Agro News

Mercado do milho segue pressionado pela safrinha e estoques elevados, enquanto clima preocupa produtores

Publicado

O mercado brasileiro de milho encerrou a semana em ritmo lento, marcado por negociações pontuais, compradores abastecidos e pressão da pré-colheita da segunda safra. Apesar de algumas altas regionais e da cautela dos produtores diante dos riscos climáticos, o cenário de ampla oferta continua limitando uma recuperação mais consistente das cotações.

Levantamentos do Cepea indicam que o desenvolvimento da segunda safra segue satisfatório na maior parte das regiões produtoras do país. Contudo, áreas pontuais de Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul enfrentam preocupações relacionadas às geadas e ao tempo seco, fatores que podem afetar o potencial produtivo das lavouras.

Diante desse cenário, parte dos vendedores tem evitado negociações mais agressivas, sustentando os preços na expectativa de possíveis perdas climáticas. Por outro lado, muitos produtores seguem liberando volumes para abrir espaço nos armazéns e reforçar o caixa antes da entrada mais intensa da safrinha no mercado.

Enquanto isso, os consumidores mantêm postura cautelosa e realizam compras apenas em momentos de retração das cotações, já que boa parte das indústrias ainda trabalha com estoques confortáveis para as próximas semanas.

Oferta elevada trava reação mais forte das cotações

Segundo análises da TF Agroeconômica e de Safras & Mercado, o foco do mercado está totalmente voltado para a chegada da safrinha, o que reduz espaço para movimentos consistentes de alta.

Mesmo com recuperação pontual em Chicago e oscilações no dólar, o mercado interno permaneceu travado. Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos apresentaram comportamento misto, com pequenas quedas nos vencimentos mais curtos e leves altas nos contratos mais longos.

No acumulado semanal, a B3 registrou valorização de 0,60%, enquanto Chicago avançou 1,65%. Já o dólar recuou 0,77%, movimento que reduziu a competitividade dos preços nos portos brasileiros.

Leia mais:  Volta dos EUA às compras anima exportações de carne

A média Cepea teve leve alta de 0,17% após semanas consecutivas de acomodação. Os contratos futuros encerraram a semana com julho/26 cotado a R$ 67,20, setembro/26 a R$ 69,94 e novembro/26 a R$ 72,94.

Mercado regional segue com liquidez reduzida

No Rio Grande do Sul, o mercado operou com baixa liquidez e negócios isolados. As indicações variaram entre R$ 56,00 e R$ 65,00 por saca, com média estadual em R$ 58,24, avanço semanal de 0,28%.

A colheita da safra 2025/26 já alcança 96% da área cultivada no estado. Entretanto, as lavouras mais tardias sofreram impactos do frio e da menor incidência solar, além de danos pontuais provocados por geadas, levando parte das áreas para produção de silagem.

Em Santa Catarina, os estoques elevados continuam travando os negócios. As pedidas dos produtores giram próximas de R$ 70,00 por saca, enquanto compradores indicam valores ao redor de R$ 65,00.

No Paraná, a liquidez também permanece limitada. A primeira safra está totalmente colhida, enquanto a segunda apresentou leve deterioração nas condições das lavouras, com redução das áreas classificadas como boas de 84% para 82%.

Já em Mato Grosso do Sul, o avanço da oferta pressionou as cotações, que oscilaram entre R$ 50,69 e R$ 52,17 por saca. O setor de bioenergia continua sustentando parte da demanda, mas os estoques elevados mantêm o consumo seletivo.

Cotações variam entre regiões produtoras

No levantamento semanal de Safras & Mercado, o milho apresentou comportamento misto nas principais praças do país entre os dias 14 e 21 de maio.

Em Cascavel (PR), a cotação subiu de R$ 61,00 para R$ 63,00 por saca, alta de 3,3%. Em Campinas (SP/CIF), o cereal recuou de R$ 68,00 para R$ 67,00, enquanto na Mogiana paulista caiu de R$ 63,00 para R$ 62,00.

Leia mais:  Fios de qualidade definem o padrão dos tecidos: Incofios aposta em inovação e sustentabilidade no setor têxtil

Rondonópolis (MT) registrou uma das maiores valorizações do período, passando de R$ 50,00 para R$ 53,00 por saca, avanço de 6%.

Em Rio Verde (GO), o milho subiu de R$ 57,00 para R$ 58,00. Já em Uberlândia (MG), os preços permaneceram estáveis em R$ 60,00 por saca.

os portos, Paranaguá avançou de R$ 68,00 para R$ 70,00 por saca, enquanto Santos também atingiu R$ 70,00, refletindo movimentações pontuais ligadas às exportações.

Mercado ainda busca um piso para os preços

Analistas avaliam que o mercado brasileiro ainda procura um ponto de equilíbrio para os preços diante da combinação entre ampla oferta global e entrada da segunda safra nacional.

A recomendação para produtores que ainda possuem milho disponível é aproveitar momentos de recuperação das cotações para avançar nas vendas de forma gradual. Especialistas alertam que apostar em uma forte recuperação no curto prazo pode ser arriscado, principalmente com a intensificação da colheita da safrinha nas próximas semanas.

Para a safra 2026/27, a orientação é realizar proteção parcial da produção em momentos de valorização do mercado internacional, utilizando estratégias escalonadas de hedge.

O clima nos Estados Unidos segue no radar global. Eventuais problemas climáticos em regiões produtoras americanas podem alterar o comportamento das cotações internacionais e trazer maior volatilidade ao mercado nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Exportações de milho do Brasil crescem 11,9% na safra 2024/25; Mato Grosso lidera embarques e Egito amplia compras

Publicado

As exportações brasileiras de milho encerraram a safra 2024/25 em ritmo positivo, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores do cereal no mercado internacional. O volume embarcado cresceu 11,88% em relação à temporada anterior, impulsionado pela maior disponibilidade de produto e pela forte competitividade do milho brasileiro no comércio global.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostram que o país exportou 42,38 milhões de toneladas de milho ao longo da safra, confirmando a força das vendas externas mesmo diante das oscilações do mercado internacional.

Mato Grosso mantém liderança absoluta nas exportações de milho

Maior produtor nacional do cereal, Mato Grosso permaneceu na liderança das exportações brasileiras durante a safra 2024/25.

O estado embarcou 24,35 milhões de toneladas, volume 2,34% superior ao registrado na temporada anterior. Com esse desempenho, respondeu por 57,48% de todo o milho exportado pelo Brasil, reforçando sua importância estratégica para o abastecimento do mercado global.

Leia mais:  MMA, MinC, ICMBio e Iphan firmam acordo para integrar cultura e meio ambiente em territórios tradicionais

O resultado reflete a elevada produção estadual, aliada à crescente eficiência logística e à demanda consistente de compradores internacionais.

Egito amplia compras e lidera destinos do milho mato-grossense

Entre os principais importadores do milho produzido em Mato Grosso, o Egito consolidou sua posição como maior comprador da safra.

O país adquiriu 5,43 milhões de toneladas, registrando crescimento de 40,37% na comparação com a temporada anterior.

Na sequência aparece o Irã, com importações de 3,10 milhões de toneladas, avanço de 25,44% em relação ao ciclo anterior.

O Vietnã completou o grupo dos maiores destinos, com 2,76 milhões de toneladas adquiridas. Embora tenha registrado retração de 9,61%, o país permaneceu entre os principais mercados para o milho mato-grossense.

Juntos, Egito, Irã e Vietnã importaram 11,29 milhões de toneladas, concentrando parcela significativa das exportações do estado.

Mercado volta atenção para a safra 2025/26

Com o encerramento oficial das exportações da safra 2024/25, o mercado já direciona o foco para a temporada 2025/26.

Segundo o Imea, os embarques da nova safra começam a ganhar intensidade à medida que a colheita avança nas principais regiões produtoras do país. A expectativa do setor é de continuidade da forte presença brasileira no mercado internacional, sustentada pelo elevado potencial produtivo e pela competitividade do milho nacional frente aos principais concorrentes.

Leia mais:  CMN aprova orçamento de R$ 7,1 bilhões para financiamentos do Funcafé

Caso o ritmo das exportações seja mantido, o Brasil deverá continuar ampliando sua participação no comércio global de milho, consolidando Mato Grosso como principal origem dos embarques destinados aos grandes importadores mundiais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana