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ALMT debate dados alarmantes sobre saúde mental e aumento de suicídios em Cuiabá

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Foto: ANGELO VARELA / ALMT

A Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta terça-feira (24), reunião ordinária para discutir os desafios da saúde mental no estado e os números alarmantes de suicídios em Cuiabá e no Brasil. A médica psiquiatra do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), Olicélia Poncioni, foi convidada para palestrar sobre o tema e apresentou dados que acendem um alerta sobre a urgência de políticas públicas na área.

Segundo ela, nos primeiros quatro meses deste ano houve um aumento de 30% nos casos de suicídio em Cuiabá, em comparação com o mesmo período do ano passado. “Se no ano passado os dados já eram alarmantes, este ano esse crescimento é assustador. Se continuar nesse ritmo, esse número vai dobrar em pouco tempo. É uma emergência de saúde pública”, alertou a psiquiatra.

A especialista destacou que entre 20% e 30% das consultas em serviços de emergência estão diretamente relacionadas à saúde mental, com aumento expressivo nos casos de depressão, ansiedade e transtornos psicóticos. Ela também lembrou que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 450 milhões de pessoas no mundo são acometidas por transtornos mentais, que representam 12,3% das causas de invalidez no planeta.

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Ainda segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 1 milhão de pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, o que significa uma morte a cada 40 segundos no mundo e uma a cada 45 minutos no Brasil, totalizando mais de 2.160 mortes por dia no país. A faixa etária de pessoas que cometem suicídios está entre 17 a 29 anos. As mulheres apresentam tentativas, mas os homens são os mais concretizam o ato.

A médica defendeu que o caminho para enfrentar esse cenário começa na atenção primária, ou seja, nos postos de saúde e nas unidades básicas de saúde dos bairros. “Se o paciente chega no postinho, fala com o agente de saúde e não encontra acolhimento ou atendimento adequado, ele não tem para onde ir. Muitos nem têm dinheiro para o transporte. É na saúde básica que começa a prevenção. Se a gente agir na base, com certeza teremos menos internações e menos emergências psiquiátricas no HMC”, afirmou.

Para Olicélia, o debate na ALMT é fundamental. “Se a Assembleia, que é nossa casa legislativa, não abrir os olhos para isso, quem vai? É daqui que saem as articulações com os governos estadual, federal e municipal. Por isso eu trouxe propostas e projetos de prevenção para que algum deputado abrace essa causa. Estamos lidando com vidas e é urgente”, reforçou.

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O presidente da Comissão de Saúde, deputado Paulo Araújo (PP), reforçou a fala da médica e fez um alerta sobre a dificuldade de acesso a serviços especializados. “O que ela nos trouxe é gravíssimo. Estamos vivendo uma verdadeira pandemia de transtornos mentais, e o sistema não está preparado. Falta assistência básica, formação de profissionais, faltam psiquiatras tanto na rede pública quanto na privada. Isso é uma questão de saúde pública urgente. O Brasil não tem uma rede de saúde mental capaz de dar conta da demanda. Faltam Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), e políticas públicas, precisamos agir rápido”, defendeu.

O parlamentar reforçou que o problema é global, mas que é possível começar a enfrentá-lo com ações concretas no estado. “A cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida no mundo. No Brasil, é a cada 45 minutos. Esses números são devastadores. Estamos falando de pais, mães, filhos, jovens, idosos, famílias inteiras destruídas. Precisamos de políticas públicas consistentes, mais investimento e formação de profissionais na área da saúde mental”, concluiu.

Fonte: ALMT – MT

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Duas mulheres são eleitas para a ALMT após quatro legislaturas

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Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos) estão entre os 24 deputados estaduais eleitos neste domingo (4) para a 21ª Legislatura da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Com 100% das urnas apuradas, Samantha recebeu 57.900 votos e Alessandra, 50.802. O resultado faz com que a ALMT volte a ter duas mulheres eleitas diretamente para exercer mandatos titulares simultaneamente.

A última vez que isso ocorreu foi nas eleições de 2010, quando Luciane Bezerra e Teté Bezerra conquistaram cadeiras para a 17ª Legislatura (2011–2015). Nas três eleições seguintes (2014, 2018 e 2022), apenas uma mulher, Janaina Riva (MDB), foi eleita deputada estadual em cada pleito.

Na atual legislatura, outras mulheres também exerceram temporariamente o mandato como suplentes. Em julho de 2025, a ALMT registrou, pela primeira vez, três mulheres em exercício simultaneamente: Janaina Riva, titular, e as suplentes Professora Graciele e Valdeniria Dutra. Também assumiram como suplentes ao longo da 20ª Legislatura Sheila Klener, Sandy de Paula, Priscila Dourado e Marildes Ferreira.

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Nas eleições de 2026, as mulheres representaram 34% do total de candidaturas registradas em Mato Grosso, mesmo percentual verificado no estado nas eleições gerais de 2022. Apesar de serem maioria entre o eleitorado, a participação feminina entre os candidatos permaneceu em cerca de um terço.

Eleitas, Samantha e Alessandra representarão 8,3% da composição da Casa na próxima legislatura. Samantha do Abilio, de 42 anos, é designer de interiores e vereadora de Cuiabá. Eleita para a Câmara Municipal em 2024, chega à Assembleia para o primeiro mandato como deputada estadual. Já Alessandra Ferreira, de 36 anos, é cirurgiã-dentista e empresária. Foi secretária municipal de Promoção e Assistência Social de Rondonópolis entre 2025 e 2026 e disputou neste ano sua primeira eleição para um cargo eletivo.

A presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes Alves, destacou a diferença entre o número de mulheres no eleitorado e a presença delas nos cargos eletivos. “A gente tem 51% dos eleitores que são mulheres. E por que elas não podem ter uma representatividade? Então a gente tem que melhorar essa cultura, conversar mais, trocar nossas experiências e fazer com que esse número comece a crescer também”, afirmou.

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Para a cientista política Christiany Fonseca, a participação feminina nas eleições não se converte automaticamente em representação parlamentar. Segundo ela, o processo envolve acesso às estruturas partidárias, recursos de campanha, redes políticas e condições para que as candidaturas sejam competitivas. “É preciso conseguir entrar, competir, vencer e depois permanecer na política”, resumiu Christiany.

A eleição de Samantha e Alessandra ocorre 16 anos depois do pleito que levou duas mulheres simultaneamente à Assembleia. Elas assumem os mandatos em 1º de fevereiro de 2027.

Fonte: ALMT – MT

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