Educação

Aumento para alimentação escolar chega a 55% com novo reajuste

Publicado

O Ministério da Educação (MEC), por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), promoveu um novo aumento, de 14,35%, nos valores por pessoa do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) para o ano de 2026. Em quatro anos, o custo anual do programa passou de cerca de R$ 3,6 bilhões, em 2022, para R$ 6,7 bilhões, com o reajuste de 2026, o que representa um aumento de mais de 80%. O acumulado do reajuste para o programa durante esta gestão do governo federal chega a quase 55%. 

Os valores já valem para a primeira parcela do ano, a ser paga a estados e municípios nos próximos dias. O reajuste, calculado com base na inflação acumulada entre 2023 e 2025, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tem como objetivo recompor o poder de compra dos recursos destinados à alimentação escolar e garantir a qualidade nutricional das refeições oferecidas aos estudantes da educação básica pública. 

“Pelo Pnae, são oferecidas mais de 50 milhões de refeições, todos os dias, nas escolas públicas para nossas crianças e jovens do Brasil. E nós vamos também garantir que 45% dessa alimentação escolar comprada nos estados e municípios brasileiros sejam da agricultura familiar — antes, era 30% e agora passa a ser 45%”, anunciou o ministro Camilo Santana nesta segunda-feira, 9 de fevereiro. 

Leia mais:  Enem 2026: participantes do Amapá ganham mais tempo para pedir isenção

“Isso significa mais dinheiro para a nossa agricultura familiar e, principalmente, alimentação escolar no centro da educação. Não há que se falar em educação sem alimentação escolar”, reforçou a presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba. 

A atualização mantém a política de valores diferenciados para estudantes de povos e comunidades tradicionais e amplia a equidade no programa, além de equiparar o valor da educação de jovens e adultos (EJA) ao dos ensinos fundamental e médio. Com o reajuste, os valores diários por aluno passam a ser de: 

  • Ensinos fundamental e médio: de R$ 0,50 para R$ 0,57; 
  • EJA: de R$ 0,41 para R$ 0,57; 
  • Pré-escola: de R$ 0,72 para R$ 0,82; 
  • Escolas indígenas e quilombolas: de R$ 0,86 para R$ 0,98; 
  • Creches e ensino integral: de R$ 1,37 para R$ 1,57. 

Os repasses do Pnae são realizados em parcelas ao longo do ano letivo. A aplicação dos novos valores seguirá o cronograma de pagamentos do programa. 

Agricultura familiar – Com a atualização dos valores do Pnae, cerca de 45% dos recursos do programa passam a ser destinados à compra de alimentos da agricultura familiar. Considerando a projeção de R$ 6,7 bilhões para 2026, isso representa aproximadamente R$ 3 bilhões investidos diretamente em pequenos produtores rurais e cooperativas, ampliando a geração de renda no campo e fortalecendo a economia local. A política de aquisição da agricultura familiar é um dos principais diferenciais do Pnae, pois garante alimentos frescos e saudáveis nas escolas, valoriza a produção local e contribui para o desenvolvimento sustentável das comunidades. 

Leia mais:  Escola das Adolescências: encontro forma rede de articuladores

Segurança alimentar – O reajuste integra as ações do Governo do Brasil voltadas à redução das desigualdades sociais e ao combate à fome. A alimentação escolar é considerada essencial para o aprendizado e para a formação de hábitos alimentares saudáveis, além de contribuir para a permanência dos estudantes na escola. O programa é uma das principais políticas públicas de segurança alimentar e nutricional do país. Presente em todos os estados e em mais de 5 mil municípios, o programa atende quase 39 milhões de alunos em aproximadamente 140 mil escolas públicas, sendo reconhecido internacionalmente como referência no combate à fome e à desnutrição. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações do FNDE

Fonte: Ministério da Educação

publicidade

Educação

Egressa da escola técnica à reitora do IFS: professora transforma oportunidades em compromisso com a educação pública

Publicado

A educação pode mudar o rumo de uma história. Para a professora Ruth Sales, essa transformação começou ainda na infância, em uma família de poucos recursos, em Aracaju (SE), onde os estudos eram tratados como um caminho para conquistar novas oportunidades. Décadas depois, a menina que ingressou na antiga Escola Técnica Federal de Sergipe se tornaria professora da instituição e chegaria à reitoria, consolidando uma trajetória marcada pela formação acadêmica, pela dedicação ao ensino público e pelo compromisso com a inclusão social. “Meu pai sempre dizia que o melhor que ele poderia nos proporcionar era a educação. Em casa, podíamos não ter roupa nova, mas tínhamos livros”, recorda. 

Em uma família de sete filhos, o incentivo aos estudos vinha acompanhado da compreensão de que as conquistas exigiam esforço. O pai que enfrentou dificuldades para concluir a própria formação, insistia na importância da educação e estimulava os filhos a buscarem oportunidades. A experiência deixou marcas na trajetória de Ruth, que aprendeu, desde cedo, a valorizar cada possibilidade de aprender. 

A aprovação na instituição foi uma de suas primeiras grandes conquistas. Mais do que o aprendizado técnico, a experiência ampliou seus horizontes e contribuiu para suas escolhas profissionais e pessoais. “A minha aprovação na antiga Escola Técnica Federal de Sergipe, foi a minha primeira grande conquista. A escola foi fundamental não apenas para minha formação técnica, mas também para minha formação cidadã, e o impulso para todas as minhas conquistas posteriores”, afirma. 

 Assista ao vídeo:

Da formação técnica à docência – Depois do curso técnico em química, Ruth ingressou na Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde se graduou em química industrial. Durante a graduação, aproximou-se da docência e escolheu disciplinas optativas da área de licenciatura. Antes mesmo de concluir o curso, foi aprovada no mestrado em química da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador. Posteriormente, concluiu o doutorado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo. 

Em 1996, após atuar como professora substituta na UFS, ingressou na Escola Técnica Federal de Sergipe, instituição onde havia estudado. O retorno, agora como educadora, deu novo significado à relação construída com a escola. “Foi uma caminhada de muito sacrifício, estudo e renúncia, mas também de muitas oportunidades. Foi ali que me formei, fiz escolhas e encontrei a direção que queria dar à minha vida”, conta. 

Leia mais:  Após dois anos de Pé-de-Meia, abandono escolar em RR cai 58%

Como professora, ministrou disciplinas da área de química, como química analítica e análise instrumental, além de atividades de iniciação à pesquisa. Ao longo dos anos, acompanhou as transformações da instituição e a ampliação de sua missão educacional. 

Para Ruth, um dos diferenciais da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica está na combinação entre conhecimento técnico e desenvolvimento humano. “Os institutos federais formam profissionais diferenciados porque articulam a educação profissional à formação humana”, destaca. 
 
Pioneirismo e representatividade – A trajetória de Ruth também foi marcada pela conquista de espaços de liderança em um ambiente no qual as mulheres enfrentavam barreiras para ocupar posições de decisão. Ela se tornou a primeira mulher a assumir a reitoria da instituição em Sergipe, conforme relato, após construir uma carreira acadêmica e profissional na própria Rede Federal. “Quando uma mulher dizia que queria ser reitora, havia risadinhas e questionamentos. Eu precisava provar todos os dias que tinha capacidade para ocupar aquele lugar”, relata. 
 
A experiência reforçou o compromisso com a ampliação das oportunidades para outras mulheres. Durante sua gestão, Ruth manteve a atenção voltada a iniciativas de inclusão social e qualificação profissional, entre elas o programa Mulheres Mil, que promove a formação profissional de mulheres em situação de vulnerabilidade social. 
 
Ela participou da elaboração de projetos e continuou acompanhando as ações do programa como pró-reitora e reitora. O trabalho inclui o contato com comunidades indígenas e quilombolas e com mulheres de diferentes realidades sociais. “Faço questão de participar das aulas inaugurais, visitar as comunidades e estar perto das mulheres. Quero continuar trabalhando por elas, independentemente do lugar em que eu esteja”, afirma. 
 
Uma rede que amplia horizontes – Ao comparar a época de estudante com a realidade atual, Ruth destaca a ampliação das oportunidades de formação, pesquisa e intercâmbio para os alunos dos institutos federais. Segundo ela, os estudantes de hoje podem vivenciar experiências acadêmicas desde os primeiros anos de formação, descobrindo possibilidades que antes pareciam distantes. 

Leia mais:  MEC fará seminário sobre política de educação superior

Para a professora, conhecer oportunidades como as quais são ofertadas pela Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica pode ser o primeiro passo para descobrir novos caminhos profissionais e pessoais. “Conheçam a Rede Federal de Educação! Quando vocês chegam, descobrem oportunidades que nem imaginavam existir”, aconselha. 

Após oito anos à frente da reitoria, Ruth encerra um ciclo de gestão sem se afastar dos princípios que orientaram sua trajetória. Convidada a assumir uma função na área de desenvolvimento social da instituição, pretende continuar contribuindo para a elaboração de projetos, a ampliação de oportunidades e o fortalecimento das ações de inclusão. 

Mesmo diante das responsabilidades administrativas, ela afirma que nunca deixou de acompanhar os estudantes nem de trabalhar para viabilizar iniciativas que beneficiassem a comunidade acadêmica. “Tenho 30 anos de Rede Federal e sinto que tudo o que fiz pela instituição foi uma forma de retribuir um pouco do muito que recebi. Nunca abandonei o contato com os estudantes nem o trabalho com projetos”, afirma. 

Na Semana dos Professores, a história de Ruth Sales mostra como a educação pública pode acompanhar e transformar uma trajetória inteira: da formação técnica à universidade, da sala de aula à gestão institucional. A ex-aluna que encontrou na antiga escola técnica o impulso para construir o futuro tornou-se professora da instituição e passou a contribuir para a formação de novas gerações. 

Sua caminhada reafirma o papel dos educadores na construção de oportunidades e na transformação social. Afinal, como demonstra sua própria história, ensinar também é abrir caminhos para que outras pessoas descubram até onde podem chegar. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC com informações da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) 

Fonte: Ministério da Educação

Continue lendo

Mais Lidas da Semana