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Crédito privado avança e CPR supera R$ 600 bilhões no início da safra

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A restrição do crédito bancário está levando uma parcela crescente do agronegócio ao mercado privado para financiar o plantio, antecipar receitas e manter o fluxo de caixa. No começo da safra 2026/27, o estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) alcançou R$ 600,3 bilhões, enquanto as linhas tradicionais atendem uma área menor e chegam ao produtor com juros elevados e critérios mais rigorosos.

A mudança aparece nos primeiros meses da temporada. Entre julho e agosto, foram registradas R$ 62,5 bilhões em novas CPRs, valor correspondente a pouco mais de 10% de todo o estoque do instrumento. Os dados constam do Boletim de Finanças do Agro, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O avanço ocorre em um momento de perda de espaço do financiamento convencional. Em 12 meses, a área atendida pelas linhas tradicionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares. O volume de crédito rural contratado sem considerar títulos como as CPRs recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões.

A CPR permite ao produtor obter recursos antes da colheita e assumir o compromisso de entregar o produto ou liquidar financeiramente a operação no vencimento. O título pode ser negociado com bancos, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e investidores, o que amplia as possibilidades de captação fora do crédito rural oficial.

O estoque de agosto estava distribuído entre 359 mil títulos, com valor médio de R$ 1,67 milhão por cédula. O dado revela a capacidade alcançada pelo instrumento, mas também indica que boa parte desse mercado está ligada a operações de maior porte. O número de títulos não corresponde necessariamente à quantidade de produtores atendidos, pois um mesmo emissor pode registrar várias CPRs.

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Para propriedades menores, o acesso costuma depender da intermediação de cooperativas, revendas, cerealistas e outras empresas da cadeia. Essas organizações reúnem operações, avaliam o risco e aproximam produtores de fontes de capital às quais dificilmente teriam acesso individualmente.

A expansão representa uma alternativa para quem não consegue contratar todo o custeio necessário nos bancos. Também permite ajustar vencimentos ao calendário de comercialização e utilizar contratos de venda, estoques, recebíveis ou a própria produção como parte das garantias.

A maior disponibilidade de recursos, entretanto, não significa necessariamente financiamento mais barato. O custo pode incluir juros, descontos sobre o preço do produto, taxas de registro, garantias, seguros e cláusulas vinculadas à quantidade ou ao valor da produção. A comparação com o crédito oficial precisa considerar todas essas despesas.

Nas CPRs com liquidação física, o produtor assume o compromisso de entregar uma quantidade determinada do produto. Se houver quebra de safra, poderá precisar comprar grãos no mercado para cumprir o contrato ou negociar novas condições com o credor. Nas CPRs financeiras, o risco está no valor a ser pago e nos critérios de atualização definidos na emissão.

O crescimento do mercado privado também é sustentado pelas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), que encerraram agosto com estoque de R$ 561,29 bilhões. Esses títulos são emitidos pelas instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e direcionar parte dos recursos ao setor agropecuário.

Pelas regras do Manual de Crédito Rural, ao menos 60% do estoque das LCAs deve financiar o agronegócio. Sobre o volume de agosto, a exigência representa R$ 336,77 bilhões. Dentro dessa destinação, pelo menos R$ 151,55 bilhões devem ser aplicados em operações do crédito rural oficial.

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O mercado inclui ainda os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), com estoque de R$ 174,95 bilhões em julho, e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs), com R$ 30,62 bilhões. Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) reuniam patrimônio líquido de R$ 65,78 bilhões em 291 fundos.

Esses valores não podem ser simplesmente somados para calcular quanto dinheiro chegou ao campo. Parte dos recursos captados por LCAs e fundos pode financiar CPRs ou recebíveis que já aparecem nas estatísticas de outros instrumentos. Os estoques também incluem contratos de safras anteriores que ainda não venceram.

O conjunto dos dados confirma, porém, uma mudança no financiamento da produção. O modelo passa a combinar crédito oficial, recursos bancários, cooperativas, empresas do setor e mercado de capitais. Para o produtor, isso amplia as alternativas, mas exige maior controle sobre custos, garantias e compromissos assumidos sobre a produção futura.

A CPR acima de R$ 600 bilhões mostra que o capital privado já ocupa uma posição central no agronegócio. O desafio agora é fazer com que essa expansão alcance produtores de diferentes portes e ofereça recursos com prazos e custos compatíveis com uma atividade sujeita a clima, oscilações de preços e ciclos longos de produção.

Fonte: Pensar Agro

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Um terço dos produtores rurais brasileiros já utiliza IA; veja como aplicar na sua propriedade

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A inteligência artificial já está presente em 32% das empresas, cooperativas e propriedades rurais consultadas em levantamento com profissionais do agronegócio. A tecnologia começa a sair dos escritórios e chegar às decisões de plantio, irrigação, aplicação de insumos, controle de pragas, manutenção de máquinas, pecuária e comercialização.

O percentual não permite concluir que o Brasil esteja atrasado. A pesquisa ouviu 197 profissionais e não possui abrangência suficiente para representar todo o setor. Além disso, ainda não existe uma estatística internacional padronizada que permita comparar diretamente o uso de inteligência artificial nas propriedades de diferentes países.

O conceito também varia entre os levantamentos. Algumas pesquisas consideram apenas sistemas que aprendem com dados e produzem previsões. Outras incluem agricultura de precisão, sensores, drones, imagens de satélite, pilotos automáticos e plataformas digitais, mesmo quando essas ferramentas não utilizam inteligência artificial em todas as suas funções.

Uma pesquisa internacional realizada com cerca de 4,4 mil produtores de nove países ajuda a dimensionar a digitalização do campo. Nos Estados Unidos, 61% dos entrevistados utilizavam soluções de agronomia digital, 51% adotavam equipamentos de agricultura de precisão e 38% empregavam sensoriamento remoto. Na América Latina, 49% usavam ferramentas digitais para acompanhar a produtividade.

O mesmo levantamento apontou que 75% dos produtores latino-americanos consultados utilizavam controladores de seção em pulverizadores, ante 78% na América do Norte e 49% na União Europeia. Esses equipamentos evitam sobreposição durante a aplicação, mas não devem ser classificados automaticamente como inteligência artificial.

Diante dessas diferenças, os 32% registrados no levantamento brasileiro indicam uma adoção relevante, embora ainda concentrada. Outros 56% dos participantes afirmaram não utilizar IA e 12% não souberam responder. Parte desses últimos pode empregar sistemas com inteligência artificial embarcada sem identificar a tecnologia pelo nome.

Na prática, a IA funciona a partir da coleta e da comparação de informações. Sensores, máquinas, estações meteorológicas, câmeras, drones, satélites e sistemas de gestão geram dados sobre solo, clima, plantas, animais, equipamentos, custos e produtividade. Os programas procuram padrões nesse conjunto e transformam as informações em alertas, previsões ou recomendações.

Uma câmera instalada numa máquina, por exemplo, pode registrar milhares de imagens enquanto percorre a lavoura. O sistema compara as plantas fotografadas com exemplos usados em seu treinamento, diferencia a cultura das invasoras e indica onde o herbicida deve ser aplicado. Em equipamentos compatíveis, o acionamento pode ocorrer automaticamente e apenas no ponto necessário.

Na irrigação, imagens térmicas e sensores permitem acompanhar a temperatura das folhas, a umidade do solo e as condições atmosféricas. Plantas submetidas à falta de água apresentam mudanças que podem ser reconhecidas pelo sistema antes que o estresse seja facilmente percebido a olho nu. A informação ajuda a definir quais áreas precisam ser irrigadas e em que quantidade.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) participa do desenvolvimento de uma tecnologia que analisa a temperatura das folhas para identificar a necessidade de água. A aplicação busca evitar tanto a deficiência hídrica quanto o desperdício provocado pela irrigação uniforme de talhões com condições diferentes.

No manejo de pragas, câmeras e armadilhas eletrônicas podem reconhecer insetos, contar ocorrências e transmitir alertas. Um sistema desenvolvido para o bicudo-do-algodoeiro identifica os exemplares capturados e envia os dados para um aplicativo. Dessa forma, o acompanhamento deixa de depender apenas da visita manual a cada armadilha.

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A análise de imagens de satélite ou drones também permite localizar falhas de plantio, manchas com desenvolvimento irregular, erosão, deficiência nutricional e possíveis focos de doenças. O produtor recebe um mapa das áreas que precisam ser vistoriadas, reduzindo o tempo gasto para encontrar problemas em grandes extensões.

Na aplicação de sementes e fertilizantes, a inteligência artificial pode cruzar mapas de solo, relevo, produtividade e histórico de manejo. A partir desses dados, divide a propriedade em zonas e ajuda a calcular taxas diferentes dentro do mesmo talhão. O objetivo é evitar desperdício nas áreas de menor resposta e aproveitar melhor o potencial das mais produtivas.

Durante a safra, modelos computacionais podem combinar área cultivada, desenvolvimento das plantas, clima e histórico de produtividade para estimar o volume que deverá ser colhido. A previsão melhora o planejamento de máquinas, trabalhadores, fretes, armazéns e contratos de venda.

A tecnologia também pode acompanhar tratores, colheitadeiras e pulverizadores. Informações sobre consumo de combustível, temperatura, pressão, vibração e desempenho dos componentes ajudam a identificar alterações que costumam anteceder uma falha. A manutenção pode ser programada antes que a máquina pare durante uma janela curta de operação.

Na pecuária, câmeras e sensores acompanham peso, deslocamento, alimentação e comportamento dos animais. Mudanças de padrão podem sinalizar problemas sanitários, reprodutivos ou nutricionais. Sistemas de visão computacional também são testados para estimar o desenvolvimento dos bovinos e auxiliar na definição do momento de abate.

A IA pode ser utilizada mesmo sem máquinas sofisticadas. Plataformas de gestão conseguem organizar notas fiscais, custos, estoques, aplicações, contratos e resultados por talhão. Ao reunir essas informações, o sistema pode apontar quais áreas apresentam maior custo, onde a produtividade está abaixo do histórico e quais despesas aumentaram entre uma safra e outra.

Ferramentas de inteligência artificial generativa também podem ajudar a resumir contratos, comparar orçamentos, elaborar relatórios e organizar informações administrativas. Elas não devem, contudo, ser utilizadas isoladamente para definir dosagens, diagnosticar doenças ou recomendar defensivos. Esses sistemas podem produzir respostas erradas com aparência convincente.

A confiabilidade depende da qualidade dos dados. Sensores descalibrados, mapas incompletos e registros financeiros incorretos levam a análises igualmente ruins. A recomendação precisa ser conferida no campo e validada pelo produtor ou por profissional habilitado antes de se transformar em uma decisão agronômica.

O custo permanece entre as principais barreiras, mas adotar IA não exige necessariamente comprar drones, servidores ou robôs. Cooperativas, consultorias e empresas de assistência técnica podem fornecer imagens, mapas e análises como serviço. Em outros casos, a inteligência já está incorporada a máquinas, aplicativos e plataformas utilizados na propriedade.

O melhor ponto de partida é escolher um problema mensurável. O produtor pode testar a tecnologia para reduzir consumo de água, localizar plantas daninhas, prever manutenção, controlar combustível ou organizar custos. A comparação entre uma área assistida e o manejo anterior permite verificar se a economia ou o ganho de produtividade paga o investimento.

A inteligência artificial não substitui a experiência do produtor nem a responsabilidade técnica. Sua vantagem é processar rapidamente milhares de informações e apontar situações que merecem atenção. Quando resolve um problema concreto e entrega retorno comprovável, deixa de ser uma promessa distante e passa a funcionar como mais uma ferramenta de gestão da propriedade.

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SERVIÇO

O produtor não precisa comprar um drone, trocar o maquinário nem contratar um sistema caro para começar. O primeiro passo é escolher um problema específico da propriedade, como consumo elevado de combustível, desperdício de água, falhas na aplicação, dificuldade para localizar pragas ou falta de controle dos custos.

Verifique o que já está disponível

Tratores, colheitadeiras, pulverizadores, ordenhadeiras e sistemas de irrigação mais recentes podem gerar dados e oferecer recursos de automação ou inteligência artificial que não estão sendo utilizados. O produtor deve consultar o fabricante, a concessionária ou a assistência técnica para saber quais funções estão incluídas no equipamento.

Organize os dados da propriedade

A inteligência artificial depende de informações confiáveis. Mapas de produtividade, análises de solo, registros de aplicação, consumo de combustível, chuvas, custos, manutenção, mortalidade e desempenho dos animais podem alimentar os sistemas. Quanto melhor o histórico, mais úteis tendem a ser as análises.

Procure assistência técnica

Cooperativas, sindicatos rurais, empresas estaduais de extensão, unidades do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), consultores e profissionais das ciências agrárias podem ajudar a identificar aplicações adequadas. Muitas soluções são oferecidas como serviço, sem a necessidade de o produtor comprar sensores, drones ou programas.

Comece por uma área pequena

A recomendação é testar a ferramenta em um talhão, pivô, lote de animais ou conjunto de máquinas. O resultado deve ser comparado com o manejo anterior, considerando economia de insumos, ganho de produtividade, redução de perdas, horas de trabalho e custo da tecnologia.

Calcule o retorno

Antes de contratar, o produtor deve somar mensalidades, instalação, equipamentos, treinamento, manutenção e conectividade. A economia ou receita adicional precisa superar esses gastos em prazo compatível com a propriedade. Promessas de resultado sem demonstração em condições semelhantes merecem cautela.

Confira o contrato e a proteção dos dados

É importante saber quem poderá acessar as informações da propriedade, onde elas serão armazenadas e se poderão ser compartilhadas com terceiros. O contrato também deve informar como o produtor recupera seus dados caso decida trocar de fornecedor.

Valide as recomendações

Alertas produzidos por inteligência artificial devem ser conferidos no campo. Diagnósticos de doenças, doses de produtos, aplicações de defensivos e decisões sanitárias precisam respeitar a legislação, as bulas e a orientação de profissionais habilitados.

Onde aprender

O Senar Play oferece gratuitamente a trilha “Inteligência Artificial aplicada ao agro”, além do curso “Inteligência Artificial no Campo”, com 20 horas, aulas on-line e início imediato. A plataforma também mantém cursos de agropecuária digital, agricultura de precisão, sensores e mapeamento.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) disponibiliza capacitações pela plataforma E-Campo e conteúdos de assistência técnica no Ater+ Digital. Cooperativas, sindicatos e administrações regionais do Senar também podem informar sobre treinamentos presenciais e assistência disponível em cada Estado.

Ferramentas de IA generativa podem ser usadas para organizar planilhas, comparar orçamentos, resumir documentos e preparar relatórios. Informações financeiras, contratos, documentos pessoais e dados estratégicos da propriedade, entretanto, não devem ser inseridos em plataformas públicas sem a verificação das regras de privacidade.

Fonte: Pensar Agro

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