Agro News

Brasil e China seguem no diálogo sobre sustentabilidade e transparência nas cadeias produtivas agropecuárias

Publicado

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recebeu, na sexta-feira (19), delegação chinesa ligada à Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS). A agenda principal do encontro foi a sustentabilidade e a transparência nas cadeias produtivas agropecuárias, além das experiências e avanços dos dois países nesses assuntos.

A comitiva esteve com o secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo, Pedro Neto, que destacou a importância dos diálogos Brasil x China, especialmente para a construção de um entendimento comum sobre aspectos de produção sustentável relevantes para os dois países. Nesse contexto, o secretário ressaltou a robustez do marco regulatório brasileiro para as atividades agropecuárias, dando ênfase à importância do Código Florestal Brasileiro como marco legal que alia a preservação da vegetação nativa ao uso sustentável do solo.

No encontro, foram apresentadas duas importantes iniciativas de políticas públicas desenvolvidas no Brasil. A primeira foi a Plataforma AgroBrasil+Sustentável, uma ferramenta digital governamental que integra dados oficiais para gerar informações rastreáveis e confiáveis sobre a produção agropecuária sustentável no país, facilitando o acesso do produtor a políticas públicas e mercados. Para Pedro Neto, “um dos maiores desafios dos produtores brasileiros é comprovar que seguem a legislação ambiental sem promover desmatamento. Por isso, o Mapa desenvolveu a Plataforma AgroBrasil+Sustentável, ferramenta digital oficial que promove transparência e evidencia o compromisso da produção agropecuária brasileira com a sustentabilidade”.

Leia mais:  Colheita do café chega a 84% apesar do atraso provocado pelo clima

A outra iniciativa apresentada foi o Caminho Verde Brasil, programa que incentiva o aumento da produção sem abertura de novas áreas, priorizando a recuperação de pastagens degradadas. A meta é restaurar até 40 milhões de hectares nos próximos dez anos, transformando-os em áreas agricultáveis de alta produtividade. A apresentação do Caminho Verde foi feita pelo coordenador-geral de Promoção de Investimentos Estrangeiros e Cooperação do Mapa, André Okubo, que ressaltou que a proposta é transformar um passivo ambiental em oportunidade, ampliando a produção de alimentos sem comprometer nossos biomas.

Representando a comitiva chinesa, o diretor-geral do Instituto de Economia e Desenvolvimento Agrícola da CAAS, Hu Xiangdong, destacou a similaridade entre a instituição e a Embrapa e apontou oportunidades de aprofundar a cooperação técnica e científica. “Podemos fortalecer nossas relações para além do comércio, ampliando parcerias em inovação e desenvolvimento agrícola”, declarou.

Brasil e China têm uma relação diplomática e de amizade que já dura cinco décadas e contam com um ambiente de diálogo e cooperação estruturado na Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Consulta e Cooperação (COSBAN), onde acontecem as discussões estratégicas sobre temas relevantes. Além disso, os dois países seguem conversando sobre sustentabilidade nas cadeias produtivas agropecuárias como forma de fortalecer os vínculos de cooperação e também comerciais, especialmente em um momento de oportunidade geopolítica.

Leia mais:  Produção elevada no Brasil pressiona preços do açúcar e exportações recuam em agosto

Ao final do encontro, o secretário Pedro Neto enfatizou que as duas iniciativas se complementam e projetam o agronegócio brasileiro como referência internacional em sustentabilidade.

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

Publicado

O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

Leia mais:  Colheita do café chega a 84% apesar do atraso provocado pelo clima

Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

Leia mais:  Produção elevada no Brasil pressiona preços do açúcar e exportações recuam em agosto

O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana