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Agronegócio precisa de quase R$ 50 trilhões por ano para enfrentar as mudanças climáticas

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O volume de recursos necessário para enfrentar as mudanças climáticas até 2035 alcança cerca de R$ 41,6 trilhões por ano, segundo estimativas internacionais consolidadas, mas o fluxo global de investimentos ainda está muito abaixo desse patamar, revelando um descompasso que tende a impactar diretamente a produção agropecuária.

Dados do relatório Global Landscape of Climate Finance 2025, da Climate Policy Initiative, mostram que o financiamento climático global atualmente gira entre US$ 1,9 trilhão e US$ 2 trilhões por ano — o equivalente a R$ 9,9 trilhões a R$ 10,4 trilhões. A diferença entre o necessário e o realizado expõe não apenas a limitação de capital, mas sobretudo dificuldades estruturais de direcionamento e execução desses recursos.

Estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que o principal entrave não está apenas no volume financeiro, mas na capacidade de transformar demanda climática em projetos viáveis, especialmente em setores mais expostos ao risco, como a agropecuária. Na prática, o capital disponível tende a se concentrar em áreas com retorno mais previsível, deixando lacunas justamente onde a necessidade é maior.

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Hoje, cerca de 94% dos investimentos climáticos globais estão voltados à mitigação, com forte presença nos setores de energia e transporte. Atividades ligadas ao uso da terra — como agricultura, pecuária e florestas — permanecem subfinanciadas, apesar de sua relevância para a segurança alimentar e para a adaptação às mudanças climáticas.

A concentração regional também limita o acesso aos recursos. Segundo a Climate Policy Initiative, aproximadamente 79% do financiamento climático global está concentrado no Leste Asiático, Europa Ocidental e América do Norte. Além disso, cerca de 80% desses valores permanecem nos próprios países de origem, restringindo o fluxo para economias emergentes como o Brasil.

Para o produtor rural, esse cenário se traduz em dificuldade de acesso a crédito para práticas produtivas sustentáveis, mesmo quando há demanda crescente por alimentos produzidos com menor impacto ambiental. Projetos como recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta e manejo eficiente de recursos naturais ainda enfrentam barreiras para se tornarem financiáveis em larga escala.

Ao mesmo tempo, a ausência de investimentos na escala necessária tende a ampliar a exposição do campo a eventos climáticos extremos, com impacto direto sobre produtividade, custos e previsibilidade da produção. A agenda climática, nesse contexto, deixa de ser apenas ambiental e passa a influenciar decisões econômicas dentro da porteira.

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Por outro lado, o cenário também abre espaço para reposicionamento. Com matriz energética majoritariamente limpa, tecnologia agrícola consolidada e disponibilidade de áreas para expansão sem desmatamento, o Brasil reúne condições para ampliar sua participação no mercado global de soluções sustentáveis. O avanço, no entanto, depende de estruturação financeira, redução de riscos e criação de instrumentos capazes de conectar capital e produção.

Fonte: Pensar Agro

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Milho no RS entra na reta final da colheita com produtividade acima de 7,4 t/ha

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Mercado Externo

O cenário internacional para o milho segue marcado por volatilidade, com atenção às safras da América do Sul e ao ritmo das exportações dos Estados Unidos. A evolução da colheita no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, contribui para a oferta global, ainda que em menor escala frente ao Centro-Oeste. A regularidade climática recente no Estado ajuda a sustentar expectativas positivas de produtividade, fator que pode influenciar o equilíbrio global de oferta.

Mercado Interno

A colheita do milho no Rio Grande do Sul se aproxima da conclusão, atingindo 90% dos 803.019 hectares cultivados na safra 2025/26, conforme a Emater/RS-Ascar. O avanço foi mais lento na última semana devido às chuvas, principalmente na Metade Sul, que elevaram a umidade dos grãos e dificultaram a operação de máquinas.

As áreas restantes correspondem a lavouras implantadas fora da janela ideal, ainda em fases reprodutivas ou de enchimento de grãos. As precipitações recorrentes desde março favoreceram o desenvolvimento dessas áreas, consolidando o potencial produtivo.

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No milho destinado à silagem, a colheita também está praticamente concluída, alcançando 87% da área. No entanto, a umidade elevada tem prejudicado o processo de ensilagem, podendo impactar a qualidade da fermentação.

Preços

Os preços do milho no mercado interno tendem a refletir o avanço da colheita e a qualidade do produto. A elevada umidade dos grãos em algumas regiões pode gerar descontos na comercialização, além de aumentar os custos com secagem. Por outro lado, a produtividade consistente no Estado ajuda a equilibrar a oferta regional.

Indicadores
  • Área cultivada (milho grão): 803.019 hectares
  • Área colhida: 90%
  • Produtividade média: 7.424 kg/ha
Produção estimada: 5,96 milhões de toneladas
  • Milho silagem:
    • Área: 345.299 hectares
    • Colheita: 87%
    • Produtividade média: 37.840 kg/ha
  • Soja (RS):
    • Área cultivada: 6,62 milhões de hectares
    • Colheita: 68%
    • Produtividade média: 2.871 kg/ha
  • Feijão 1ª safra:
    • Área: 23.029 hectares
    • Produtividade média: 1.781 kg/ha
  • Feijão 2ª safra:
    • Área: 11.690 hectares
    • Produtividade média: 1.401 kg/ha
  • Arroz irrigado:
    • Área: 891.908 hectares
    • Colheita: 88%
    • Produtividade média: 8.744 kg/ha
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Análise

A reta final da colheita do milho no Rio Grande do Sul confirma uma safra tecnicamente positiva, sustentada por produtividade acima da média histórica. No entanto, o excesso de chuvas no período final impõe desafios logísticos e pode afetar a qualidade dos grãos, exigindo maior gestão pós-colheita.

O cenário climático também impacta outras culturas relevantes no Estado. A soja avança de forma mais lenta, com grande variabilidade produtiva devido ao regime irregular de chuvas ao longo do ciclo. Já o arroz mantém bom desempenho, enquanto o feijão evidencia forte dependência de irrigação para alcançar melhores rendimentos.

No curto prazo, o produtor gaúcho segue atento às condições climáticas para concluir a colheita e preservar a qualidade da produção, fator determinante para a rentabilidade em um ambiente de margens mais apertadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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