Agro News

Abertura do plantio da soja vai debater alimentos, biocombustíveis e energia

Publicado

A Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 será realizada em 17 de setembro, na Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte (430 km da capital, Cuiabá), em Mato Grosso. As inscrições estão abertas para produtores, técnicos, gestores e representantes da cadeia produtiva.

A cerimônia simboliza o começo da nova temporada do Projeto Soja Brasil e terá como tema “A verticalização da soja na produção de alimentos e energia”. A proposta é discutir como o produtor pode avançar além da venda do grão e participar de outras etapas da cadeia.

A verticalização pode envolver o processamento da soja para a produção de farelo, óleo, rações, alimentos, biodiesel e outras fontes energéticas. A estratégia amplia as possibilidades de comercialização e pode reduzir a dependência do produtor das oscilações do mercado de grãos, embora exija capital, escala, conhecimento técnico e acesso a consumidores.

O debate ganha espaço em um momento no qual diferentes regiões produtoras recebem investimentos em usinas de biodiesel, fábricas de ração, esmagadoras e projetos de geração de energia. A integração dessas atividades também pode favorecer o aproveitamento de resíduos e a instalação de indústrias mais próximas das áreas de produção.

Leia mais:  Ministro André de Paula se reúne com presidente da Sociedade Rural Brasileira para fortalecer diálogo com o setor

A programação terá palestras, debates técnicos e demonstrações de máquinas no campo. O plantio simbólico marcará a abertura nacional da safra, mas a entrada efetiva das máquinas nas lavouras continuará condicionada ao calendário sanitário e às condições de umidade do solo em cada região.

O evento poderá ser acompanhado presencialmente ou pela transmissão da emissora e de suas plataformas digitais.

Serviço

Evento: Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27
Data: 17 de setembro
Local: Fazenda Horizontina, Ipiranga do Norte (MT)
Participação: inscrição antecipada pelo site do Projeto Soja Brasil
Transmissão: TV e plataformas digitais do Canal Rural.

Fonte: Pensar Agro

publicidade

Agro News

Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

Publicado

A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

Leia mais:  EUA Aumentam Tarifas de Importação e Tensionam Relações com Principais Parceiros Comerciais

A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

Leia mais:  Milho enfrenta fim de ano com liquidez reduzida e pressão internacional em meio a recuo nas exportações

Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

Mais Lidas da Semana