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Açúcar recua nas bolsas internacionais diante de oferta elevada e pressão de fundos

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O mercado internacional de açúcar segue em trajetória de queda nesta semana, refletindo a combinação de aumento da produção no Brasil, perspectivas positivas para as safras da Índia e da Tailândia e a atuação mais intensa dos fundos de investimento. O cenário mantém investidores cautelosos, com os contratos futuros renovando mínimas recentes em Nova York e Londres.

Queda nas bolsas internacionais

Na ICE Futures, em Nova York, os contratos do açúcar bruto encerraram em baixa. O vencimento para outubro/2025 caiu para 16,03 centavos de dólar por libra-peso, enquanto março/2026 fechou a 16,65 centavos. Já nesta quinta-feira (4), os preços renovaram perdas: outubro/2025 recuou 0,87%, a 15,89 centavos, e março/2026 caiu 0,90%, a 16,50 centavos — a menor cotação em quase quatro semanas.

Na ICE Europe, em Londres, o açúcar branco também acompanhou a tendência negativa. O contrato para outubro/2025 foi negociado a US$ 481,80 por tonelada, baixa de 0,54%. Já dezembro/2025 recuou para US$ 468,00 por tonelada.

Produção no Brasil pressiona cotações

Segundo a Unica, a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil atingiu 3,615 milhões de toneladas na primeira quinzena de agosto, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, a proporção de cana destinada ao açúcar cresceu de 49,15% para 55%.

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Apesar desse aumento recente, o acumulado da safra até meados de agosto soma 22,886 milhões de toneladas, uma queda de 4,7% frente ao ciclo anterior. A perspectiva de oferta robusta continua limitando a recuperação dos preços internacionais.

Expectativas globais e incertezas do mercado

O mercado segue atento ao fim da safra brasileira e ao início da colheita na Índia e na Tailândia. As condições climáticas nesses países são favoráveis, com boas chuvas sustentando projeções otimistas de produção.

De acordo com o consultor Leonardo Silvestre, mesmo com indicadores de ATR e TCH abaixo do registrado no último ciclo, muitas usinas brasileiras continuam colocando grandes volumes de açúcar no mercado. “Os fundos têm aproveitado o momento para pressionar os preços e se beneficiar das usinas que deixaram as vendas para o fim da safra”, observa.

Açúcar e etanol no mercado interno

No Brasil, o açúcar cristal registrou queda de 0,99%, segundo o Indicador Cepea/Esalq (USP), com a saca de 50 quilos cotada a R$ 117,81.

Já o etanol hidratado teve leve alta de 0,12%, de acordo com o Indicador Diário Paulínia, sendo negociado a R$ 2.887,00 por metro cúbico nas usinas.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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