, soluções de eficiência produtiva vêm sendo incorporadas à estratégia operacional das fazendas, permitindo respostas mais rápidas diante das oscilações climáticas e do aumento da pressão por rentabilidade.

Segundo Moraes, o modelo baseado apenas em histórico de safra ou decisões por tentativa e erro perdeu espaço no agronegócio atual.

“Não existe mais espaço para decisões baseadas apenas em histórico ou tentativa e erro. A produtividade hoje é construída com estratégia, com leitura de cenário e com uso inteligente de tecnologia”, destaca.

Agricultura brasileira entra em nova fase

O avanço da safra nacional continua demonstrando o potencial produtivo do Brasil no mercado global de alimentos. No entanto, o ambiente de maior incerteza climática, aliado aos custos elevados e à necessidade de previsibilidade, impõe uma nova realidade ao campo.

Nesse contexto, a estratégia passa a ser considerada um dos principais insumos da agricultura moderna, consolidando uma fase em que eficiência, tecnologia e capacidade de adaptação serão determinantes para os resultados do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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No Piauí, Governo do Brasil lança aplicativo para modernizar o monitoramento pesqueiro

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Em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), a Universidade Federal do Piauí (UFPI) lança o protótipo do aplicativo PesqBR, nesta quinta-feira (02), em Luís Correia, a 349 km de Teresina (PI). A ferramenta foi desenvolvida para ampliar a geração de dados confiáveis sobre a atividade pesqueira.

O aplicativo permite que as informações da pesca sejam inseridas diretamente pelo celular. Vai contribuir com a reconstrução da estatística pesqueira, de modo que os dados possam refletir a realidade da vida dos pescadores e pescadoras artesanais. Além da entrega do protótipo a ser testado pelos pescadores do Piauí, também foram entregues a versão web do sistema, que será usada pelas colônias dos pescadores de cada município e computadores. O projeto ainda prevê a capacitação das colônias e dos pescadores para que possam usar o aplicativo para automonitoramento.

“O setor não pode ficar invisível. São das mãos das mulheres e dos homens trabalhadores que a gente coloca alimento de qualidade na nossa mesa”, declarou o ministro Edipo Araujo.

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A secretária Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura, Carolina Dória, explicou os benefícios para os pescadores e pescadoras. Esses registros poderão servir como um dos comprovantes da atividade pesqueira no Relatório de Exercício da Atividade Pesqueira (REAP), facilitando a comprovação da atividade profissional e reduzindo a burocracia. “O próprio pescador passa a registrar sua produção, fortalecendo sua autonomia e contribuindo para um sistema mais moderno e transparente”, declarou.

Sobre o módulo específico para as colônias, Carolina esclareceu que “esses dados fortalecem a capacidade de planejamento das colônias e oferecem informações concretas para dialogar com prefeituras, governos estaduais, instituições financeiras e parceiros. Com dados confiáveis, fica muito mais fácil demonstrar a importância econômica da pesca local e buscar investimentos, como infraestrutura de beneficiamento, câmaras frigoríficas, equipamentos, projetos de comercialização, acesso ao crédito e outras iniciativas que fortaleçam a atividade pesqueira”.

Inicialmente, o protótipo será usado por 14.932 pescadores e pescadoras profissionais registrados, em 5 municípios piauienses: Luís Correia (6.574), Esperantina (761), Ilha Grande (3.223), São João do Piauí (177) e Buriti dos Lopes (4.197). A ideia é que o projeto seja expandido gradualmente para outras áreas do país, até se tornar o sistema oficial nacional para a coleta de dados da pesca. No Piauí, Luís Correia é o município com maior extensão de litoral, cerca de 46 km, mais da metade da área litorânea de todo o estado.

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ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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