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Carne do Pampa Gaúcho reforça debate sobre rastreabilidade e mercado externo na Abertura da Colheita do Arroz

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O segundo dia da 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizado nesta terça-feira (25), na sede da Embrapa Clima Temperado, foi marcado por um painel sobre a Indicação Geográfica (IG) da Carne do Pampa Gaúcho e os desafios de mercado enfrentados pela pecuária de corte no Bioma Pampa.

O debate, moderado pelo diretor jurídico da Federarroz, Anderson Belloli, reuniu produtores, pesquisadores e lideranças do agronegócio regional interessados em ampliar o posicionamento da carne gaúcha no mercado nacional e internacional.

Bioma Pampa é diferencial competitivo da pecuária gaúcha

Abrindo as apresentações, o presidente da Apropampa, Custódio Magalhães, destacou que o maior trunfo competitivo do Rio Grande do Sul está na singularidade do Bioma Pampa, responsável por cerca de 90% da pecuária de corte do Estado, em uma área de 18 milhões de hectares.

“Argentina e Uruguai se destacam porque concentram sua pecuária no Bioma Pampa, o que confere qualidade e sabor diferenciados à carne. O Rio Grande do Sul possui o mesmo potencial, mas ainda explora pouco essa vantagem como estratégia de mercado”, afirmou Magalhães.

Segundo ele, o programa Pampa Gaúcho busca qualificar o rebanho, ampliar a rastreabilidade animal e garantir o acesso a novos mercados internacionais, valorizando a origem e a identidade do produto.

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Programa de Indicação Geográfica estimula qualidade e bonificação

A técnica da Apropampa, Gabrielly Rosa Moraes, apresentou os resultados do programa Pampa Gaúcho Indicação Geográfica, desenvolvido em parceria com o Frigorífico Silva.

Ela explicou que o sistema de bonificação valoriza produtores que atendem aos critérios técnicos de programas de certificação consolidados, como o Programa Angus e o Programa Carne Hereford, além de exigências mínimas de peso de carcaça de 210 quilos para machos e fêmeas.

“O objetivo é recompensar quem entrega qualidade e cumpre as boas práticas exigidas pelos padrões de Indicação Geográfica, fortalecendo a confiança entre produtores, frigoríficos e consumidores”, ressaltou Gabrielly.

Desempenho e rastreabilidade como metas do setor

O professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Fabiano Nunes Vaz, reforçou que o consumidor moderno busca transparência e rastreabilidade na origem dos alimentos.

“O Rio Grande do Sul precisa avançar nesses conceitos e adotar modelos produtivos mais eficientes, como o confinamento estratégico. Enquanto estados como Goiás, Mato Grosso e Tocantins já superam 20 arrobas por animal, ainda temos médias de carcaça inferiores”, observou o pesquisador.

Carne gaúcha mira expansão no mercado internacional

Encerrando o painel, o médico veterinário Alexandre Prates Machado, do Frigorífico Silva, destacou o esforço da indústria em ampliar a presença da carne certificada do Pampa Gaúcho no exterior.

“Apesar do reconhecimento pela qualidade e genética, a carne brasileira ainda é vista no mercado internacional pelo volume e não pelo padrão premium. Nosso foco é mudar essa percepção, posicionando a carne gaúcha como um produto diferenciado”, afirmou Machado.

Atualmente, o frigorífico exporta para Singapura, Alemanha, Suíça, Líbano, Itália e México, com foco na carne certificada e rastreada.

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Evento conecta campo e mercado

Com o tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”, a Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas é uma realização da Federarroz, com correalização da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), e patrocínio premium do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

O evento reforça o papel estratégico da integração entre os diferentes segmentos do agronegócio, estimulando a inovação e a competitividade no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Embrapa investe quase R$ 60 milhões em nova unidade para o Matopiba

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai investir R$ 58,9 milhões na reestruturação da sua unidade no Maranhão, em um movimento que reforça a presença da instituição no Matopiba — região que se consolidou como a principal fronteira de expansão agrícola do país.

O aporte inclui R$ 43,9 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de R$ 10 milhões do Governo do Maranhão e R$ 5 milhões da bancada federal do estado.

A nova sede será instalada no campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís, e integra o processo de reorganização da Embrapa no estado, que também prevê a contratação de 50 novos empregados aprovados em concurso público.

O projeto está inserido em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da pesquisa aplicada ao Cerrado e à Amazônia Legal, com foco especial no Matopiba — que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A região representa hoje cerca de 33% do território maranhense e se consolidou como uma das áreas mais dinâmicas da expansão agrícola brasileira, com forte avanço de soja, milho e algodão nas últimas duas décadas.

Embora o Brasil já seja o maior produtor mundial de soja, com produção próxima de 180 milhões de toneladas por safra, o crescimento recente da oferta tem sido puxado justamente por novas áreas do Cerrado, com destaque para o Matopiba.

No Maranhão, esse processo convive com forte dualidade: de um lado, o avanço da agricultura moderna e mecanizada; de outro, indicadores sociais ainda baixos, com o estado entre os menores Índices de Desenvolvimento Humano do país e elevada concentração de pobreza rural.

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A nova estrutura da Embrapa será equipada com laboratórios de alta complexidade, incluindo centrais analíticas, unidades de bioinsumos, agroindústria piloto e um laboratório voltado à redução de emissões de metano na pecuária — o primeiro do tipo na Amazônia e no Nordeste.

O Matopiba — formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — é hoje uma das áreas de maior expansão agrícola do Brasil e já reúne uma produção estimada em cerca de 32 a 35 milhões de toneladas de grãos por safra, segundo levantamentos setoriais recentes, com forte concentração em soja, milho e algodão.

Na soja, principal cultura da região, a participação do Matopiba já gira em torno de 10% a 14% da produção brasileira, dependendo da safra e da metodologia de cálculo, com crescimento acelerado sobre áreas de Cerrado antes consideradas de baixa aptidão agrícola.

O Brasil, maior produtor global de soja, colheu cerca de 180 milhões de toneladas na safra mais recente, segundo dados consolidados da Conab. Nesse contexto, o avanço do Matopiba tem sido um dos principais vetores de aumento de oferta, especialmente nas últimas duas décadas.

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Além da soja, a região tem ganhado relevância na produção de milho segunda safra e algodão, com destaque para áreas do oeste da Bahia e sul do Maranhão, onde a agricultura altamente mecanizada se consolidou com uso intensivo de tecnologia, correção de solo e integração de sistemas produtivos.

Apesar do avanço, o Matopiba ainda concentra gargalos estruturais importantes. Logística de escoamento, dependência de corredores como Norte-Sul e Arco Norte, e limitações de armazenagem seguem como pontos críticos que impactam o custo final da produção e a competitividade em relação a regiões tradicionais como Centro-Oeste e Sul.

É nesse cenário que a ampliação da presença da Embrapa ganha peso estratégico. A instituição é responsável por desenvolver tecnologias adaptadas ao Cerrado, como cultivares mais tolerantes a solos ácidos, sistemas de plantio direto e manejo de baixa emissão de carbono, fundamentais para sustentar a expansão agrícola na região.

A nova estrutura no Maranhão deve reforçar esse eixo de pesquisa aplicada, aproximando o desenvolvimento tecnológico das áreas de expansão produtiva, onde o crescimento da agricultura ocorre em ritmo mais acelerado do país.

Na prática, o Matopiba já se consolidou como uma das últimas grandes fronteiras agrícolas ainda em expansão no território nacional, com papel direto na ampliação da oferta de grãos e na sustentação do crescimento das exportações do agronegócio brasileiro.


Fonte: Pensar Agro

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