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Dólar sobe com inflação dos EUA no radar e ameaça de tarifas amplia incertezas para exportações brasileiras

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O mercado financeiro iniciou esta quarta-feira (10) em clima de cautela. O dólar opera em alta frente ao real, refletindo a força global da moeda norte-americana, a expectativa pela divulgação dos dados de inflação dos Estados Unidos e o aumento das incertezas geopolíticas e comerciais envolvendo o Brasil.

Por volta das 9h15, o dólar à vista avançava 0,18%, sendo negociado a R$ 5,1877. Já o contrato futuro mais líquido da moeda, com vencimento em julho, registrava alta de 0,14%, cotado a R$ 5,2110.

Em outra referência do mercado na abertura, a moeda norte-americana chegou a subir 0,23%, alcançando R$ 5,1895.

Apesar da valorização desta quarta-feira, o dólar acumula queda de 5,67% em 2026. No entanto, a moeda já sobe 2,68% em junho e acumula ganho de 0,41% na semana, sinalizando uma recuperação após meses de enfraquecimento frente ao real.

Inflação dos EUA pode redefinir expectativas para os juros

Os investidores aguardam os números da inflação ao consumidor dos Estados Unidos, indicador considerado decisivo para as próximas decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed).

Caso a inflação permaneça pressionada, aumenta a possibilidade de manutenção dos juros elevados por mais tempo na maior economia do mundo. Esse cenário costuma fortalecer o dólar globalmente e reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Além disso, as recentes tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a elevar a aversão ao risco nos mercados internacionais, impulsionando a busca por ativos considerados mais seguros.

Tarifas dos EUA preocupam exportadores brasileiros

No campo comercial, o governo norte-americano voltou a aumentar a pressão sobre o Brasil ao discutir a aplicação de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros.

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A proposta faz parte de uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos, que acusam o Brasil de adotar práticas consideradas restritivas ao comércio americano.

Embora produtos estratégicos do agronegócio, como café e suco de laranja, estejam entre as exceções inicialmente previstas, o setor acompanha o tema com atenção.

Especialistas alertam que a adoção de novas barreiras tarifárias pode afetar investimentos, logística de exportação e a competitividade de diversos segmentos produtivos, principalmente em um momento de desaceleração econômica global.

Agronegócio mantém força e sustenta superávit comercial

Mesmo diante das incertezas externas, o comércio exterior brasileiro continua apresentando resultados robustos.

Em maio, a balança comercial registrou superávit de US$ 7,8 bilhões, acima das expectativas do mercado. No acumulado do ano, o saldo positivo alcança US$ 32,7 bilhões.

O agronegócio segue como principal motor das exportações brasileiras, com destaque para:

  • Soja, com crescimento de 14,6%;
  • Algodão, alta de 45,3%;
  • Carne bovina, avanço de 50,2%;
  • Produtos derivados de petróleo;
  • Ouro não monetário.

A demanda internacional por commodities permanece elevada, especialmente em função das incertezas geopolíticas que sustentam os preços globais de energia e matérias-primas.

Produção industrial surpreende positivamente

Outro indicador que reforçou a resiliência da economia brasileira foi a produção industrial.

Em abril, a indústria avançou 0,7% na comparação mensal, registrando a quarta alta consecutiva em 2026. Na comparação anual, o crescimento foi de 2,7%.

O desempenho foi puxado principalmente pelos setores de extração mineral, petróleo e biocombustíveis, produtos têxteis, madeira e materiais plásticos.

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Apesar do resultado positivo, economistas avaliam que os efeitos dos juros elevados, das incertezas fiscais e do ambiente pré-eleitoral podem limitar uma aceleração mais forte da atividade nos próximos meses.

Bolsa brasileira opera próxima das máximas históricas

Enquanto o dólar busca recuperação, a bolsa brasileira continua sustentando desempenho positivo em 2026.

Na terça-feira, o Ibovespa encerrou o pregão com alta de 0,67%, aos 169.802 pontos. No acumulado do ano, o principal índice da B3 sobe 5,39%.

No entanto, o índice acumula queda de 2,29% em junho e recuo de 0,46% nesta semana, refletindo a maior cautela dos investidores diante do cenário internacional.

Cenário para o câmbio segue desafiador

Analistas seguem atentos ao comportamento do dólar nas próximas semanas. Além dos indicadores americanos, permanecem no radar:

  • O avanço das discussões tarifárias entre Brasil e Estados Unidos;
  • As tensões geopolíticas no Oriente Médio;
  • O ritmo da economia chinesa;
  • A trajetória dos juros americanos;
  • O cenário fiscal brasileiro;
  • As movimentações do mercado em relação às eleições de 2026.

Para o agronegócio, um dólar mais valorizado tende a favorecer a competitividade das exportações. Por outro lado, aumenta os custos de insumos importados, fertilizantes, defensivos agrícolas e máquinas, exigindo atenção redobrada dos produtores na gestão financeira e comercial.

Com o mercado global cada vez mais sensível a fatores políticos e econômicos, a volatilidade cambial deve continuar sendo um dos principais temas de atenção para exportadores, investidores e produtores rurais ao longo dos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de açúcar recuam quase 25% em receita no primeiro semestre de 2026 com queda nos preços internacionais

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As exportações brasileiras de açúcar registraram queda significativa no primeiro semestre de 2026, tanto em volume quanto em receita. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o país embarcou 12,29 milhões de toneladas de açúcares e melaços entre janeiro e junho, retração de 4,39% em relação ao mesmo período de 2025.

O impacto mais expressivo, no entanto, ocorreu sobre o faturamento. A receita das exportações somou US$ 4,43 bilhões, valor 24,98% inferior aos US$ 5,90 bilhões registrados no primeiro semestre do ano passado. O resultado reflete, principalmente, a forte desvalorização do açúcar no mercado internacional.

Exportações de açúcar caem em junho

Somente em junho, o Brasil exportou 3,13 milhões de toneladas de açúcares e melaços, volume 7,16% menor que o registrado no mesmo mês de 2025, quando os embarques alcançaram 3,37 milhões de toneladas.

A receita obtida com as vendas externas caiu de US$ 1,44 bilhão para US$ 1,09 bilhão, representando retração de 24,26% na comparação anual.

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Preço médio do açúcar despenca no mercado externo

O principal fator responsável pela redução do faturamento foi a queda no preço médio das exportações.

Em junho, a cotação média do açúcar exportado pelo Brasil ficou em US$ 349,59 por tonelada, uma redução de 18,42% frente aos US$ 428,54 por tonelada registrados em junho de 2025.

No acumulado do primeiro semestre, o preço médio também apresentou forte retração, passando de US$ 458,79 para US$ 360,01 por tonelada, o que evidencia a pressão exercida pelas cotações internacionais sobre a rentabilidade das exportações brasileiras.

Mercado acompanha oferta global e comportamento dos preços

Apesar de o Brasil manter a liderança mundial nas exportações de açúcar, o desempenho em 2026 demonstra um cenário mais desafiador para o setor. A combinação entre menor volume embarcado e preços internacionais mais baixos reduziu significativamente a receita cambial do segmento.

Os números divulgados pela Secex consideram 21 dias úteis em junho de 2026, ante 20 dias úteis em junho de 2025, e reforçam a influência do mercado global sobre o desempenho das exportações brasileiras de açúcar ao longo do ano.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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