A importância da atuação articulada entre autoridades públicas no combate ao crime organizado, focando principalmente na arrecadação de dinheiro ilícito por facções criminosas, foi o grande consenso entre as autoridades que abriram a Conferência Recupera MT, que teve início nesta quinta-feira (02) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
O evento decorre exatamente da integração de diversas instituições que compõem a Rede Nacional de Recuperação de Ativos – Recupera, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Dentre elas está o TJMT, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça e da Escola Superior da Magistratura – Esmagis-MT, a Polícia Judiciária Civil (PJC) e o Ministério Público Estadual (MPE-MT).
Na abertura da conferência, o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira destacou o propósito do evento de fortalecer em Mato Grosso uma política integrada e eficaz de enfrentamento à criminalidade por meio da recuperação de ativos de origem ilícita. “A Conferência Recupera MT representa um marco de articulação institucional entre os diversos órgãos do sistema de justiça. Essa união evidencia a convicção de que o trabalho coordenado gera resultados concretos contra a criminalidade complexa que desafia o Estado”, disse.
O governador Mauro Mendes, presente no evento, afirmou que, ao abrir espaço para debater e refletir sobre o tema da recuperação de ativos, a Rede cria “uma sinergia mais eficiente da atuação dos poderes constituídos para que tal fim possa ser alcançado”. Afirmou ainda que o evento é importante porque demonstra que o que é necessário está sendo feito. “Nós vamos trabalhar para descapitalizar. Eu confio na nossa Polícia Judiciária Civil, confio nos atores que estão trabalhando nesse setor. E a descapitalização é uma forma importante de combater o crime”.
Representando o Ministério Público Estadual (MPE-MT), o promotor de Justiça Renee do Ó Souza destacou a necessidade de desenvolvimento de dois grandes eixos na segurança pública: investimento e integração entre as instituições. Segundo ele, a reforma da Lei nº 12.850/2013 (que trata das organizações criminosas) que se aproxima já ressalta a importância da atuação cooperada entre as instituições.
“Precisamos integrar esforços, precisamos integrar formas de pensar a cultura jurídica e o institucionalismo. É isso que fará, de uma vez por todas, que enfrentemos o crime organizado de uma forma sóbria e correta”, asseverou.
Resolução Conjunta para destinação de bens apreendidos e constritos
Além dos pronunciamentos de autoridades, a abertura do Recupera MT contou ainda com a assinatura da Resolução Conjunta nº 01/2025, que trata da guarda e destinação dos bens e materiais apreendidos ou constritos em procedimentos criminais pelo Estado. Assinaram o documento o governador Mauro Mendes, o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, o corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote, o promotor de justiça Renee do Ó Souza e o delegado-geral adjunto da Polícia Judiciária Civil, Rodrigo Bastos da Silva.
Compuseram o dispositivo de honra da Conferência, além das autoridades mencionadas, o coordenador-geral de Operações Integradas e Combate ao Crime Organizado do Ministério da Justiça, Getúlio Monteiro de Castro Teixeira, o ouvidor-geral do Tribunal de Justiça, desembargador Rodrigo Curvo, o secretário de Estado de Justiça, Vitor Hugo Bruzulato Teixeira.
Além deles, o evento contou com a participação de cerca de 200 pessoas, entre magistrados, servidores, delegados e investigadores de Polícia, promotores de Justiça, defensores públicos, entre outros profissionais do sistema de justiça e da Segurança Pública.
A Operação Integrada Via do Cobre mobilizou cerca de 100 servidores nesta sexta-feira (9.10), em Cuiabá, e levou à interdição de dois estabelecimentos de compra e venda de sucatas e à condução de três pessoas à delegacia. A fiscalização reuniu equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Politec e Secretaria Municipal de Ordem Pública.
Durante a ação três estabelecimentos foram fiscalizados (dois interditados), e os três proprietários foram encaminhados à delegacia. Entre os presos está o proprietário de um sucatão no bairro Novo Colorado, que também recebeu voz de prisão por receptação, adulteração de sinais identificadores de veículo e furto de energia elétrica. No local, foram encontrados um motor com chassi adulterado e placas de veículos.
A operação reúne equipes de órgãos estaduais e municipais para combater furtos, roubos e receptação de cabos, fios e outros materiais que contenham cobre. A fiscalização também busca impedir que os estabelecimentos sejam utilizados para adulterar sinais identificadores de veículos roubados ou furtados.
Durante coletiva de imprensa, a secretária de Estado de Segurança Pública, coronel PM Susane Tamanho, destacou a importância da atuação integrada das forças de segurança no combate aos crimes relacionados a esses estabelecimentos.
“A operação visou os locais onde são vendidos esses materiais. De maneira integrada, a Sesp coordenou com todos os atores extremamente importantes. No momento da abordagem, você já tem os principais agentes fiscalizadores presentes para verificar o estabelecimento. Essas ações refletem na segurança pública e, trabalhando de maneira integrada, o resultado é mais positivo”, enfatizou.
A secretária municipal de Ordem Pública, delegada Juliana Chiquito Palhares, explicou que a Prefeitura de Cuiabá fiscalizou o cumprimento das exigências municipais, como licenças e alvarás. “Nos três pontos que fiscalizamos com as forças de segurança, em dois deles não havia alvará de funcionamento, licenciamento ambiental ou alvará sanitário. O município tomou as providências e interditou as atividades econômicas até que os responsáveis regularizem a situação, se isso for possível”, afirmou.
O delegado da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), Marcelo Maidame, destacou que a reciclagem deve ser incentivada, mas ressaltou a necessidade de os estabelecimentos possuírem licenças ambientais emitidas pela Prefeitura de Cuiabá. “Foram lavrados três flagrantes de poluição. Esses fatos demandam tanto infrações administrativas como também responsabilidades penais. Lavramos os flagrantes e essas pessoas responderão por esses crimes”, afirmou.
A operação contou com a participação de 48 policiais militares, incluindo equipes da Força Tática, do Grupo de Apoio, do Batalhão Ambiental e do setor de Inteligência; 24 policiais civis; 11 servidores da Secretaria Municipal de Ordem Pública; oito agentes do Corpo de Bombeiros Militar; e quatro servidores da Politec.
Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.