Política Nacional

CAE vota na quarta financiamento a produtores rurais afetados pelo clima

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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) marcou para esta quarta-feira (20) a votação do projeto de lei que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para criar uma linha especial de financiamento destinada a produtores rurais afetados por eventos climáticos (PL 5.122/2023). Do deputado Domingos Neto (PSD-CE), a matéria é relatada pelo presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

A matéria constava da pauta da reunião da CAE desta terça-feira (19), mas Renan concedeu vistas do texto a pedido dos senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Tereza Cristina (PP-MS). Segundo Tereza, as alterações promovidas pelos senadores podem dar alternativas para o Ministério da Fazenda sobre como conseguir recursos para a gestão da dívida dos produtores.

— Todos sabem da necessidade de resolver um problema tão importante para o país — pontuou a senadora.

O Fundo Social do Pré-Sal, previsto na Lei 12.351, de 2010, recebe dinheiro da exploração do petróleo, além de financiar projetos e programas em diversas áreas, como educação, saúde pública, meio ambiente e mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

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Segundo o projeto, receitas correntes do Fundo Social do ano passado, deste ano e do superávit financeiro apurado no final de 2024 e de 2025 poderão ser usadas para disponibilizar a nova linha especial de financiamento.

Emendas

Renan informou que já foram apresentadas 54 emendas ao projeto. O próprio relator apresentou seis emendas e sinalizou a disposição de acatar outras sugestões. Renan destacou uma emenda apresentada pelo senador Jaime Bagattoli (PL-RO), que equipara a taxa de juros do financiamento às taxas já estabelecidas nas operações com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A emenda de Bagattoli diminui as exigências burocráticas para os municípios habilitarem seus produtores para a renegociação das dívidas. Segundo Bagattoli, a alteração no texto do projeto poderá expandir “o universo de municípios integrados ao benefício”.

Requerimentos

Na reunião desta terça-feira, a CAE também aprovou uma série de requerimentos. Um deles (REQ 60/2026), de iniciativa do senador Renan, pede a convocação do diretor da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), Ricardo Pena Pinheiro. Renan quer informações sobre as relações entre o liquidado Banco Master e fundos de previdência de estados e municípios.

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A comissão também aprovou a convocação do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz Maciel (REQ 61/2026). Segundo Renan, a CAE já fez pediu informações sobre o Banco Master, mas a pasta não respondeu.  

Outro requerimento aprovado (REQ 62/2026) pede informações do Banco Central sobre uma suposta operação de empréstimo contratada pela empresária Bianca Medeiros junto ao Banco Master. De acordo com o autor do requerimento, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), a empresária é cunhada do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

Por fim, a comissão aprovou o envio de um ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitando informações acerca do eventual acordo de colaboração premiada do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. A comissão também pede um possível compartilhamento de informações e documentos. O requerimento (REQ 63/2026) é da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Política Nacional

CCJ adia análise de propostas que reduzem a maioridade penal para 16 anos

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A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou nesta terça-feira (18) a análise da admissibilidade de três propostas de emenda à Constituição (PECs) que reduzem a maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos.

Na prática, as propostas passam a prever que, após 16 anos de idade, qualquer pessoa responde criminalmente por seus atos, podendo cumprir pena no sistema prisional comum.

Atualmente, jovens que cometem infrações graves cumprem medidas socioeducativas de internação por, no máximo, três anos.

O adiamento foi anunciado pelo presidente da comissão, deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA), em razão do início da Ordem do Dia do Plenário, que impede outras votações na Casa.

A proposta principal (PEC 32/15), do ex-deputado Gonzaga Patriota (PE), previa originalmente a plena maioridade civil e penal aos 16 anos. Isso significa que, além de responderem por crimes como adultos, os jovens passariam a ter todos os direitos da vida adulta: poderiam casar, celebrar contratos e obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O texto tornava ainda o voto obrigatório aos 16 anos e reduzia a idade mínima para se candidatar a cargos como o de vereador.

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Foco criminal
No entanto, o parecer lido nesta terça-feira pelo relator, deputado Coronel Assis (PL-MT), propõe emendas que limitam o alcance da proposta, prevendo exclusivamente a punição criminal de jovens acima de 16 anos. Assis explicou que retirou a parte dos direitos civis para garantir que a PEC tratasse de apenas um assunto, evitando, segundo ele, “confusão jurídica”.

“Na forma original, a proposta abrange simultaneamente o regime de imputabilidade penal e o regime da capacidade civil, institutos que, embora compartilhem o critério etário, têm fundamentos, consequências e tradição normativa distintos”, disse.

Adolescentes
Além da PEC 32/15, Assis também recomenda no parecer a admissibilidade de duas outras PECs apensadas. A PEC 8/26, do Capitão Alden (PL-BA), sugere a redução da maioridade penal apenas em casos excepcionais, como crimes hediondos ou crueldade extrema, após avaliação técnica do jovem. Já a PEC 9/26, da deputada Julia Zanatta (PL-SC), propõe a redução geral para 16 anos em todos os crimes e estabelece que adolescentes de 12 a 16 anos também respondam criminalmente se cometerem crimes com violência, grave ameaça ou contra a vida.

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Debate
O debate na comissão expôs opiniões divergentes sobre segurança pública. O deputado Mendonça Filho (PL-PE) defendeu a redução, afirmando que “é uma demanda de mais de 80% da população para crimes violentos”. Já a deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) criticou a proposta, argumentando que apenas 8% dos atos de jovens são graves e que o sistema prisional comum pode facilitar o recrutamento de adolescentes pelo crime organizado.

Como funciona hoje
Hoje, adolescentes que cometem atos infracionais cumprem medidas socioeducativas — e não penas do sistema prisional comum. Essas medidas estão previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e funcionam como ferramentas de responsabilização e reinserção social para jovens de 12 a 18 anos.

O ECA estabelece seis medidas principais, que progridem conforme a gravidade da conduta: advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade e liberdade assistida — executadas em meio aberto —, além dos regimes de semiliberdade e internação, este último restrito a crimes com violência ou reiteração grave.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Wilson Silveira

Fonte: Câmara dos Deputados

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