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Açúcar recua globalmente, mas etanol e exportações brasileiras seguem em alta

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Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE Futures de Nova York operaram em queda nesta terça-feira (18), pressionados pelo relatório da Organização Internacional do Açúcar (ISO), que apontou um excedente mundial de 1,625 milhão de toneladas para a temporada 2025/26.

O contrato mais negociado, março/26, encerrou a sessão a 14,70 cents de dólar por libra-peso, recuo de 10 pontos em relação à segunda-feira. Já o lote de maio/26 caiu 12 pontos, sendo negociado a 14,24 cents/lb. Segundo analistas da Barchart, o excedente global é impulsionado pela alta produção na Índia, Tailândia e Paquistão, contrariando a previsão anterior de déficit de 231 mil toneladas para o ano comercial. A ISO projeta um aumento de 3,2% na produção mundial, totalizando 181,8 milhões de toneladas em 2025/26.

Em Londres, o açúcar branco apresentou leve alta de US$ 2,10 por tonelada, ou 0,5%, impulsionada pela possibilidade de aumento no preço do etanol na Índia, o que pode direcionar mais cana para biocombustível em vez de açúcar.

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Mercado doméstico: açúcar e etanol sob valorização

No Brasil, o mercado interno também registrou valorização. Segundo o Indicador Cepea/Esalq, a saca de 50 quilos de açúcar cristal subiu para R$ 107,16, contra R$ 106,25 na segunda-feira, representando alta de 0,86% e interrompendo quatro quedas consecutivas do indicador.

O etanol hidratado manteve o movimento de valorização pelo quarto dia consecutivo, negociado em R$ 2.951,00/m³, frente a R$ 2.946,50/m³ do dia anterior, segundo o Indicador Diário Paulínia.

Mercado internacional reage e contratos de açúcar voltam a subir

Após recuar nos últimos dias, o açúcar em Nova Iorque voltou a registrar ganhos nesta quarta-feira (19). O contrato março/26 subiu 1,84% para 14,97 cents/lb, enquanto maio/26 e julho/26 avançaram 1,90% e 1,69%, respectivamente. Em Londres, o contrato março/26 atingiu US$ 428,00 por tonelada, alta de 1,86%.

O mercado acompanha de perto as decisões da Índia sobre exportações de seu excedente. Apesar de expectativas por liberação de 2 milhões de toneladas, o governo autorizou apenas 1,5 milhão, mantendo estímulos à produção de etanol, o que tende a reduzir a oferta internacional de açúcar.

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China impulsiona demanda e reforça estoques de açúcar brasileiro

Segundo a Reuters, a China aumentou suas importações de açúcar em 39% em outubro, somando 750 mil toneladas, elevando o acumulado do ano para 3,9 milhões de toneladas, 14% acima do registrado em 2024. O país aproveita os preços baixos, que recentemente atingiram mínimas de cinco anos em Nova York, para reforçar os estoques.

O Brasil, maior produtor e exportador global, tem se beneficiado da demanda chinesa. Em setembro, 359 mil toneladas de açúcar brasileiro foram enviadas à China, e em outubro o volume total exportado pelo país chegou a 4,2 milhões de toneladas, das quais 619,35 mil toneladas tiveram como destino a China, um aumento de 58% em relação ao mesmo mês de 2024.

A participação chinesa consolida o país como principal comprador do açúcar brasileiro, sustentando a receita e movimentando o mercado internacional neste final de ano.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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