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Café brasileiro mantém cautela nos negócios apesar de suporte externo

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O mercado brasileiro de café inicia esta quinta-feira (9) com postura cautelosa nas negociações, mesmo diante de um ambiente externo que ainda oferece suporte às cotações. A combinação de alta recente na Bolsa de Nova York, recuo do dólar e expectativa pela entrada da nova safra mantém produtores mais seletivos nas vendas.

Mercado físico de café no Brasil opera com negociações pontuais

A tendência para o mercado físico é de movimentação moderada, com negócios ocorrendo de forma pontual, conforme a necessidade dos produtores. A valorização do café arábica no exterior contrasta com a queda do dólar frente ao real, o que limita avanços mais expressivos nos preços internos.

Além disso, compradores seguem atentos à chegada da nova safra, o que reduz o apetite por volumes maiores no curto prazo.

Preços do café arábica sobem no Brasil; conilon permanece estável

Na quarta-feira (8), o mercado registrou alta nos preços do café arábica, enquanto o conilon apresentou estabilidade.

  • Sul de Minas Gerais: arábica bebida boa (15% de catação) subiu para R$ 1.860 a R$ 1.870/saca, ante R$ 1.830 a R$ 1.840
  • Cerrado Mineiro: arábica bebida dura (15%) avançou para R$ 1.880 a R$ 1.890/saca, contra R$ 1.850 a R$ 1.860
  • Zona da Mata de Minas Gerais: arábica tipo “rio” (20%) foi para R$ 1.360 a R$ 1.370/saca, ante R$ 1.340 a R$ 1.350

Já o café conilon em Vitória (ES) manteve os preços:

  • Tipo 7: R$ 890 a R$ 900/saca
  • Tipo 7/8: R$ 880 a R$ 890/saca
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Bolsa de Nova York tem recuperação técnica e sustenta mercado

A Bolsa de Nova York (ICE Futures US) registrou forte alta na quarta-feira, impulsionada por uma recuperação técnica após quedas recentes e pela cobertura de posições vendidas.

O contrato maio/2026 fechou cotado a 294,05 centavos de dólar por libra-peso, com valorização de 2,8%. Já o contrato julho/2026 encerrou a 289,30 centavos, também com ganho de 2,8%.

Para esta quinta-feira, o mercado apresenta leve ajuste, com recuo marginal de 0,03%, indicando estabilidade após a forte alta anterior.

Dólar em queda limita ganhos no mercado interno

O câmbio segue como fator importante para o mercado doméstico. O dólar comercial recua 0,11%, cotado a R$ 5,0965, enquanto o índice do dólar (DXY) também apresenta queda.

A desvalorização da moeda norte-americana reduz a competitividade das exportações brasileiras, limitando repasses mais intensos das altas internacionais para os preços internos.

Estoques certificados de café avançam levemente

Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados da ICE somam 548.544 sacas de 60 kg, com aumento de 1.824 sacas em relação ao dia anterior.

Esse crescimento, embora moderado, é acompanhado de perto pelo mercado, por refletir a disponibilidade de café para entrega imediata.

Exportações de café recuam em volume e receita diária

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram queda significativa nas exportações brasileiras em março:

  • Volume total: 2,52 milhões de sacas
  • Média diária: 114,6 mil sacas
  • Receita total: US$ 998,07 milhões
  • Preço médio: US$ 395,80 por saca
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Na comparação com março de 2025:

  • Receita média diária caiu 30,5%
  • Volume diário recuou 31%
  • Preço médio subiu 0,7%
Exportações globais apresentam queda mensal, mas alta na safra

Segundo a Organização Internacional do Café (OIC), as exportações globais de café somaram 11,46 milhões de sacas em fevereiro, queda de 5,7% na comparação anual.

Por outro lado, no acumulado da safra 2025/26 (outubro a fevereiro), os embarques cresceram 4,5%, totalizando 57,77 milhões de sacas.

No recorte por tipo:

  • Arábica: queda de 3,22% em 12 meses (83,63 milhões de sacas)
  • Robusta: alta de 14% (59,15 milhões de sacas)
  • Cenário financeiro global influencia commodities

O ambiente macroeconômico também impacta o mercado de café:

  • Bolsas da Ásia fecharam em queda (China -0,72%; Japão -0,73%)
  • Europa opera em baixa (Paris -0,63%; Frankfurt -1,03%; Londres -0,22%)
  • Petróleo WTI avança 4,72%, cotado a US$ 98,87 por barril
Perspectiva: mercado segue atento à safra e ao câmbio

O mercado de café segue sustentado por fatores externos, como a recuperação técnica em Nova York e a redução nos embarques globais. No entanto, a cautela no Brasil permanece, diante da proximidade da nova safra e da influência do câmbio.

A tendência no curto prazo é de continuidade nas negociações pontuais, com produtores atentos a melhores oportunidades de preço e compradores adotando postura seletiva.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.

A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.

Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.

A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.

O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.

Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.

A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.

Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.

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Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.

“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.

Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.

Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.

Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.

Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.

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As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.

Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.

Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.

A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.

A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.

Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.

Fonte: Pensar Agro

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