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Boi gordo mantém estabilidade em São Paulo e registra valorização no Pará

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O mercado do boi gordo segue com comportamento estável em São Paulo, enquanto apresenta valorização em praças do Pará, refletindo um cenário de oferta restrita e escalas de abate encurtadas em diversas regiões do país.

De acordo com análise divulgada no informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, o mercado paulista iniciou a semana sustentado após as altas registradas anteriormente, mantendo os preços sem alterações relevantes.

Mercado do boi gordo em São Paulo segue firme

Em São Paulo, a combinação de oferta enxuta de animais prontos para o abate e escalas curtas continua sendo o principal fator de sustentação das cotações.

As indústrias operam, em média, com escalas de abate ao redor de seis dias, o que limita a pressão de baixa sobre os preços e mantém o mercado equilibrado.

Mesmo com tentativas pontuais de compra acima da referência — especialmente para grandes lotes — essas negociações não ocorreram em volume suficiente para alterar o patamar geral de preços.

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Cenário atual: oferta limitada sustenta mercado no Brasil

O momento atual do mercado do boi gordo é marcado por uma disponibilidade restrita de animais terminados, reflexo de retenção de oferta por parte dos pecuaristas e condições de pastagem ainda favoráveis em diversas regiões.

Esse cenário mantém o mercado firme em grande parte do país, com frigoríficos atuando de forma cautelosa na compra e priorizando a recomposição das escalas.

Além disso, a demanda externa, especialmente para exportação, segue contribuindo para a sustentação dos preços, mesmo diante de oscilações pontuais no consumo interno.

Pará registra alta nas cotações do boi gordo

Diferentemente de São Paulo, o Pará apresentou valorização em parte das praças monitoradas, impulsionado pela oferta reduzida e escalas igualmente curtas, que não ultrapassam seis dias.

  • Na região de Marabá:
    • Boi gordo: alta de R$ 2,00/@
    • Novilha: alta de R$ 2,00/@
    • Vaca: alta de R$ 3,00/@
  • Na região de Redenção:
    • Boi gordo: alta de R$ 6,00/@
    • Vaca: alta de R$ 2,00/@
    • Novilha: alta de R$ 2,00/@
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O chamado “boi China” também registrou valorização de R$ 2,00/@ nessas regiões, reforçando a demanda por animais com padrão de exportação.

Já em Paragominas, todas as categorias permaneceram com preços estáveis.

Rio de Janeiro mantém preços sem alterações

No Rio de Janeiro, o mercado seguiu firme, sem mudanças nas cotações de referência, acompanhando o cenário de equilíbrio observado em outras praças do Sudeste.

Perspectivas para o mercado do boi gordo

A tendência de curto prazo indica continuidade de um mercado sustentado, com viés de estabilidade a firmeza, especialmente enquanto persistirem:

  • oferta controlada de animais terminados
  • escalas de abate encurtadas
  • demanda externa aquecida

Movimentos mais expressivos de alta ou baixa devem depender da evolução da oferta nas próximas semanas e do comportamento das exportações.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Dependência de fertilizantes importados expõe agro brasileiro a riscos geopolíticos e acelera debate sobre transição verde

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A instabilidade geopolítica em regiões estratégicas para a produção de insumos agrícolas voltou a acender um alerta no agronegócio brasileiro: a forte dependência de fertilizantes importados. Conflitos recentes no Oriente Médio, somados aos impactos ainda sentidos da guerra entre Rússia e Ucrânia, afetam diretamente a oferta global desses produtos e pressionam os custos de produção no campo.

Atualmente, o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Esse percentual tem aumentado nos últimos anos, ampliando a exposição do país a riscos externos.

Brasil lidera importações globais de fertilizantes e amplia vulnerabilidade

Em 2025, o Oriente Médio respondeu por 16% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil. Considerando também países em regiões sensíveis, como Rússia e Venezuela, esse volume chega a 32% das importações nacionais.

O Brasil é hoje o maior importador mundial de fertilizantes, com crescimento médio de 3,8% ao ano entre 2014 e 2023, enquanto a média global foi de 0,8%, segundo dados da International Fertilizer Association (IFA).

Para especialistas, a baixa produção doméstica torna o país especialmente vulnerável. Além disso, a demanda segue em expansão impulsionada pela conversão de pastagens degradadas em áreas agrícolas, pela expansão dos sistemas integrados e pelo avanço da segunda safra.

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Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir dependência até 2050

Diante desse cenário, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), lançado em 2022, ganha relevância estratégica. O programa estabelece como meta reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050.

Entre as diretrizes estão:

  • Incentivo à produção nacional de fertilizantes
  • Modernização da indústria do setor
  • Melhorias na infraestrutura logística
  • Estímulo à inovação tecnológica

Apesar das metas, o avanço do plano enfrenta desafios importantes, como o alto custo do gás natural, gargalos logísticos e a necessidade de maior coordenação entre órgãos públicos e privados.

Fertilizantes verdes surgem como alternativa para reduzir emissões

Os fertilizantes verdes são apontados como uma alternativa estratégica para o setor, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental. Produzidos a partir de hidrogênio verde — obtido por eletrólise da água com energia renovável —, esses insumos podem reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa associadas à agricultura.

Segundo especialistas, além de diminuir a pegada de carbono, essa tecnologia pode aumentar a segurança no abastecimento ao reduzir a dependência de importações.

Tecnologia ainda enfrenta barreiras de custo e escala

Apesar do potencial, a escalabilidade dos fertilizantes verdes ainda enfrenta desafios relevantes. O principal deles é o custo de produção, que pode ser até oito vezes superior ao dos fertilizantes convencionais, baseados em combustíveis fósseis.

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A viabilização dessa tecnologia depende de políticas públicas de incentivo, contratos de longo prazo e mecanismos como o mercado de carbono.

Uso eficiente de fertilizantes pode reduzir emissões no campo

Além da substituição tecnológica, especialistas destacam que o uso mais eficiente dos fertilizantes no campo também é fundamental. O manejo adequado pode reduzir desperdícios e emissões de óxido nitroso (N₂O), um gás com potencial de aquecimento global 265 vezes superior ao CO₂.

No Brasil, esse gás representa cerca de 6% das emissões provenientes do setor agrícola.

Transição verde é vista como estratégica para o futuro do agro

Para especialistas do setor, a agenda de fertilizantes deve ser tratada como estratégica para o país. O Brasil possui matriz energética majoritariamente renovável e condições favoráveis para se tornar produtor global desses insumos.

No entanto, esse avanço depende de coordenação entre setores, investimentos consistentes e planejamento de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade externa e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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