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Justiça determina devolução de maquinário agrícola a produtor rural em recuperação judicial em Goiás

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A Justiça de Goiás determinou a devolução imediata de um maquinário agrícola apreendido de um produtor rural que integra um grupo familiar em processo de recuperação judicial. A decisão, proferida pela Vara Cível da Comarca de Vianópolis (GO), reconheceu que o equipamento é indispensável para a continuidade das atividades produtivas e para o sucesso do processo de reestruturação financeira da propriedade rural.

O caso envolve um pulverizador agrícola Jacto Uniport Star 2500 LT, apreendido em uma ação de busca e apreensão movida por uma instituição financeira em razão de um contrato com garantia fiduciária superior a R$ 770 mil.

Ao analisar o pedido, a juíza Beatriz Scotelaro de Oliveira concluiu que a manutenção da apreensão poderia comprometer diretamente a atividade agrícola do grupo familiar e contrariar os objetivos da recuperação judicial, que busca preservar a operação econômica enquanto ocorre a reorganização financeira.

Equipamento é considerado fundamental para a produção

Na decisão, a magistrada destacou que o maquinário possui caráter essencial para a atividade rural desenvolvida pelo grupo e que sua retirada poderia causar prejuízos operacionais significativos, especialmente em uma atividade que depende de calendário agrícola rigoroso e da utilização contínua de equipamentos especializados.

O entendimento segue a previsão da Lei nº 11.101/2005, que estabelece proteção aos bens de capital considerados essenciais durante o chamado “stay period”, período em que ficam suspensas determinadas medidas de execução contra empresas e produtores em recuperação judicial.

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Segundo a decisão, mesmo quando vinculados a contratos com alienação fiduciária, os bens reconhecidos como indispensáveis à atividade produtiva não podem ser retirados se isso comprometer a continuidade da operação econômica.

Preservação da atividade rural ganha respaldo judicial

A medida é um desdobramento da recuperação judicial já deferida ao grupo familiar, ocasião em que a Justiça reconheceu a necessidade de preservar a estrutura produtiva da propriedade rural e suspendeu medidas constritivas sobre ativos considerados estratégicos para a atividade.

De acordo com especialistas que acompanham o caso, a decisão reforça a aplicação do princípio da preservação da atividade econômica, um dos pilares da legislação recuperacional brasileira.

A avaliação é que a retirada de equipamentos fundamentais para a produção agrícola pode comprometer não apenas uma safra, mas também a capacidade financeira do produtor de cumprir o plano de recuperação e honrar seus compromissos futuros.

Jurisprudência fortalece proteção de bens essenciais

Outro ponto destacado pela magistrada foi que cabe ao juízo responsável pela recuperação judicial definir quais ativos são essenciais para a continuidade da atividade econômica do devedor.

Esse entendimento vem sendo consolidado pelos tribunais brasileiros e tem sido aplicado com frequência em processos envolvendo produtores rurais, especialmente diante da crescente utilização da recuperação judicial como instrumento de reorganização financeira no agronegócio.

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A decisão também reforça a importância da análise individualizada de cada caso, considerando o papel estratégico que determinados equipamentos desempenham dentro da operação produtiva.

Instituição financeira deverá devolver equipamento em até 72 horas

Na prática, a Justiça determinou que a instituição financeira providencie a devolução do pulverizador agrícola no prazo máximo de 72 horas.

Além disso, o equipamento deverá ser entregue diretamente na fazenda onde foi apreendido, sendo os custos de transporte e restituição integralmente arcados pela própria instituição credora.

Recuperação judicial cresce no agronegócio brasileiro

O caso reflete uma realidade cada vez mais presente no campo brasileiro. Com o aumento dos desafios financeiros enfrentados por produtores rurais nos últimos anos, a recuperação judicial tem sido utilizada como ferramenta para preservar atividades produtivas, renegociar dívidas e manter empregos e investimentos no setor.

Nesse contexto, decisões que garantem a permanência de máquinas, implementos e equipamentos essenciais nas propriedades rurais são consideradas fundamentais para assegurar a continuidade da produção e contribuir para a recuperação econômica dos empreendimentos agropecuários.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Seguro Rural ganha destaque internacional, mas Brasil ainda precisa avançar em previsibilidade e gestão de riscos

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O seguro rural tem se consolidado como uma das principais ferramentas de proteção da atividade agropecuária em diversos países, especialmente diante do aumento dos eventos climáticos extremos. No entanto, um estudo divulgado pelo Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), do FGV Agro, mostra que o Brasil ainda enfrenta desafios importantes para ampliar a cobertura e tornar o sistema mais eficiente.

A pesquisa intitulada “Seguro Rural pelo Mundo: Regulação e Políticas Comparadas” analisou os modelos adotados em Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru, identificando diferentes estratégias de gestão de risco no agronegócio e apontando caminhos para o fortalecimento do sistema brasileiro.

Estados Unidos lideram cobertura de seguro rural

Entre os países avaliados, os Estados Unidos se destacam pela ampla cobertura das principais culturas agrícolas, alcançando aproximadamente 90% da área produtiva.

O modelo norte-americano combina atuação da iniciativa privada com forte apoio governamental, por meio de subsídios ao prêmio do seguro, custeio administrativo e mecanismos públicos de resseguro. Essa estrutura permite elevada adesão dos produtores e maior estabilidade financeira para o setor agropecuário.

Espanha aposta em parceria entre setor público e privado

Na Espanha, o sucesso do seguro rural está associado à coordenação entre governo, seguradoras e agricultores.

O sistema opera por meio de uma sólida parceria público-privada, considerada uma das mais eficientes do mundo. Segundo o estudo, a previsibilidade institucional e a governança compartilhada têm papel tão importante quanto os recursos destinados à subvenção dos seguros.

Índia amplia inclusão de pequenos produtores

A Índia adotou um modelo focado na inclusão dos pequenos agricultores, com forte participação estatal no financiamento dos seguros.

O governo assume grande parte dos custos dos prêmios, permitindo que milhões de produtores tenham acesso à proteção contra perdas climáticas. Apesar do alcance expressivo, o programa enfrenta desafios relacionados à sua complexidade operacional e à gestão dos pagamentos.

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Redução de subsídios provocou queda da cobertura no México

O estudo destaca o caso mexicano como exemplo dos impactos da retirada do apoio governamental ao setor.

Após a redução dos subsídios, a área agrícola segurada caiu de mais de 50% para cerca de 16%, comprometendo significativamente a capacidade do sistema de proteger os produtores rurais contra eventos climáticos adversos.

Argentina ainda depende de medidas emergenciais

Na Argentina, o mercado segurador é concentrado principalmente na cobertura contra granizo, o que limita a oferta de seguros multirrisco.

Como consequência, o país mantém elevada dependência de programas emergenciais do governo para socorrer produtores afetados por secas, enchentes e outros eventos climáticos severos.

Seguro rural deve ser tratado como política pública estratégica

Para os pesquisadores do OCSR e autores do estudo, Renato Buranello e Anna Cortelin, as experiências internacionais demonstram que os sistemas mais bem-sucedidos são aqueles estruturados como políticas públicas permanentes.

Segundo os especialistas, os países que hoje apresentam elevados níveis de cobertura securitária construíram seus modelos ao longo de décadas, aprimorando mecanismos de gestão, financiamento e governança.

O estudo aponta que o Brasil deve avançar na construção de um ambiente institucional sólido, com regras claras, participação ativa das seguradoras, apoio governamental consistente e foco inicial nos riscos climáticos mais relevantes e nos pequenos produtores rurais.

Além disso, a expansão da cobertura deve ocorrer de forma gradual, fortalecendo a capacidade de resposta do setor diante dos desafios climáticos e das oscilações de mercado.

Brasil precisa integrar políticas e garantir previsibilidade

A principal conclusão do levantamento é que o país não deve tratar Estado e mercado como forças opostas, mas como agentes complementares na construção de um sistema eficiente de gestão de riscos.

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Nesse contexto, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é apontado como ferramenta essencial para incentivar a contratação de seguros privados, promovendo a transferência dos riscos para seguradoras e resseguradoras.

Já o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) continua desempenhando papel estratégico na proteção dos pequenos produtores vinculados ao crédito rural.

O desafio, segundo os pesquisadores, está em harmonizar os dois instrumentos, evitando sobreposição de funções e reduzindo a pressão sobre os recursos públicos.

Falta de previsibilidade orçamentária limita expansão do mercado

Um dos principais entraves apontados pelo estudo é a instabilidade na liberação dos recursos destinados ao PSR.

Sem previsibilidade orçamentária e calendário definido para os repasses, o mercado enfrenta dificuldades para planejar operações, encarecendo os custos e reduzindo o interesse das seguradoras em ampliar a oferta de produtos.

No caso do Proagro, os especialistas defendem uma atuação cada vez mais técnica, apoiada por instrumentos como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), considerado fundamental para a gestão eficiente dos riscos.

Fundo catastrófico é apontado como prioridade

Outra recomendação do estudo é a criação de uma camada específica de proteção para eventos climáticos extremos, utilizando mecanismos como o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural.

Segundo os pesquisadores, a ausência dessa estrutura faz com que o sistema oscile entre insuficiência de recursos em períodos normais e elevados gastos públicos em anos marcados por grandes desastres climáticos.

Com o avanço das mudanças climáticas e o aumento da frequência de eventos extremos, o fortalecimento do seguro rural é visto como um passo essencial para garantir maior resiliência, sustentabilidade e segurança econômica ao agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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