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Cápsulas de alho se mostram alternativa eficaz e natural contra parasitas do pirarucu na piscicultura

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Pesquisadores da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) identificaram que cápsulas de alho (Allium sativum), vendidas em farmácias, podem ser utilizadas como uma solução natural para controlar parasitas que afetam alevinos de pirarucu (Arapaima gigas), peixe de alto valor comercial e símbolo da Amazônia. A descoberta aponta para uma redução no uso de produtos químicos, melhoria no bem-estar animal e diminuição de perdas na produção.

Publicado na revista Veterinary Parasitology, o estudo mostrou que o alho foi eficaz contra dois parasitas comuns: os protozoários tricodinídeos e o verme das brânquias Dawestrema cycloancistrium. Estes organismos podem causar mortalidade em larga escala nos criadouros.

Metodologia do experimento com alho

A pesquisa testou diferentes concentrações de alho em banhos estáticos de 96 horas: 2,5 mg; 5 mg; 7,5 mg e 10 mg por litro de água. Os resultados mostraram:

  • Monogeneas (D. cycloancistrium): redução de 33,5% a 42,9% da infestação, mesmo nas doses mais baixas, sem toxicidade para os peixes.
  • Tricodinídeos: eficácia de 77% com 5 mg/L em quatro dias, diminuindo significativamente a presença de protozoários nas brânquias.

As cápsulas utilizadas tinham 500 mg e 1.000 mg de alho, e os pesquisadores calcularam as dosagens conforme a concentração necessária no litro de água. Para identificar os protozoários mortos, o muco dos peixes foi analisado com corante específico, permitindo quantificação sob microscópio.

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Segurança e ausência de efeitos adversos

Durante o experimento, não houve mortalidade nem alterações comportamentais nos alevinos. A pesquisadora Patrícia Oliveira Maciel Honda, coordenadora do estudo, destacou que o alho se mostra promissor como alternativa fitoterápica, especialmente na concentração de 5 mg/L por quatro dias de tratamento. Apesar de ser conhecido por efeito imunoestimulante, nenhum benefício adicional nesse sentido foi observado nos peixes avaliados.

Momentos ideais para aplicação do tratamento

O tratamento com alho é recomendado durante o treinamento alimentar dos alevinos, quando eles são colocados em caixas d’água para adaptação à ração. O ideal é observar sinais clínicos de parasitismo, como inapetência, flashing (coçar-se nas laterais do tanque), apatia, brânquias pálidas ou escurecimento da pele (melanose). Peixes com sintomas avançados devem ser descartados, e o tratamento deve ser aplicado de forma profilática ao restante do lote.

Outro momento adequado é antes do transporte dos alevinos, período em que o estresse pode reduzir a imunidade, aumentando a vulnerabilidade aos parasitas.

Combinação com sal e alternativas químicas

Estudos anteriores coordenados por Maciel, publicados no Journal of Fish Diseases, comprovaram a eficácia do cloreto de sódio (sal de cozinha) e do triclorfon no combate ao parasita D. cycloancistrium. Resultados demonstraram:

  • Banhos curtos com sal (12 g/L durante 4 horas/dia por 4 dias): 91% de eficácia.
  • Banhos longos com sal (10 g/L por 24h, repetidos por 3 dias): 99% de eficácia, mas com maior mortalidade.
  • Triclorfon: eficácia de 84% nos banhos curtos e 97% nos longos, também com maior mortalidade.
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A pesquisa concluiu que banhos longos não são indicados para peixes muito parasitados, pois o animal debilitado não resiste ao tratamento químico.

Perspectivas para o uso de fitoterápicos na aquicultura

O estudo reforça o potencial do alho como alternativa natural na piscicultura, sem efeitos adversos registrados. A Embrapa está aberta a parcerias com indústrias para desenvolvimento de produtos fitoterápicos, inclusive para avaliação de custos e aplicação em campo. Empresas interessadas podem contatar o órgão pelo e-mail: [email protected].

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Dependência de fertilizantes importados acende alerta no agronegócio brasileiro, diz Massari Fértil

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A combinação de tensões geopolíticas, oscilações cambiais e disputas globais por insumos estratégicos tem aumentado a pressão sobre as cadeias produtivas em todo o mundo. No Brasil, esse cenário evidencia uma fragilidade estrutural do agronegócio: a alta dependência de fertilizantes importados.

Para a Massari Fértil e a Morro Verde, empresas especializadas em soluções para a agricultura tropical, o momento exige uma resposta estratégica voltada à redução de riscos e ao fortalecimento da autonomia produtiva do setor.

Brasil depende de importações para suprir 80% dos fertilizantes

Atualmente, cerca de 80% dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Essa concentração do abastecimento em poucos mercados, como Rússia, Canadá, China e Marrocos, aumenta a exposição do país a restrições comerciais, sanções econômicas e instabilidades logísticas.

O impacto dessa dependência recai diretamente sobre os custos de produção, a previsibilidade das safras e a competitividade do produtor rural brasileiro.

Fertilizantes são essenciais para culturas estratégicas do agro

Os fertilizantes são insumos fundamentais para culturas como soja, milho, café e cana-de-açúcar, que representam parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio.

Sua atuação começa nas fases iniciais do plantio e influencia diretamente a produtividade final das lavouras, tornando o setor altamente sensível a qualquer ruptura no fornecimento. Episódios recentes, como a guerra no Leste Europeu e os impactos logísticos pós-pandemia, reforçaram essa vulnerabilidade.

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Especialistas apontam necessidade de revisão estrutural do setor

De acordo com o CEO da Massari, Sérgio Saurin, o cenário atual exige uma revisão estrutural na estratégia do agronegócio brasileiro.

Segundo ele, embora o país tenha se consolidado como potência global, parte desse crescimento foi sustentada por insumos externos, o que hoje se mostra um fator de risco.

O executivo defende a ampliação da produção nacional de fertilizantes como forma de reduzir a dependência externa e aumentar a segurança do setor.

Custos logísticos e câmbio ampliam desafios para o produtor

Além da dependência de importações, fatores como o aumento do frete marítimo, a concentração da oferta global e as variações cambiais tornam o planejamento agrícola mais complexo.

Em períodos de crise, esses elementos podem comprometer o acesso a insumos essenciais, pressionar margens de lucro e gerar instabilidade em toda a cadeia produtiva.

Brasil possui potencial para expandir produção nacional

O Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua produção de fertilizantes. O país possui reservas relevantes de minerais estratégicos, como fosfato e potássio, além de conhecimento técnico consolidado em agricultura tropical.

Estudos da Embrapa indicam que o território nacional tem potencial para expandir significativamente a produção de insumos agrícolas, desde que haja avanços em infraestrutura, segurança jurídica e estímulo a investimentos.

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Desafio é transformar potencial em capacidade produtiva

Para Sérgio Saurin, o principal desafio está em transformar esse potencial em produção efetiva. Ele destaca a necessidade de um ambiente regulatório mais previsível, maior incentivo ao investimento privado e melhor integração entre os elos da cadeia produtiva.

Produção local pode reforçar sustentabilidade e inovação no agro

O fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes também está ligado a agendas de inovação e sustentabilidade. O desenvolvimento de soluções adaptadas aos solos tropicais pode aumentar a eficiência agronômica, reduzir perdas e ampliar práticas agrícolas mais sustentáveis.

Além disso, contribui para diminuir a dependência de produtos importados e padronizados.

Caminho é de transição gradual, aponta setor

Embora a substituição total das importações não seja viável no curto prazo, iniciativas de produção local e diversificação de fornecedores já indicam uma mudança gradual no setor.

Para a Massari Fértil e a Morro Verde, acelerar esse processo é fundamental para aumentar a resiliência do agronegócio brasileiro diante de um cenário global considerado cada vez mais instável.

Segundo o executivo, o país tem condições de estruturar uma cadeia de fertilizantes mais robusta, com maior segurança de abastecimento, estabilidade de custos e ganho de competitividade no longo prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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