Política MT
ALMT debate irregularidades nos consignados de servidores públicos estaduais
Publicado
6 de junho de 2025, 14:29
Representantes de diversos sindicatos e servidores estaduais participaram da audiência pública nesta sexta-feira (6).
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) promoveu nesta sexta-feira (6) uma audiência pública para discutir as possíveis irregularidades envolvendo os empréstimos consignados de servidores públicos estaduais, ativos e aposentados. A iniciativa partiu do deputado Henrique Lopes (PT), motivada por denúncias de descontos indevidos nos contracheques e abusos cometidos por instituições financeiras, com destaque para a empresa Capital Consig.
O deputado Henrique Lopes destacou a omissão do governo estadual diante de denúncias que vêm desde 2023 e defendeu a necessidade de aprofundar as investigações, responsabilizar os envolvidos e proteger os servidores prejudicados.
“A audiência reforça o papel da ALMT como espaço de escuta, fiscalização e articulação de medidas corretivas. A mobilização da ALMT, órgãos de controle e entidades sindicais, marca um importante passo rumo à responsabilização dos culpados e à proteção dos direitos dos trabalhadores do serviço público estadual”, disse o parlamentar.
A deputada Janaina Riva (MDB) também cobrou que a Assembleia instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o passado, já que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) se compromete apenas com medidas para o futuro. Para Janaina, sem a CPI, a Casa corre o risco de omissão institucional.
O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, apresentou um projeto de lei, que será encaminhado a Casa de Leis, construído com representantes da ALMT, governo do estado e demais órgãos de controle. O texto prevê a limitação da margem consignável a 35% do salário líquido do servidor, a criação de um grupo de trabalho permanente com membros do TCE, ALMT, governo, Ministério Público de Mato Grosso (MPE), Procon e outros entes de fiscalização.
Segundo o conselheiro, o objetivo é pôr fim à “sangria que leva o servidor ao endividamento abusivo e assegurar que apenas instituições idôneas operem no setor”. Ele reforçou a necessidade de uma fiscalização rigorosa das empresas que atuam com consignado em Mato Grosso e da exclusão do sistema daquelas que cometeram irregularidades.
O vice-presidente da ALMT, deputado Júlio Campos (União), também se manifestou durante a audiência. Ele ressaltou que o projeto apresentado pelo TCE vai ao encontro das demandas dos servidores e defendeu uma atuação firme da Assembleia frente às denúncias.
“Nós estamos acompanhando de perto essas denúncias de irregularidades dos empréstimos e de outros bancos que estão aí prejudicando o salário dos servidores. Vamos acompanhar também de perto a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Revisão Geral Anual (RGA). É uma bandeira dos parlamentares, e esperamos que este ano seja votada”, disse Campos.
Durante a audiência, servidores relataram situações causadas pelo super endividamento. A aposentada Iraci Pires revelou que mais de 60% de sua aposentadoria está comprometida com consignados e que contraiu os empréstimos para cobrir despesas básicas: alimentação, medicamentos e contas. “Não foi para luxo. Foi para sobreviver”, afirmou.
A diretora do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Agrícola, Agrário, Pecuário e Florestal do Estado de Mato Grosso (Sintap), Maria Fernanda Casula, expôs uma prática abusiva da Capital Consig, que elevou uma dívida de R$ 30 mil para R$ 82 mil em poucos meses, sem apresentar contrato ou explicações. Ela afirma que os descontos em folha seguem até hoje, consumindo mais de 60% do seu salário.
Carmen Machado, presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos de MT, afirmou que, desde o início desse processo de investigação relacionado aos consignados, a Federação, em conjunto com todo o Movimento Sindical Unificado, tem atuado de forma firme e responsável.
“Apresentamos requerimentos em diversas instâncias, começando pela gestão estadual, passando pela Assembleia Legislativa, pelo Ministério Público Estadual, Tribunal de Contas, e também buscamos soluções a nível federal, acionando o Banco Central, o Ministério Público Federal e outros órgãos competentes. Afinal, estamos tratando de um possível crime contra o sistema monetário nacional, o que exige uma atuação em âmbito federal”.
De acordo com a sindicalista, são mais de 20 mil servidores prejudicados. “Eles estão financeiramente massacrados, e não estamos diante de um problema pontual. A Assembleia, enquanto poder independente, tem plenas condições de abrir uma CPI para investigar com profundidade. Acreditamos que essa postura é coerente com o momento e com a gravidade do que está sendo denunciado. Nosso foco não é apenas encontrar culpados, é, acima de tudo, encontrar soluções reais para os milhares de servidores que estão enfrentando um verdadeiro colapso financeiro. Precisamos de respostas e de resolutividade”, explicou.
O secretário de Planejamento de Mato Grosso (Seplag), Basílio Bezerra, esclareceu as ações do Executivo diante das denúncias envolvendo as empresas de crédito.
“Nosso objetivo aqui, de forma alguma, é criar qualquer tipo de embaraço para isso. Desde o começo, quando fomos acionados com fatos que comprovassem a atuação dolosa de uma empresa, tomamos providências. Em oito dias, após recebida essa informação, determinamos a suspensão das atividades dessa empresa, de forma cautelar. Encaminhamos o procedimento para nossa unidade de correição. Depois da apuração preliminar, foi encaminhado à Controladoria Geral do Estado (CGE), por haver elementos mais robustos. Com o relatório conclusivo, no final de abril, determinamos a entrega dos cartões físicos aos servidores, dos contratos eventualmente não entregues, e solicitamos parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) para viabilizar a suspensão dos descontos de aproximadamente 13 mil contratos. Quando tivemos essa condição jurídica, a decisão foi imediata. A administração não ficou silenciosa. Precisamos ser motivados. Quando fomos oficialmente informados, tomamos as decisões”.
Encaminhamentos – Ao final da audiência pública, o deputado Henrique Lopes apresentou os encaminhamentos discutidos durante o debate. A possível abertura de uma CPI pela ALMT para investigar a fundo o endividamento dos servidores; a instalação de uma força-tarefa da Assembleia, a exemplo da já existente no TCE, voltada exclusivamente para o enfrentamento do superendividamento; a criação de mais uma força-tarefa específica para tratar da RGA dos servidores; a solicitação das atas das reuniões do MT Desenvolve, referentes ao período de 2020 a 2023 e informações sobre os valores recebidos pela MT Desenvolve para intermediar as operações do MT Card, bem como a identificação de seus sócios privados.
O parlamentar acrescentou ainda aos encaminhamentos, o pedido à Seplag para esclarecer qual conta é vinculada e qual CNPJ recebe os repasses da Capital Consig, Bem Cartões e demais operadoras, especificando se está em nome de empresas ou fundos de investimento; a requisição dos processos completos de descredenciamento das instituições Capital Consig, ClickBank Cartões e outras que atuam com crédito consignado; a determinação para que os órgãos de controle e fiscalização apontem o grau de responsabilidade da administração pública, com destaque à Agência de Fomento do Estado (MT Desenvolve) e à própria Seplag; a suspensão imediata, com base no Decreto 691/2016, de todos os descontos em folha referentes à Capital Consig e os apontamentos de caminhos para o ressarcimento dos valores descontados indevidamente dos servidores. E, por fim, a proposta do deputado Lúdio Cabral (PT) de utilização de recursos da MT Prev para mitigar as dívidas de servidores aposentados e pensionistas.
Fonte: ALMT – MT
Política MT
CST debate desembargos ambientais à agricultura familiar em Mato Grosso
Publicado
16 de julho de 2026, 17:30
A Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental da Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, nesta quinta-feira (16), uma reunião com a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, para discutir os procedimentos relacionados aos desembargos ambientais e ao licenciamento ambiental simplificado.
O debate teve como foco a implementação da Lei Complementar nº 830/2025 e da Lei nº 13.349/2026, que estabelecem regras para a regularização ambiental e o licenciamento simplificado destinados a agricultores familiares e pequenos produtores rurais. Também foram discutidos os desafios enfrentados pelo Estado na execução do Código Florestal e na consolidação de um modelo que concilie proteção ambiental, segurança jurídica e inclusão produtiva.
A Lei Complementar nº 830/2025 estabelece tratamento diferenciado, simplificado e proporcional para infrações ambientais cometidas por agricultores familiares e proprietários de imóveis rurais com até quatro módulos fiscais que desenvolvam atividades agrossilvipastoris. A norma busca conciliar a regularização ambiental com a permanência da produção no campo.
Já a Lei nº 13.349/2026 instituiu o regime de Licenciamento Ambiental Simplificado para atividades agropecuárias desenvolvidas por agricultores familiares e pequenos produtores rurais. A medida é destinada às propriedades que atendam aos critérios de sustentabilidade estabelecidos pelo órgão ambiental estadual, com o objetivo de tornar mais ágil o processo de licenciamento, sem abrir mão das exigências legais.
Para aderir ao novo regime, os proprietários deverão cumprir uma série de requisitos, entre eles manter o imóvel inscrito e regular no Cadastro Ambiental Rural (CAR), não possuir embargos ambientais vigentes na área da propriedade e apresentar declaração de conformidade ambiental, assumindo responsabilidade civil e administrativa por eventuais danos ambientais causados.
A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, afirmou que os desafios enfrentados por Mato Grosso na regularização ambiental e nos desembargos refletem um problema nacional relacionado à implementação do Código Florestal. Segundo ela, o tema tem sido debatido em nível federal, em reuniões realizadas em Brasília com representantes do Ministério da Gestão e da Inovação, do Serviço Florestal Brasileiro e dos estados da Amazônia Legal e de Mato Grosso do Sul, em busca de soluções para aperfeiçoar a execução da legislação ambiental.
A gestora apresentou dados do Painel de Regularização Ambiental, que apontam mais de 8,3 milhões de imóveis inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em todo o país, mas com menos de 10% das análises concluídas. Em relação à área cadastrada, apenas 7,25% tiveram a análise finalizada.
Para a secretária, os números demonstram a complexidade da implementação do Código Florestal e as dificuldades enfrentadas pelos órgãos ambientais diante de lacunas na legislação, da pressão da sociedade e de orientações divergentes dos órgãos de controle, o que exige equilíbrio para cumprir a lei sem comprometer a segurança jurídica e a efetividade da política ambiental.
Mauren Lazzaretti afirmou que Mato Grosso construiu um modelo próprio para conciliar a proteção ambiental com a realidade dos pequenos produtores rurais, transformando o desembargo ambiental em uma oportunidade de regularização. Segundo ela, o objetivo é promover a inclusão produtiva sem abrir mão dos compromissos com o desenvolvimento sustentável, destacando que as medidas adotadas pelo Estado não representam anistia nem retrocesso na legislação ambiental.
A secretária também defendeu que as iniciativas previstas na Lei Complementar nº 830/2025 sejam adotadas de forma mais homogênea pelos demais entes federativos. De acordo com ela, a falta de uniformidade na aplicação das normas pode levar ao questionamento, em âmbito nacional, de atos administrativos praticados por Mato Grosso, como embargos, desembargos e licenças ambientais. Por isso, pediu o apoio da Assembleia Legislativa para fortalecer a defesa do modelo adotado pelo Estado.
Ela afirmou ainda que Mato Grosso se consolidou como referência nacional na regularização ambiental de imóveis rurais, independentemente do tamanho das propriedades. Segundo ela, levantamentos do Climate Policy Initiative (CPI), organização que acompanha, desde a implementação do Código Florestal, o desempenho dos estados na análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA), colocam Mato Grosso entre os estados mais inovadores e com avanços contínuos tanto na validação dos cadastros quanto na regularização ambiental.
Lazzaretti destacou que os maiores avanços na validação dos cadastros ocorreram em Mato Grosso, São Paulo e, mais recentemente, no Paraná, resultado da adoção da análise automatizada dos processos. Ela ressaltou que, diferentemente dos estados das regiões Sul e Sudeste, Mato Grosso enfrenta desafios muito maiores em razão da dimensão territorial e da complexidade ambiental, o que torna os resultados ainda mais expressivos.
A secretária também enfatizou que o trabalho desenvolvido pelo Estado recebeu reconhecimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha, por meio da ADPF 743 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), a implementação do Código Florestal nos estados da Amazônia e do Pantanal. Segundo ela, decisões do ministro André Mendonça destacam os avanços de Mato Grosso no cenário nacional da regularização ambiental.
Entre os encaminhamentos definidos durante a reunião está a parceria entre a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) para atuar, por meio da Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental, na criação de uma mesa técnica destinada à discussão de soluções relacionadas aos desembargos ambientais.
A iniciativa tem como objetivo construir propostas e aperfeiçoar a legislação, buscando garantir maior segurança jurídica e mecanismos que favoreçam a regularização ambiental e beneficiem os proprietários rurais.
Fonte: ALMT – MT
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