Agro News

Renegociação de dívidas rurais deve custar R$ 65 bilhões e não gerar impacto fiscal, afirma FPA

Publicado

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) rebateu as estimativas apresentadas pelo Ministério da Fazenda sobre os impactos do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que cria mecanismos para a renegociação de dívidas rurais. Segundo levantamento realizado pela bancada, o custo total das operações não deve ultrapassar R$ 65 bilhões ao longo dos próximos 13 anos, valor significativamente inferior aos números divulgados pelo governo federal.

De acordo com a entidade, a projeção da equipe econômica superestima tanto o volume de dívidas elegíveis quanto o alcance efetivo do programa. Utilizando as mesmas premissas econômicas adotadas pelo Ministério da Fazenda, a FPA calculou um custo de aproximadamente R$ 63,4 bilhões, podendo chegar a R$ 65 bilhões caso haja maior participação dos agricultores familiares na distribuição dos recursos.

Carteira problemática representa parcela limitada do crédito rural

Dados do Banco Central apontam que a carteira de crédito rural alcançou R$ 895,2 bilhões em abril deste ano. Quando somadas as Cédulas de Produto Rural (CPRs) negociadas no mercado privado e financeiro, o volume total de crédito agropecuário chega a cerca de R$ 1,2 trilhão.

Segundo a FPA, apenas R$ 256 bilhões desse montante podem ser considerados uma carteira problemática, composta por contratos inadimplentes, em atraso, prorrogados ou já renegociados. A bancada atribui essa situação aos impactos acumulados de eventos climáticos severos e instabilidades geopolíticas registrados entre 2024 e 2026.

Além disso, a adesão ao programa não será automática. O texto estabelece critérios rigorosos para enquadramento, exigindo que o produtor tenha registrado pelo menos duas perdas de safra entre 2019 e 2025 e prejuízos mínimos de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deverá ser feita por meio de laudo técnico.

Outro ponto destacado pela FPA é que programas semelhantes de renegociação historicamente alcançaram cerca de 40% do público potencial. Com base nesse percentual, o volume efetivamente renegociado ficaria próximo de R$ 100 bilhões, equivalente a apenas 8,3% da carteira total de crédito agropecuário, percentual muito inferior aos quase 17% considerados pelo governo.

Leia mais:  Produtores de uvas adiam poda em regiões com risco de geada no RS
Custo anual ficaria abaixo das estimativas da Fazenda

Nas simulações apresentadas pela bancada ruralista, foram consideradas taxas Selic variando entre 13,5% em 2027 e 9% ao ano entre 2033 e 2039, além de juros subsidiados entre 3,5% e 7,5%, conforme o perfil do produtor.

Mesmo utilizando essas premissas, o pico de desembolso anual seria de aproximadamente R$ 11,2 bilhões, praticamente metade dos R$ 22,4 bilhões estimados pelo Ministério da Fazenda.

Durante audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu o aumento da inadimplência no setor agropecuário. Segundo ele, índices historicamente situados entre 1% e 2% passaram para uma faixa entre 5% e 6%, refletindo o cenário de dificuldades enfrentado pelos produtores rurais.

Projeto tem caráter autorizativo e não obriga gastos imediatos

Um dos principais argumentos da FPA é que o projeto possui caráter autorizativo, ou seja, não determina automaticamente a liberação de recursos nem estabelece valores obrigatórios para a renegociação das dívidas.

Segundo o coordenador da Comissão de Direito de Propriedade da FPA, deputado Evair de Melo, o texto apenas cria instrumentos para que o Poder Executivo possa estruturar uma linha especial de crédito destinada aos produtores que atendam aos critérios previstos.

A própria proposta estabelece que caberá ao governo federal definir o volume de recursos disponibilizados, permitindo adequações conforme as condições fiscais e orçamentárias vigentes.

FPA descarta impacto sobre o superávit primário

A bancada ruralista também questiona a avaliação de que o programa poderia gerar desequilíbrios fiscais. Segundo a entidade, o financiamento das operações poderá utilizar recursos do Fundo Social, dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), Nordeste (FNE) e Norte (FNO), além do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).

Na avaliação da FPA, o uso desses mecanismos reduz a necessidade de aportes do Tesouro Nacional e preserva o cumprimento das regras previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Leia mais:  Mudanças climáticas podem reduzir lucros da soja em 60% até 2050, alerta estudo

O coordenador institucional da entidade, deputado Alceu Moreira, afirma que a proposta não exige necessariamente a utilização de recursos primários da União, o que afastaria riscos de deterioração fiscal.

Falhas no seguro rural ampliaram endividamento no campo

Outro ponto levantado pela FPA é que o atual nível de endividamento do setor agrícola também está relacionado à baixa cobertura do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Dados apresentados pela bancada mostram que, em 2025, apenas 3,27% da área plantada no Brasil contou com proteção do programa. Para os parlamentares, uma política de seguro rural mais robusta teria reduzido significativamente os prejuízos enfrentados pelos produtores e diminuído a necessidade de programas de renegociação.

A preocupação aumentou após o bloqueio de R$ 461,7 milhões do orçamento destinado ao PSR, medida anunciada recentemente pelo governo federal e que reduz a capacidade de cobertura justamente em um período de elevada exposição a riscos climáticos.

Acesso ao Plano Safra preocupa setor produtivo

A FPA busca agora ampliar o apoio político ao Projeto de Lei 5.122/2023 na Câmara dos Deputados. O objetivo é garantir a votação da proposta antes do lançamento do Plano Safra 2026/2027.

Segundo o presidente da entidade, o deputado Pedro Lupion, a aprovação da matéria pode ser decisiva para permitir que produtores inadimplentes recuperem o acesso ao crédito rural. O setor teme que o elevado endividamento comprometa a contratação de financiamentos para a próxima safra, reduzindo investimentos, afetando a produção agropecuária e pressionando os preços dos alimentos no mercado interno.

Palavras-chave para SEO: renegociação de dívidas rurais, crédito rural, Projeto de Lei 5122, FPA, endividamento rural, Plano Safra 2026/2027, seguro rural, inadimplência no agro, crédito agropecuário, agricultura brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Soja inicia julho estável em Chicago após relatório do USDA; clima nos EUA e mercado brasileiro seguem no radar

Publicado

O mercado internacional da soja começou o mês de julho em ritmo de estabilidade na Bolsa de Chicago (CBOT), após a forte repercussão do relatório de área plantada e estoques trimestrais divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Com os números já incorporados aos preços, os investidores voltam as atenções para o comportamento do clima nas principais regiões produtoras norte-americanas, fator que deve determinar a direção das cotações nas próximas semanas.

Nas primeiras negociações desta quarta-feira (1º), os contratos futuros apresentavam pequenas oscilações. O vencimento julho era negociado próximo de US$ 11,14 por bushel, enquanto o contrato novembro girava em torno de US$ 11,43 por bushel, refletindo um mercado ainda sem tendência definida.

Mercado absorve dados do USDA

O relatório divulgado pelo USDA confirmou um aumento de aproximadamente 5% na área cultivada com soja nos Estados Unidos em relação à temporada anterior, movimento favorecido pela migração de parte das áreas anteriormente destinadas ao milho.

Além disso, o órgão estimou a área plantada em 34,55 milhões de hectares e apontou estoques trimestrais de 28,88 milhões de toneladas, números considerados baixistas pelo mercado por indicarem maior oferta potencial da oleaginosa.

Apesar disso, as perdas foram limitadas. Durante o encerramento do pregão anterior, os contratos conseguiram recuperar parte do terreno perdido. O contrato julho avançou 0,72%, encerrando a US$ 11,1675 por bushel, enquanto o agosto registrou alta de 0,45%, para US$ 11,2425 por bushel, impulsionado pelo desempenho positivo de outras commodities agrícolas e pela preocupação crescente com as condições climáticas nos Estados Unidos.

Clima passa a ser o principal fator para os preços

Com os relatórios do USDA praticamente precificados, o mercado direciona seu foco para o desenvolvimento das lavouras no Corn Belt, principal cinturão agrícola norte-americano.

Leia mais:  UE avança em revisão da lei antidesmatamento e pode adiar exigências para 2026

O verão nos Estados Unidos entra agora em sua fase mais sensível para a definição do potencial produtivo da soja. Episódios de calor intenso ou déficit hídrico podem comprometer a produtividade das lavouras e provocar maior volatilidade nas bolsas.

Os dados mais recentes mostram que 65% das áreas cultivadas apresentam condições classificadas entre boas e excelentes, um ponto percentual abaixo da semana anterior. Já aproximadamente 19% das lavouras entraram na fase de floração, considerada decisiva para o rendimento final da safra.

Demanda chinesa e geopolítica seguem influenciando o mercado

Além das condições climáticas, os investidores permanecem atentos ao cenário geopolítico internacional e ao comportamento da demanda chinesa, principal compradora mundial da soja.

Outro ponto de atenção são os números das vendas semanais de exportação dos Estados Unidos, que serão divulgados pelo USDA e poderão oferecer novos sinais sobre o ritmo da demanda externa pela oleaginosa.

Enquanto isso, no complexo soja, o farelo apresentou estabilidade, enquanto o óleo recuou 3,37%, acompanhando a desvalorização observada no mercado internacional do petróleo.

Mercado físico brasileiro enfrenta pressão de oferta e logística

No Brasil, o mercado físico encerrou junho com comportamento misto entre as principais regiões produtoras. A elevada oferta disponível, aliada aos desafios logísticos e ao aumento dos custos de produção, continua limitando novos negócios.

No Rio Grande do Sul, o porto de Rio Grande registrou negócios ao redor de R$ 135 por saca. A produtividade final da safra ficou cerca de 14,8% abaixo das projeções iniciais, enquanto o encerramento da colheita da soja e o avanço das culturas de inverno elevaram a pressão sobre a capacidade de armazenagem.

Leia mais:  Produtores de uvas adiam poda em regiões com risco de geada no RS

Em Santa Catarina, os negócios em São Francisco do Sul ocorreram próximos de R$ 130 por saca, refletindo o aumento da oferta nacional.

No Paraná, o porto de Paranaguá apresentou preços próximos de R$ 134 por saca. A produção estadual foi consolidada em 21,778 milhões de toneladas.

Já em Mato Grosso do Sul, o elevado custo de produção continua restringindo as vendas. O custo operacional alcançou R$ 6.115,83 por hectare, exigindo aproximadamente 50,97 sacas por hectare apenas para o ponto de equilíbrio financeiro, cenário que incentiva muitos produtores a manterem a soja armazenada à espera de melhores preços.

Em Mato Grosso, além da queda nas cotações em diversas regiões, a colheita do milho já supera 32% da área cultivada, aumentando a disputa por transporte e espaço nos armazéns, o que também influencia a dinâmica da comercialização da soja.

Produtores aguardam melhores oportunidades

Diante desse cenário, os produtores brasileiros seguem adotando uma postura cautelosa. A definição dos preços continua dependente da evolução do clima nos Estados Unidos, das oscilações do dólar frente ao real e do comportamento da demanda internacional.

A expectativa do mercado é de que a volatilidade permaneça elevada nas próximas semanas, uma vez que qualquer alteração nas condições climáticas do Corn Belt ou mudanças no ritmo das exportações norte-americanas poderão influenciar diretamente as cotações internacionais e, consequentemente, a formação dos preços da soja no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana