Agro News

Bolsas globais avançam com impulso da tecnologia; Ibovespa sobe de olho no Copom e no Fed

Publicado

Os mercados financeiros internacionais operam nesta quarta-feira (17) sob a expectativa das decisões de política monetária do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve (Fed), dos Estados Unidos. O ambiente de cautela não impediu o avanço das bolsas asiáticas, impulsionadas principalmente pelo desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial e à indústria de semicondutores.

Na China, os principais índices encerraram o pregão em alta. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, avançou 0,97%, enquanto o índice de Xangai registrou valorização de 0,40%. O destaque ficou para o setor de semicondutores, que saltou cerca de 6% e renovou máximas históricas, refletindo o forte fluxo de investimentos direcionados às cadeias produtivas relacionadas à inteligência artificial.

Analistas destacam que a economia chinesa segue apresentando um comportamento conhecido como “crescimento em K”, no qual setores ligados à tecnologia e inovação crescem em ritmo acelerado, enquanto segmentos mais tradicionais, como consumo e setor financeiro, enfrentam desaceleração diante da demanda interna mais fraca.

Leia mais:  Crédito rural cresce 6% e atinge R$ 316,57 bilhões no primeiro semestre da safra 2025/2026
Tecnologia impulsiona bolsas asiáticas

Além da China, outros mercados asiáticos também encerraram o dia em território positivo. O índice Nikkei, do Japão, subiu 0,7%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, liderou os ganhos da região com alta de 1,58%.

Em Taiwan, o Taiex avançou 0,15%, enquanto o Straits Times, de Singapura, registrou valorização de 1,23%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 fechou em alta de 0,54%.

A exceção foi a bolsa de Hong Kong, onde o índice Hang Seng recuou 0,74%, pressionado pela realização de lucros em ações de setores mais tradicionais da economia.

Ibovespa inicia sessão em alta e acompanha recuperação do petróleo

No Brasil, o Ibovespa abriu o pregão em alta de 0,61%, aos 170.678 pontos, recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior. O movimento é sustentado pela valorização do petróleo no mercado internacional e pela expectativa em torno das decisões de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Leia mais:  ExpoQueijo Brasil 2026 reúne centenas de produtores e reforça expansão internacional do maior concurso de queijos das Américas

publicidade

Agro News

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

Publicado

A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

Leia mais:  Avicultura lança campanha para estimular consumo de frango

“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

Leia mais:  BNDES libera R$ 148,5 milhões para usina de biometano em Toledo (PR)

O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

Mais Lidas da Semana