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Café sobe nas bolsas internacionais após queda e mercado monitora safra brasileira

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O mercado futuro do café iniciou o pregão desta quinta-feira (12) com valorização nas principais bolsas internacionais, após registrar quedas expressivas na sessão anterior. Os contratos de café arábica negociados em Nova York e de robusta em Londres avançavam nas primeiras horas do dia, refletindo um movimento de recuperação técnica do mercado.

Apesar da alta na abertura, o setor segue atento às perspectivas de produção para a safra brasileira de 2026 e às condições climáticas nas principais regiões produtoras do mundo, fatores que continuam influenciando a volatilidade das cotações.

Café arábica abre em alta na Bolsa de Nova York

Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos futuros do café arábica registravam valorização nos principais vencimentos durante o início do pregão desta quinta-feira.

O contrato com vencimento em março de 2026 era negociado a 300,85 cents por libra-peso, com alta de 8,85 cents em relação ao fechamento anterior.

Outros vencimentos também apresentavam avanço:

  • Maio/2026: 295,25 cents por libra-peso, alta de 7,85 cents (+2,73%)
  • Julho/2026: 289,40 cents por libra-peso, com ganho de 7,20 cents

O movimento de recuperação ocorre após as perdas registradas no pregão anterior, quando o mercado sofreu forte pressão de venda.

Café robusta também registra valorização em Londres

Na ICE Europe, em Londres, os contratos futuros do café robusta também operavam em alta.

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O contrato maio/2026 era negociado a US$ 3.628 por tonelada, com valorização de US$ 75, equivalente a 2,11%. Durante o início do pregão, o vencimento oscilou entre US$ 3.553 e US$ 3.650, com abertura em US$ 3.575.

Entre os demais contratos negociados na bolsa:

  • Março/2026: indicado a US$ 3.639 por tonelada
  • Julho/2026: cotado a US$ 3.530 por tonelada, com alta de US$ 64

Assim como no mercado de arábica, a valorização é vista como um movimento de ajuste técnico após as quedas recentes.

Sessão anterior foi marcada por forte queda em Nova York

Na quarta-feira (11), o café arábica encerrou o pregão com desvalorização acentuada na Bolsa de Nova York.

Os contratos com entrega em maio de 2026 fecharam a 287,40 cents por libra-peso, com queda de 8,40 cents, ou 2,8%.

Já o vencimento julho de 2026 encerrou o dia cotado a 282,20 cents por libra-peso, registrando recuo de 7,90 cents, equivalente a 2,7%.

Segundo operadores, fatores técnicos contribuíram para a pressão negativa. O mercado não conseguiu superar a resistência próxima de 300 cents por libra-peso, sinalizando fragilidade técnica após as altas recentes.

Expectativa de grande safra brasileira pressiona mercado

Entre os fatores fundamentais que influenciaram a queda da sessão anterior estão as perspectivas de uma safra robusta no Brasil em 2026.

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As condições climáticas consideradas favoráveis nas principais regiões produtoras brasileiras reforçam as expectativas de uma produção elevada no maior produtor mundial de café.

Além disso, o aumento recente nos estoques certificados de café na Bolsa de Nova York também contribuiu para melhorar a percepção de oferta no mercado, fator que tende a pressionar as cotações.

Clima e comportamento dos produtores seguem no radar

O mercado também monitora o desenvolvimento das lavouras em outras origens importantes, como o Vietnã, maior produtor mundial de café robusta.

De acordo com analistas do setor, as condições climáticas nas principais regiões produtoras têm sido consideradas favoráveis até o momento.

Ao mesmo tempo, as oscilações recentes nos preços influenciam o ritmo de comercialização por parte dos produtores. Em períodos de maior volatilidade, muitos optam por ajustar o volume de vendas, aguardando momentos considerados mais favoráveis nas cotações.

Com isso, o mercado do café segue marcado por forte sensibilidade às expectativas de produção, ao comportamento do clima e aos movimentos técnicos nas bolsas internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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