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Custos da produção de leite recuam em maio, mas queda no preço ao produtor reduz rentabilidade

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Os custos de produção da pecuária leiteira registraram alívio em maio de 2026, mas a melhora ainda não foi suficiente para recuperar a rentabilidade dos produtores. O Índice de Inflação para a Produção de Leite Cru (ILC) apresentou deflação de 0,72% no período, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O resultado foi influenciado principalmente pela redução dos preços dos combustíveis e dos fertilizantes, favorecida pela maior estabilidade do câmbio e pelo arrefecimento das tensões no Oriente Médio, fatores que reduziram a pressão sobre as cotações internacionais do petróleo.

Queda dos combustíveis e fertilizantes reduz custos

Entre os principais componentes do índice, os combustíveis e fertilizantes responderam pela maior parte da retração observada em maio.

No mercado de grãos, utilizado na alimentação do rebanho, o milho registrou leve alta de 0,2%, enquanto a soja apresentou queda de 2,8%, contribuindo para aliviar parte dos custos com a nutrição animal.

Apesar da deflação do índice geral, alguns itens importantes da atividade continuaram pressionando as despesas do produtor.

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A energia elétrica ficou 6,2% mais cara no mês, reflexo das mudanças nas faixas horárias de consumo e da adoção de bandeiras tarifárias mais elevadas. Já o sal mineral acumulou alta de 2,4%, impulsionado por dificuldades logísticas no Marrocos, que elevaram os custos do ácido fosfórico utilizado na produção.

Inflação acumulada ainda mostra estabilidade nos custos

No acumulado de 2026, o ILC registra inflação de 0,33%, indicando uma retomada moderada das pressões sobre os custos de produção após um período de deflação.

Na comparação dos últimos 12 meses, entretanto, o indicador ainda acumula queda de 0,8%, resultado influenciado principalmente pela redução de 9,2% nos preços da silagem e de 6,9% nos custos do concentrado utilizado na alimentação do rebanho.

Queda no preço do leite preocupa produtores

Embora parte dos custos tenha diminuído, o cenário econômico da atividade leiteira continua desafiador.

Segundo a Farsul, o preço pago ao produtor apresentou retração próxima de 9%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para leite e derivados acumulou alta de 3,3%.

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Esse descompasso entre o valor recebido na propriedade e os preços praticados ao consumidor final tem reduzido as margens operacionais e deteriorado as relações de troca, aumentando a preocupação dos produtores quanto à sustentabilidade econômica da atividade.

Expectativa é de inflação moderada em junho

Para junho, a projeção da entidade é de uma inflação moderada no Índice de Inflação para a Produção de Leite Cru.

A continuidade da queda das cotações internacionais do petróleo pode favorecer novas reduções nos preços dos combustíveis. No entanto, a possível valorização do dólar representa um fator de risco para os custos da atividade, ao pressionar novamente os preços dos fertilizantes, do sal mineral e dos grãos utilizados na alimentação dos animais.

Diante desse cenário, a rentabilidade da pecuária leiteira continuará dependendo do comportamento dos custos de produção e, principalmente, da recuperação dos preços pagos ao produtor nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Hidrogel e biochar aumentam eficiência da água na cajucultura do Semiárido e reduzem perdas na implantação dos pomares

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O uso de condicionadores de solo, como o hidrogel e o biochar (biocarvão), tem se mostrado uma estratégia eficiente para aumentar a produtividade da água na cajucultura do Semiárido brasileiro. Estudos conduzidos pela Embrapa Agroindústria Tropical apontam que essas tecnologias ajudam a reduzir os efeitos da escassez hídrica, especialmente durante a implantação dos pomares de cajueiro-anão, fase considerada uma das mais críticas para o sucesso da cultura.

Os resultados demonstram ganhos tanto na sobrevivência das mudas quanto na qualidade dos frutos, além de economia significativa no uso de água para irrigação.

Hidrogel garante 100% de sobrevivência das mudas e reduz custos com irrigação

Em um dos experimentos realizados com irrigação de salvação — prática utilizada para suprir as plantas durante períodos críticos de estiagem — o hidrogel apresentou resultados expressivos.

No cultivo do clone BRS 226 (Planalto), a aplicação do polímero hidrofílico proporcionou 100% de sobrevivência das mudas, utilizando apenas 55 litros de água por planta ao ano, volume muito inferior aos cerca de 25 litros por semana normalmente recomendados para a implantação dos pomares.

Com isso, os pesquisadores estimaram uma economia de aproximadamente 46% nos custos de irrigação, tornando a tecnologia uma alternativa viável para produtores que enfrentam limitações no acesso à água.

Segundo o pesquisador Rubens Sonsol, responsável pelos estudos, a elevada mortalidade das mudas representa um dos principais desafios econômicos da cajucultura no Semiárido.

“As mudas enxertadas sofrem grande estresse ao serem transferidas do viveiro para o campo. Em muitas propriedades, até metade das plantas pode ser perdida durante o primeiro ano, aumentando os custos com reposição e reduzindo a produtividade do pomar”, explica.

Biochar melhora retenção de água e aumenta a qualidade dos frutos

Outro condicionador avaliado foi o biochar, material produzido a partir da pirólise de resíduos orgânicos em ambiente com pouco ou nenhum oxigênio.

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Nos experimentos conduzidos em condições de sequeiro, a aplicação de quatro quilos por cova elevou a taxa de sobrevivência das mudas de 26% para 68%, comprovando sua eficiência na retenção de água e na disponibilização de nutrientes em solos arenosos, predominantes nas regiões produtoras de caju.

Além da fase inicial do cultivo, os pesquisadores também analisaram o desempenho do biochar em pomares irrigados já estabelecidos.

No clone BRS 226, os resultados mostraram aumento significativo no peso médio dos pedúnculos — a parte comercial do caju conhecida como maçã — além de melhoria nas características sensoriais dos frutos, que apresentaram maior teor de açúcares e menor acidez.

Esses ganhos ampliam o potencial de aproveitamento do clone para mercados de maior valor agregado, como os segmentos de sucos, doces e processamento industrial.

Resposta ao biochar varia conforme o clone de cajueiro

Um dos principais resultados das pesquisas é que a eficiência do biochar depende do material genético utilizado.

Enquanto o clone BRS 226 apresentou melhorias expressivas na qualidade e no tamanho dos pedúnculos, o clone CCP 76 praticamente não registrou alterações nesses parâmetros.

Segundo os pesquisadores, esse comportamento reforça a necessidade de recomendações técnicas específicas para cada clone, permitindo que os produtores adotem estratégias de manejo mais eficientes e economicamente viáveis.

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Tecnologia pode ser produzida na própria propriedade

Além dos benefícios agronômicos, o biochar apresenta uma importante vantagem econômica.

O material pode ser produzido na própria fazenda utilizando resíduos provenientes da poda dos cajueiros e fornos rústicos do tipo “caieira”, tecnologia de baixo custo e acessível tanto para pequenos quanto para grandes produtores.

Além de aumentar a retenção de água e nutrientes, o biochar também contribui para:

  • melhoria da fertilidade do solo;
  • aumento da atividade de microrganismos benéficos;
  • redução da acidez;
  • maior armazenamento de carbono no solo.
Condicionadores de solo fortalecem adaptação às mudanças climáticas

Os pesquisadores destacam que hidrogel e biochar representam importantes ferramentas para ampliar a resiliência da cajucultura diante das mudanças climáticas e da crescente irregularidade das chuvas no Semiárido.

Em uma região caracterizada por solos arenosos e baixa capacidade de retenção hídrica, essas tecnologias permitem maior eficiência no uso da água, reduzem perdas na implantação dos pomares e contribuem para uma produção mais sustentável.

Com a tendência de aumento dos eventos climáticos extremos, soluções que favoreçam o aproveitamento dos recursos hídricos deverão ganhar cada vez mais espaço entre os produtores de caju, fortalecendo a competitividade da cadeia produtiva e reduzindo os riscos associados à escassez de água.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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