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Avaliação de terras no Brasil ganha precisão com metodologia baseada em tipologia de argila

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O mercado de terras agrícolas no Brasil ainda apresenta histórico de informalidade, diferente do ambiente urbano, que conta com padrões claros de preço por metro quadrado, construção e zoneamento. Movimentando trilhões de reais por ano, o setor passa por pressão crescente por profissionalização, segurança técnica e transparência nas negociações.

Para enfrentar esse cenário, foi realizado em Ribeirão Preto (SP) o primeiro treinamento brasileiro voltado à avaliação de terras agrícolas com base na aptidão natural do solo por tipologia de argila. A iniciativa integra ciência do solo, inteligência territorial e mercado imobiliário rural, promovendo um método inovador para cálculo do Valor da Terra Nua (VTN) com base em dados técnicos do solo.

Treinamento inédito capacita corretores e redefine precificação

O encontro reuniu 40 corretores da RE/MAX Divisão Agro em uma imersão técnica que deve mudar a forma como propriedades rurais são avaliadas, precificadas e negociadas. O treinamento foi organizado pelo Agromatch, iniciativa de Inteligência Territorial em desenvolvimento, em parceria com Terrus Territorial (joint venture da Quanticum e Grupo Piccin), detentores da metodologia de caracterização das argilas de solos.

O foco principal foi o entendimento do Valor da Terra Nua (VTN), indicador que serve de base para o cálculo do ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural) e representa o valor do imóvel sem considerar benfeitorias, refletindo a aptidão agrícola natural.

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Ciência do solo como base para inovação

A metodologia se apoia na literatura clássica da ciência do solo brasileira, incluindo a obra Manual de Capacidade de Uso das Terras (2ª edição), coordenada por especialistas como Igo Fernando Lepsch (IAC), Carlos Roberto Espindola (UNICAMP) e outros.

Diego Siqueira, coautor do manual e CEO da Quanticum, propõe atualização disruptiva no cálculo do VTN por meio do Índice de Tipologia de Argila (ITA), que mensura magnetismo das argilas em uma escala de 0 a 80, permitindo análise de nanopartículas que vão além da textura tradicional do solo.

“Quando a tipologia de argila entra na equação do VTN, deixamos de olhar apenas a superfície e passamos a compreender o comportamento do solo frente à água, ao manejo e ao risco produtivo”, afirma o professor Marcílio Vieira Martins Filho, da UNESP.

Essa abordagem permite que solos de mesma classe textural, mas com tipos de argila diferentes, sejam avaliados de forma justa, refletindo seu real potencial agronômico e alinhando o valor venal à eficiência do manejo.

Benefícios para negociação e crédito rural

Douglas Fahl, coordenador de inovação da Piccin, reforça que o objetivo é trazer clareza, segurança e entendimento técnico sobre o solo, valorizando a terra de forma justa. A metodologia também pode ser aplicada para:

  • Reduzir dúvidas e aumentar transparência em negociações
  • Antecipar riscos ocultos da propriedade
  • Apoiar análises de crédito rural e seguros agrícolas

Alexandre Trevisan, CEO da RE/MAX Divisão Agro, explica: “Não se trata de desvalorizar ou valorizar áreas, mas de buscar justiça na precificação com base na aptidão natural do solo. A exclusividade deixa de ser um pedido comercial e passa a ser consequência técnica.”

Percepção dos corretores

Durante o treinamento, 75% dos participantes apontaram a gestão da exclusividade como maior desafio, enquanto 65% relataram dificuldades em justificar tecnicamente o preço das propriedades. Além disso:

  • 87,5% perceberam divergência entre valor real e valor de mercado
  • 94% consideraram o diagnóstico técnico do solo como vantagem competitiva
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Esses dados mostram que o mercado demanda mais informações técnicas, mas ainda carece de ferramentas estruturadas para integrar ciência do solo ao processo de avaliação.

Material complementar e e-book

Todos os participantes receberam certificado e materiais técnicos, incluindo o e-book “Diagnóstico e Aptidão Natural do Solo Baseado em Tipologia de Argila”, que apresenta:

  • Relatório técnico sobre o mercado de terras no Brasil
  • Principais desafios e oportunidades de crescimento
  • Aplicações práticas do diagnóstico para negociação, precificação e crédito rural

O material reforça a proposta da Agromatch de criar um ecossistema de inteligência territorial, transformando dados científicos em confiança, eficiência e novas oportunidades de negócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Dependência de fertilizantes importados expõe agro brasileiro a riscos geopolíticos e acelera debate sobre transição verde

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A instabilidade geopolítica em regiões estratégicas para a produção de insumos agrícolas voltou a acender um alerta no agronegócio brasileiro: a forte dependência de fertilizantes importados. Conflitos recentes no Oriente Médio, somados aos impactos ainda sentidos da guerra entre Rússia e Ucrânia, afetam diretamente a oferta global desses produtos e pressionam os custos de produção no campo.

Atualmente, o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Esse percentual tem aumentado nos últimos anos, ampliando a exposição do país a riscos externos.

Brasil lidera importações globais de fertilizantes e amplia vulnerabilidade

Em 2025, o Oriente Médio respondeu por 16% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil. Considerando também países em regiões sensíveis, como Rússia e Venezuela, esse volume chega a 32% das importações nacionais.

O Brasil é hoje o maior importador mundial de fertilizantes, com crescimento médio de 3,8% ao ano entre 2014 e 2023, enquanto a média global foi de 0,8%, segundo dados da International Fertilizer Association (IFA).

Para especialistas, a baixa produção doméstica torna o país especialmente vulnerável. Além disso, a demanda segue em expansão impulsionada pela conversão de pastagens degradadas em áreas agrícolas, pela expansão dos sistemas integrados e pelo avanço da segunda safra.

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Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir dependência até 2050

Diante desse cenário, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), lançado em 2022, ganha relevância estratégica. O programa estabelece como meta reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050.

Entre as diretrizes estão:

  • Incentivo à produção nacional de fertilizantes
  • Modernização da indústria do setor
  • Melhorias na infraestrutura logística
  • Estímulo à inovação tecnológica

Apesar das metas, o avanço do plano enfrenta desafios importantes, como o alto custo do gás natural, gargalos logísticos e a necessidade de maior coordenação entre órgãos públicos e privados.

Fertilizantes verdes surgem como alternativa para reduzir emissões

Os fertilizantes verdes são apontados como uma alternativa estratégica para o setor, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental. Produzidos a partir de hidrogênio verde — obtido por eletrólise da água com energia renovável —, esses insumos podem reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa associadas à agricultura.

Segundo especialistas, além de diminuir a pegada de carbono, essa tecnologia pode aumentar a segurança no abastecimento ao reduzir a dependência de importações.

Tecnologia ainda enfrenta barreiras de custo e escala

Apesar do potencial, a escalabilidade dos fertilizantes verdes ainda enfrenta desafios relevantes. O principal deles é o custo de produção, que pode ser até oito vezes superior ao dos fertilizantes convencionais, baseados em combustíveis fósseis.

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A viabilização dessa tecnologia depende de políticas públicas de incentivo, contratos de longo prazo e mecanismos como o mercado de carbono.

Uso eficiente de fertilizantes pode reduzir emissões no campo

Além da substituição tecnológica, especialistas destacam que o uso mais eficiente dos fertilizantes no campo também é fundamental. O manejo adequado pode reduzir desperdícios e emissões de óxido nitroso (N₂O), um gás com potencial de aquecimento global 265 vezes superior ao CO₂.

No Brasil, esse gás representa cerca de 6% das emissões provenientes do setor agrícola.

Transição verde é vista como estratégica para o futuro do agro

Para especialistas do setor, a agenda de fertilizantes deve ser tratada como estratégica para o país. O Brasil possui matriz energética majoritariamente renovável e condições favoráveis para se tornar produtor global desses insumos.

No entanto, esse avanço depende de coordenação entre setores, investimentos consistentes e planejamento de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade externa e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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