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Agro digital transforma mercado de trabalho e amplia demanda por profissionais híbridos no Brasil

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A crescente digitalização do agronegócio brasileiro está redefinindo o perfil dos profissionais exigidos pelo setor. Em um cenário no qual o agro pode representar cerca de 29,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025, segundo levantamento do Cepea/Esalq-USP em parceria com a CNA, aumenta a demanda por talentos capazes de integrar conhecimento técnico em Ciências Agrárias com competências em dados, ESG, geotecnologias e análise estratégica de mercado.

Agro digital impulsiona demanda por profissionais híbridos

O avanço tecnológico no campo tem ampliado a necessidade de profissionais com perfil híbrido, que combinem formação em áreas como Agronomia e Engenharia com habilidades em ciência de dados e ferramentas digitais.

Apesar de o Brasil ultrapassar a marca de 10 milhões de estudantes no ensino superior, de acordo com o Censo da Educação Superior 2024 (Inep/MEC), os cursos ligados às Ciências Agrárias ainda registram menor volume de matrículas em comparação a áreas tradicionais. Ainda assim, o setor vive uma transformação estrutural que aumenta a relevância dessa formação, especialmente quando associada a competências digitais.

RH do agro enfrenta desafio de formação e qualificação

Para a gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, Fernanda Guglielmi, o principal desafio das empresas do setor vai além da contratação.

“O agro digital está exigindo um perfil que combina formação técnica sólida com domínio de dados e visão estratégica. O mercado ainda forma esses profissionais de maneira mais segmentada, então parte do nosso trabalho é complementar essa formação internamente”, afirma.

Segundo ela, a empresa tem intensificado a busca por talentos em universidades com foco em Ciências Agrárias e Engenharia. “Nem sempre encontramos o perfil completo pronto. Por isso, investimos na capacitação contínua e no desenvolvimento de competências analíticas e digitais dentro das equipes”, explica.

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Geoprocessamento e dados ampliam atuação no agronegócio

A transformação digital também se reflete na estrutura das empresas do setor. A incorporação da Agrosatélite pela Serasa Experian ampliou a atuação em geoprocessamento aplicado ao agronegócio, com uso de imagens de satélite e análise espacial para mapeamento de culturas, propriedades e uso do solo.

Essas tecnologias apoiam decisões de crédito, planejamento, avaliação de riscos e monitoramento de critérios socioambientais, cada vez mais exigidos pelo mercado.

Profissional de Agronomia ganha espaço em áreas de tecnologia

Nesse novo contexto, profissionais formados em Agronomia passam a ocupar posições que combinam conhecimento técnico e análise de dados. Um exemplo é o de Gabriel Ferro, Analista de Geoprocessamento Júnior na equipe de Maps Generation da vertical de Agronegócio da Serasa Experian.

Formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ele atua na interpretação de imagens, mapeamento e geração de dados sobre culturas agrícolas no Brasil e no exterior.

Formação multidisciplinar é diferencial no agro digital

Durante o período de formação, Gabriel avaliou diferentes caminhos até escolher a Agronomia. Segundo ele, a decisão foi influenciada pela amplitude da área.

“A Agronomia me chamou atenção pela forma como solo, clima, planta e manejo estão conectados e influenciam diretamente a produtividade. Essa visão sistêmica fez sentido para mim”, afirma.

Hoje, sua rotina envolve análise de imagens, cruzamento de informações agronômicas e organização de dados que apoiam decisões estratégicas no setor. “Entender o campo contribui diretamente para a consistência dos dados finais”, explica.

Mercado de trabalho no agro aponta crescimento de funções analíticas

A integração entre produção agrícola, tecnologia e análise de dados já impacta diretamente o mercado de trabalho. Um levantamento do LinkedIn, o relatório “Empregos em Alta 2026”, aponta cargos ligados à ciência agrária e análise de dados entre os que mais cresceram no Brasil nos últimos anos.

Para a Serasa Experian, esse cenário exige atualização constante das estratégias de recrutamento e desenvolvimento. “Estamos falando de um profissional que transita entre campo, tecnologia e estratégia. Essa combinação amplia a capacidade das empresas de tomar decisões mais precisas e sustentáveis”, destaca Fernanda Guglielmi.

Tecnologia no campo acelera transformação da agricultura digital

Segundo diretrizes da Embrapa, tecnologias como sensores conectados, drones e imagens de satélite já fazem parte da rotina produtiva no campo. Essas ferramentas também são fundamentais para análises de risco territorial e avaliação de critérios socioambientais no crédito rural.

Para profissionais da área, a atualização contínua é essencial. “Buscar cursos complementares e acompanhar as diferentes frentes do agro é fundamental. O conhecimento técnico e prático se soma ao longo da carreira”, afirma Gabriel.

Serasa Experian reforça liderança em inovação e inteligência de dados

Com mais de 5,2 mil colaboradores no Brasil, a Serasa Experian atua em soluções de inteligência para análise de riscos e oportunidades em diversos setores da economia.

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A empresa foi novamente certificada pelo Great Place to Work (GPTW) em 2025 e reconhecida em rankings como Best Internship Experiences (BIE) e Employers For Youth (EFY).

No cenário global, a Experian opera em mais de 30 países e figura entre as “World’s Best Workplaces™”, além de receber prêmios de inovação como o “Prêmio Valor Inovação” e integrar a lista das “100 Empresas Mais Inovadoras no Uso de TI”, do IT Forum.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Paraná amplia área de milho e pode registrar safra histórica na segunda safra de 2026

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O Paraná registra forte expansão na área destinada ao milho na primeira safra de 2025/26, com crescimento de 31% em relação ao ciclo anterior. O avanço consolida o cereal como uma das principais culturas do Estado e reforça a expectativa de uma segunda safra recorde, com potencial de ultrapassar 21 milhões de toneladas somando os dois ciclos.

Os dados são do relatório mensal de safra do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e refletem mudanças importantes no comportamento do produtor diante do cenário de mercado.

Milho ganha espaço com preços mais estáveis e menor atratividade da soja

Na primeira safra, o milho ocupou 364,9 mil hectares no Paraná, contra 278,3 mil hectares registrados no ciclo anterior. O crescimento foi atribuído principalmente à maior estabilidade dos preços do cereal em comparação à soja, que enfrentou menor atratividade comercial no período.

Segundo técnicos do Deral, o cenário de preços levou muitos produtores a migrarem para o milho, que apresenta maior previsibilidade de produtividade e retorno em relação à oleaginosa em determinados momentos do mercado.

A produção da primeira safra superou 4 milhões de toneladas, reforçando o peso da cultura no planejamento agrícola estadual.

Segunda safra de milho deve ser a maior da história no Paraná

A segunda safra de milho também registra avanço expressivo, com 2,9 milhões de hectares cultivados, alta de 7% em relação ao ciclo anterior e maior área já registrada no estado.

A expansão ocorreu, principalmente, sobre áreas tradicionalmente ocupadas pelo trigo, refletindo o fortalecimento do cereal no sistema produtivo paranaense.

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A projeção do Deral indica que, em condições climáticas normais, a produção da segunda safra pode superar 17,5 milhões de toneladas. Somadas as duas safras, o Paraná pode ultrapassar a marca de 21 milhões de toneladas de milho em 2026.

Clima e geadas ainda são fatores de atenção

Apesar do cenário positivo, o desempenho da segunda safra depende das condições climáticas nos próximos meses. Geadas recentes causaram impactos pontuais em regiões do Sul do estado, sem comprometimento relevante para a cultura do milho, segundo técnicos.

A preocupação agora se concentra na possibilidade de novos eventos climáticos nas próximas semanas, que podem interferir no potencial produtivo das lavouras em fase de definição.

Trigo mantém bom desenvolvimento no campo paranaense

A cultura do trigo apresenta bom desempenho no Paraná, com mais de 61% da área já semeada. A estimativa total para a safra 2026 é de 722 mil hectares, com produção projetada em 2,4 milhões de toneladas.

De acordo com técnicos do Deral, as condições climáticas do inverno tendem a ser influenciadas por um possível El Niño mais intenso no segundo semestre, o que pode resultar em temperaturas mais amenas e maior volume de chuvas, favorecendo tanto o trigo quanto o planejamento da próxima safra de verão.

Batata registra queda e clima impacta colheita da segunda safra

A primeira safra de batata foi concluída com redução de área e produção em comparação ao ciclo anterior. Já a segunda safra enfrenta dificuldades devido ao excesso de chuvas, que prejudicou o ritmo de colheita.

A produção estimada recuou cerca de 2%, enquanto a produtividade apresentou queda de 6%, segundo o Deral.

Cebola tem retração de área, mas produtividade avança com tecnologia

A área cultivada com cebola segue em queda no Paraná, refletindo o cenário nacional de excesso de produção nos últimos anos e pressão sobre os preços ao produtor.

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Para a safra 2026/27, já foram plantados 212 hectares, o equivalente a 9% da área prevista de 2,4 mil hectares. A produção estimada é de 93,3 mil toneladas, com início de colheita previsto para outubro, dependendo das condições climáticas.

Apesar da retração na área, a cultura apresenta forte avanço tecnológico. O uso de híbridos, semeadura direta e irrigação elevou a produtividade de 26.092 kg/ha em 2018 para 39.075 kg/ha na safra atual.

O Paraná respondeu por 5,6% da produção nacional de cebolas em 2024, ocupando a sétima posição entre os estados produtores, com destaque para as regiões de Guarapuava, Irati e Curitiba.

Leite e avicultura mostram desempenho positivo no boletim do Deral

O boletim semanal do Deral aponta valorização na cadeia do leite no Paraná, impulsionada pela redução na captação industrial. O preço do leite cru pago ao produtor registrou alta de 13% em relação à média de abril, refletindo maior equilíbrio entre oferta e demanda.

Na avicultura, o Paraná mantém liderança absoluta nas exportações brasileiras. No primeiro quadrimestre, o estado embarcou 791,1 mil toneladas de carne de frango, com faturamento de US$ 1,43 bilhão.

O desempenho representa crescimento no volume exportado e aumento da receita, sustentado principalmente pela forte demanda de mercados como China e Japão, que seguem como principais destinos da proteína paranaense.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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