Agro News

Agro paulista alcança retorno de R$ 19,5 para cada R$ 1 investido em pesquisa científica

Publicado

Investimentos em pesquisa do agro paulista geram grandes retornos

As sete unidades de pesquisa vinculadas à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), responsável por coordenar as atividades científicas da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, aplicaram R$ 1,15 bilhão em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) no triênio 2022-2024.

De acordo com a Apta, os recursos investidos resultaram em R$ 22,5 bilhões em benefícios econômicos, sociais e ambientais — ou seja, para cada R$ 1 investido, o retorno foi de R$ 19,5.

Áreas de pesquisa abrangem genética, clima e processamento de alimentos

As ações científicas coordenadas pela Apta abrangem desde o desenvolvimento de material genético mais produtivo e resistente a pragas e variações climáticas, até aprimoramentos no processamento de alimentos, com foco em segurança nutricional.

Segundo o balanço social da agência, 49 tecnologias foram avaliadas no período, das quais 3 em cada 4 apresentaram impacto social e 2 em cada 3 tiveram impacto ambiental positivo.

Participação privada cresce e parcerias impulsionam o setor

Ao longo dos anos, a participação da iniciativa privada no financiamento de pesquisas vem crescendo. No triênio mais recente, 43% dos recursos vieram da iniciativa privada, contra apenas 15% em 2010. Em contrapartida, a participação do Estado caiu de 76% para 56% no mesmo intervalo.

Desse total investido, 85% foram destinados a recursos humanos, reforçando o papel de técnicos e pesquisadores no avanço das atividades científicas.

Esse movimento reflete o fortalecimento das parcerias público-privadas (PPPs) e a transferência de tecnologias geradas nas unidades de pesquisa como o Instituto Agronômico, o Instituto Biológico, o Instituto de Tecnologia de Alimentos e o Instituto de Economia Agrícola.

Leia mais:  Exportações de bovinos vivos batem recorde e redesenham mapas do setor
Crescimento de captação de recursos é maior que o aumento de investimentos

O relatório da Apta mostra que, apesar de a captação de recursos ter crescido 12,5% ao ano, o total aplicado em PD&I aumentou apenas 4,6% ao ano, passando de R$ 239,7 milhões em 2010 para cerca de R$ 384,1 milhões no triênio 2022-24.

Esse descompasso, segundo o documento, se deve à estagnação do aporte público estadual, que cresceu apenas 20% em 14 anos, de R$ 182,3 milhões em 2010 para uma média de R$ 219,7 milhões no período mais recente.

Redução de pessoal técnico reflete desafios na pesquisa pública

O relatório também aponta que a redução no quadro de servidores das unidades de pesquisa impactou a capacidade de produção científica. Em 2010, a Apta contava com 2.404 pesquisadores e técnicos de apoio, número que caiu para 1.153 em 2024.

No triênio 2022-24, os recursos aplicados em PD&I representaram 0,27% do Valor da Produção Agropecuária (VPA) de São Paulo, que alcançou R$ 1,14 trilhão, bem abaixo da referência nacional, cuja média de aplicação em pesquisa varia em torno de 1,19% do PIB nos anos de 2022 e 2023.

Impacto de tecnologias desenvolvidas segue em crescimento

Desde 2010, a Apta realiza balanços sociais para acompanhar os efeitos das tecnologias geradas em suas unidades de pesquisa. Os indicadores têm apresentado crescimento, reforçando a importância da pesquisa científica para o agronegócio paulista e brasileiro.

Cenários globais para açúcar apontam oferta elevada

A safra mundial de açúcar 2025/26 (de outubro a setembro) deve registrar um excedente de produção, segundo Lívea Coda, coordenadora de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.

Leia mais:  Tecnificação da reprodução bovina impulsiona produtividade e competitividade da carne brasileira no mercado global

A expectativa é de oferta superior à demanda, em função de safras acima do esperado no Brasil e recuperação de produção em países como Índia, Tailândia, México, China, Guatemala e Estados Unidos.

Esse cenário pode pressionar os preços para baixo no curto prazo.

No longo prazo, os principais fatores a serem observados no setor são os investimentos em etanol de milho, a demanda por combustíveis e o comportamento da demanda por açúcar.

Riscos à frente incluem fatores climáticos e decisões políticas

Além dos riscos geopolíticos relacionados aos mercados energéticos, fatores como tarifas governamentais e eventos climáticos — em especial a possível formação do El Niño — podem influenciar o desempenho do setor de açúcar e seus preços, alerta a coordenadora de mercado.

Mercado de café reage e perspectivas melhoram

No mercado de café, os preços sofreram forte queda ao longo do ano. O foco dos participantes do setor mudou da safra 2025 para 2026, com expectativas de maior oferta de café arábica no próximo ciclo produtivo.

De acordo com Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, a melhora nas condições climáticas — com chuvas mais regulares e temperaturas menos extremas — favorece o desenvolvimento das lavouras e facilita as negociações.

Além disso, a redução das barreiras tarifárias em mercados importantes, como nos Estados Unidos, e a expansão para novos mercados, especialmente na Ásia, contribuem para sustentar a demanda por café.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

publicidade

Agro News

Chuva forte pode atrasar plantio e colheitas no Centro-Sul

Publicado

A semana começa com chuva em importantes regiões agrícolas do Brasil e efeitos distintos sobre o calendário das lavouras. A partir deste domingo (04.10), as instabilidades atingem áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, além de partes do Norte e do Nordeste. Para quem inicia a safra de verão, a água ajuda a recuperar a umidade necessária à semeadura. Onde o solo já está saturado, porém, novos episódios de chuva podem paralisar máquinas, atrasar o plantio e dificultar a retirada dos grãos ainda no campo.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o início da semana terá condições para tempestades, com rajadas de vento e possibilidade de granizo em algumas áreas. A intensidade e a distribuição das precipitações variam entre as regiões, exigindo decisões conforme a situação de cada propriedade.

No Centro-Oeste, há previsão de chuva neste domingo em Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, com intensificação das instabilidades na segunda-feira, 5. O sul de Mato Grosso do Sul está entre as áreas sob maior atenção para temporais.

A chegada da água ocorre em momento decisivo para a soja. No acompanhamento divulgado em 28 de setembro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que as chuvas haviam permitido ampliar a semeadura em áreas de Mato Grosso que dependem das precipitações. Em Mato Grosso do Sul, a implantação também começava a avançar, enquanto Goiás registrava operações pontuais, principalmente sob irrigação.

O desafio para o produtor é aproveitar a umidade sem antecipar a entrada das máquinas em terrenos sem condições de tráfego. Chuvas concentradas podem interromper a semeadura e os tratamentos das lavouras. A persistência da água no solo, por sua vez, precisa ser observada antes de retomar as operações.

Leia mais:  Produção de carne bovina não acompanha crescimento das exportações, aponta Cepea

No Sudeste, as instabilidades alcançam São Paulo, áreas de Minas Gerais e Rio de Janeiro no começo da semana. No Espírito Santo, a previsão aponta precipitações mais isoladas. A chuva pode beneficiar a implantação das culturas de verão, mas exige atenção onde ainda há colheitas.

Em São Paulo, a Conab já registrava dificuldades para a entrada de colhedoras em áreas de milho por causa do encharcamento. Também apontava danos à qualidade do trigo em maturação e colheita. Novas precipitações podem prolongar essas interrupções nas propriedades afetadas.

A situação do milho safrinha, contudo, deve ser dimensionada: 99,5% da área acompanhada pela companhia estava colhida no levantamento de 28 de setembro. Os trabalhos restantes se concentravam em São Paulo e no Paraná. Nos principais polos do Centro-Oeste, a retirada do cereal já havia terminado.

No Sul, os cuidados se dividem entre a implantação da nova safra e as lavouras de inverno. Santa Catarina e partes do Rio Grande do Sul também têm previsão de chuva e trovoadas. O excesso de umidade já havia reduzido o ritmo do plantio de milho e interrompido operações de semeadura do arroz em áreas gaúchas.

Leia mais:  Produtores defendem aumento da mistura de biodiesel no diesel e dizem que impacto no preço seria mínimo

O trigo permanece vulnerável. Além de dificultar a colheita, períodos úmidos favorecem doenças e podem comprometer a qualidade dos grãos. Em Santa Catarina, o monitoramento da Conab destacava a pressão de doenças nas lavouras; no Rio Grande do Sul, havia preocupação com os efeitos das chuvas sobre áreas em fase reprodutiva.

No Norte, as pancadas atingem áreas do Amazonas, Rondônia e Tocantins. No Nordeste, a chuva é mais localizada, com possibilidade de precipitações no oeste da Bahia e em partes do Maranhão e do Piauí, enquanto setores do interior permanecem com tempo firme.

Para a região agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a regularidade das precipitações continua decisiva. O boletim de setembro da Conab mostrou que as primeiras chuvas haviam sido insuficientes para recompor a água no solo e permitir o plantio na maioria das áreas sem irrigação. Já o milho de terceira safra apresenta situações diferentes: no oeste baiano, áreas irrigadas tiveram bons resultados, enquanto a estiagem comprometeu lavouras no Nordeste da Bahia.

O planejamento da semana dependerá, portanto, da combinação entre previsão local, umidade do terreno e estágio da cultura. Onde falta água, a chuva pode abrir a oportunidade de plantar. Onde ela já sobra, preservar o solo e esperar condições adequadas para as máquinas será determinante para evitar novos prejuízos.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

Mais Lidas da Semana