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Preço dos fertilizantes sobe acima da inflação desde 2016 e ureia acumula alta real de 149%

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O custo dos fertilizantes continua sendo um dos principais desafios para o agronegócio brasileiro. Embora os preços internacionais tenham apresentado queda ao longo de 2026, os insumos permanecem muito acima dos níveis registrados em 2016, mesmo quando a comparação considera a inflação acumulada no período.

Levantamento baseado em dados do Banco Mundial mostra que a valorização dos principais fertilizantes superou com folga a inflação dos Estados Unidos, evidenciando um aumento real dos preços e ampliando a pressão sobre os custos de produção de culturas como soja, milho, café, algodão e cana-de-açúcar.

Ureia registra a maior alta real da década

Entre os fertilizantes analisados, a ureia foi o produto que apresentou a maior valorização em termos reais.

No segundo trimestre de 2026, a cotação média internacional atingiu US$ 693,50 por tonelada, frente aos US$ 199,30 registrados em 2016. Em valores nominais, a alta acumulada foi de 248%.

No entanto, ao corrigir os preços pela inflação norte-americana, utilizando como referência o Índice de Preços ao Consumidor (CPI-U), a ureia ainda apresenta valorização real de 149,2%, demonstrando que o aumento vai muito além da simples perda do poder de compra do dólar.

DAP, TSP e índice geral também superam a inflação

A elevação dos preços não se restringe à ureia.

Os dados mostram que o DAP (fosfato diamônico) acumula alta real de 57,5% desde 2016, enquanto o TSP (superfosfato triplo) registra avanço de 73,2% acima da inflação.

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Já o índice internacional de fertilizantes calculado pelo Banco Mundial apresenta crescimento real de 79% no período.

O cloreto de potássio teve comportamento mais moderado, mas ainda assim permaneceu acima da inflação, acumulando valorização real de 17,5%.

Inflação não explica sozinha o aumento dos fertilizantes

Para comparar corretamente a evolução dos preços ao longo do tempo, é necessário eliminar o efeito da inflação.

O cálculo considera o índice CPI-U dos Estados Unidos, cuja média passou de aproximadamente 240 pontos em 2016 para 335,1 pontos em maio de 2026, representando inflação acumulada de cerca de 39,6% no período.

Mesmo após esse ajuste, todos os principais fertilizantes permanecem acima do nível que seria esperado apenas pela desvalorização da moeda, indicando um aumento efetivo do custo internacional desses insumos.

Alta dos fertilizantes pesa diretamente no custo de produção

O impacto dessa valorização é significativo para o produtor rural.

Os fertilizantes representam uma das maiores despesas do custeio agrícola e exercem influência direta sobre a rentabilidade das principais culturas brasileiras.

Quando os preços dos insumos avançam acima da inflação, o produtor precisa buscar alternativas para preservar a margem financeira, como:

  • aumento da produtividade;
  • obtenção de melhores preços de comercialização;
  • redução da margem de lucro;
  • revisão dos investimentos em tecnologia e manejo.

Nenhuma dessas estratégias ocorre sem impactos sobre a atividade agrícola.

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Banco Mundial alerta para diferenças metodológicas nas séries históricas

Os dados utilizados têm como base as séries internacionais de referência do Banco Mundial e refletem a tendência global dos preços dos fertilizantes.

A instituição ressalta, entretanto, que algumas metodologias foram atualizadas ao longo dos anos.

No caso do cloreto de potássio, por exemplo, a referência internacional passou a considerar, a partir de 2020, a cotação spot granular CFR Brasil. Em 2016, a base utilizada era diferente.

Por esse motivo, os indicadores representam uma referência da evolução dos preços internacionais e não necessariamente o valor efetivamente pago pelo produtor rural brasileiro na propriedade.

Queda recente ainda não devolve preços aos níveis históricos

Apesar do cenário de alívio observado em 2026, os fertilizantes continuam operando em patamares historicamente elevados.

Em junho, o Banco Mundial registrou recuo de 21,8% no índice internacional de fertilizantes em relação aos níveis anteriores. Ainda assim, o indicador encerrou o mês em 156,1 pontos, mais que o dobro da média de 75,3 pontos observada em 2016.

O cenário reforça que, embora a pressão sobre os custos tenha diminuído nos últimos meses, os fertilizantes permanecem significativamente mais caros em termos reais, mantendo o desafio de gestão de custos para os produtores rurais brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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