A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) monitora, atualmente, 402 planos de manejos autorizados e em execução. O Estado possui 5,2 milhões de hectares em áreas de manejo e a meta é chegar até 6,5 milhões até 2040.
Nesta quinta-feira (25.6), equipes do órgão ambiental participaram de uma imersão prática na Fazenda Leonel Bedin, em Ipiranga do Norte, onde cerca de 150 pessoas acompanharam em campo as etapas do manejo em uma área de 300 hectares.
A atividade integrou a programação da 6ª edição do Dia na Floresta, promovida pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem).
“Quando nós olhamos para as áreas de manejo, a incidência é de menos de 10% de desmatamentos posteriores e também não há incidência de incêndios florestais porque essas áreas possuem acessos e mantém toda uma estrutura”, destacou a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti.
Ela explicou que o manejo florestal não se confunde com a supressão de vegetação. “A incidência de ilegalidade nos desmatamentos é superior do que em manejo florestais sustentáveis”, assegurou.
No manejo florestal, conforme a secretária, existem critérios a serem seguidos para o levantamento florestal e realização do inventário dos indivíduos existentes na área contemplada no projeto de manejo. A partir desses dados e levando em consideração a renovação da floresta, é estabelecida uma matriz com a indicação do quanto é possível ser extraído do manejo.
“O Brasil tem critérios técnicos muito mais especializados do que em os outros países, que não possuem um regramento que faça uma composição que considera a especificidade de cada área. Em Mato Grosso nós possuímos várias matrizes, pois as regiões são diferentes. Mas ao final, todos esses critérios levam para o objetivo principal que é manter a floresta para o novo ciclo”, ressaltou Lazzaretti.
O processo para autorização do manejo florestal, segundo a secretária, começa com a elaboração do projeto pelo empreendedor. O órgão ambiental recebe todos os dados de forma digital, com 100% do inventariado e georreferenciado.
Na sequência, os dados são analisados pelos técnicos que atuam no licenciamento e se tudo estiver de acordo com a legislação, inclusive o Cadastro Ambiental Rural (CAR) validado, a Sema emite a autorização de exploração florestal.
“Com a emissão da autorização, nós temos uma estrutura de monitoramento e passamos a confrontar as imagens de área que nós temos com a exploração que acontece em campo e com a comercialização desses produtos no nosso sistema Sisflora 2.0, que acompanha o corte, a secção, o transporte e o comércio de todo o produto florestal deste manejo”, explicou.
Segundo a secretária, o monitoramento contínuo permite ao órgão ambiental acompanhar se a exploração está ocorrendo exatamente onde foi autorizada e se a árvore que foi cortada e informada no sistema é compatível com a que foi apresentada no projeto.
Para o presidente do Cipem, Gleisson Tagliari, o manejo representa um compromisso de longo prazo com a manutenção da floresta em pé, capaz de manter a área produtiva e preservada nas décadas seguintes.
“Quando você faz manejo florestal, assume um compromisso de garantir que aquela propriedade permaneça com floresta e que, daqui a 25 ou 30 anos, exista um novo ciclo de madeira. Ou seja, você promove também a conservação das nossas florestas. Levar esse conhecimento adiante traz mais credibilidade, mais visibilidade e gera mais confiança sobre o trabalho desenvolvido pelo setor”.
Nas áreas de manejo, o corte das árvores é feito de maneira seletiva, respeitando o ciclo de vida dos indivíduos. Árvores que já cumpriram o seu papel na natureza são colhidas de forma estratégica, minimizando o impacto ambiental e dando espaço para que suas filhas possam crescer para proliferação da espécie.
Imersão na floresta
Durante a trilha técnica, os participantes percorreram trechos da floresta acompanhados por especialistas. A atividade contou com apoio tecnológico do aplicativo Madereiro, G2R Soluções tecnológicas, que fornece em tempo real o mapa da área, árvores catalogadas e a classificação das espécies por um sistema de cores.
Fechando o ciclo, os participantes visitaram a Madeireira São Miguel, em Sinop, para conhecer de perto as etapas da indústria, acompanhando a transformação de toras brutas em matéria-prima pronta para uso na construção civil, fabricação de móveis ou outros setores.
O Dia na Floresta 2026 contou com o apoio de diversas entidades, entre elas, a Sema, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec), Universidade Federal de Mato Grosso, Corpo de Bombeiros Militar, Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (AMEF) e vários sindicatos.
O governador Otaviano Pivetta inaugurou, nesta quinta-feira (25.6), o Centro de Inovação do Parque Tecnológico, em Várzea Grande, marcando mais uma entrega do Governo de Mato Grosso, que desde 2019, vem concluindo obras até então paralisadas. A construção do parque foi aguardada por mais de uma década.
Na solenidade, Otaviano Pivetta destacou que o Estado ganha um ambiente estruturado para integrar governo, universidades, centros de pesquisa, startups e setor produtivo em um ecossistema voltado à geração de conhecimento, desenvolvimento de soluções tecnológicas e atração de investimentos. Cerca de 50 empresas já manifestaram interesse em se instalar no espaço.
“O Parque Tecnológico é uma semente que estamos plantando para aproximar universidades, empresas e o setor produtivo, gerar inovação e preparar Mato Grosso para um novo ciclo de prosperidade”, afirmou.
Ele lembrou que o Estado saiu de uma realidade marcada pelo pioneirismo e pela ocupação produtiva para se tornar referência nacional na produção de alimentos. Para ele, o próximo passo é agregar tecnologia e inovação a esse desenvolvimento.
“Estamos criando um ambiente para desenvolver tecnologia, formar profissionais e transformar conhecimento em oportunidades e investimentos para Mato Grosso”, relatou.
O Centro de Inovação recebeu investimento aproximado de R$ 25 milhões e conta com 3.920 metros quadrados de área construída, distribuídos em três pavimentos, com laboratórios especializados, ambientes inteligentes e equipamentos de alta performance voltados à pesquisa, ao empreendedorismo e ao desenvolvimento de novas tecnologias.
Também participaram da inauguração a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti; o deputado estadual Fábio Tardin; o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho; a secretária de Estado de Comunicação, Laice Souza; o secretário-chefe de Gabinete do Governador, Eduardo Manciolli; o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Dimorvan Brescancin; o diretor do Parque Tecnológico de Mato Grosso, Rafael Bastos; o diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Finep, Carlos Aragão; a reitora da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Analy Polizel; o reitor em exercício do IFMT, Gilcélio Perez; o vice-reitor da Unemat, Alexandre Porto; o vice-reitor da Univag, Flávio Fogel; o coordenador de Pesquisa e do Programa de Capacitação Institucional (PCI) do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP), Jackson Resende; o presidente da Fapemat, Marcos de Sá; a diretora-presidente do Parque Tecnológico de Mato Grosso do Sul, Adriana Tozetti; o diretor-superintendente do Sebrae-MT, Lélio Brun; o presidente da Fiemt, Silvio Rangel; o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Emerson Máximo (Maninho); além de prefeitos, vereadores, secretários municipais e demais autoridades.
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