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Brasil participa de intercâmbio internacional sobre estratégias nacionais de biodiversidade

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Entre os dias 29 de setembro e 4 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) participou da segunda etapa do intercâmbio internacional sobre Estratégias e Planos de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb). Além do Brasil, o encontro reuniu representantes da Indonésia, país que sediou o evento, e da República Democrática do Congo, nações consideradas megadiversas, com concentração de grande parte da biodiversidade e das florestas tropicais do planeta.

A pasta foi representada pelo diretor do Departamento de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais, Braulio Dias. A diretora de Biodiversidade e Florestas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Lívia Martins; o diretor de Pesquisa Científica do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Leonardo Salgado; e a diretora de Fomento Florestal do Serviço Florestal Brasileiro, Clarisse Cruz, também participaram.

Segundo Braulio Dias, o intercâmbio “identificou temas e instrumentos de política a serem aprofundados nas próximas etapas da cooperação estratégica entre Brasil, Indonésia e Congo”.

As atividades incluíram o diálogo sobre mecanismos de capacitação, monitoramento, financiamento e comunicação das metas nacionais de biodiversidade. O planejamento e a coordenação das Epanbs, a gestão comunitária de áreas protegidas e as OMECs (Outras Medidas Eficazes de Conservação Baseadas em Área), a conservação in situ e ex situ de espécies ameaçadas, o manejo florestal e a restauração de áreas degradadas também estiveram na pauta.

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As discussões abordaram ainda o acesso a recursos genéticos e a repartição de benefícios, a promoção da sinergia na implementação das três Convenções do Rio e os mecanismos financeiros inovadores, como Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), que fará pagamentos a países que garantam a conservação dessas florestas.

As Epanbs são instrumentos fundamentais de planejamento para o cumprimento dos compromissos assumidos pelos países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). Cada plano reúne diretrizes, objetivos e metas, além de prever ações de monitoramento, financiamento e comunicação para assegurar a conservação e o uso sustentável da biodiversidade bem como o acesso a recursos genéticos e aos conhecimentos tradicionais associados e a repartição de benefícios. Saiba mais aqui.

O encontro foi promovido pelo MMA, em parceria com o projeto “Fortalecimento da Implementação Nacional das Metas Globais de Biodiversidade (Implementação do GBF)”, que conta com o apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento (GIZ) e da Parceria de Aceleração de Implementação das Epanbs.

A primeira etapa foi realizada no Brasil, entre 20 e 27 de abril de 2025, com atividades oficiais no Rio de Janeiro, em Brasília e em Belém. Saiba mais aqui.  

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Sobre a Epanb 

A nova Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb) do Brasil foi estabelecida junho deste ano, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ação é o principal instrumento de planejamento para a implementação da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). Coordenada pelo MMA, a Epanb define metas, estratégias e ações que orientam políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade, ao uso sustentável dos recursos naturais e à repartição justa e equitativa dos benefícios gerados pelo patrimônio genético e pelos conhecimentos tradicionais associados. 

O Brasil foi um dos primeiros países a elaborar a estratégia nacional, que é alinhada o Marco Global de Kunming-Montreal e à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Saiba mais aqui.    

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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