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Carne suína: mercado interno pressionado mantém preços estáveis, com exportações dando suporte

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Mercado de carne suína enfrenta estabilidade em meio a demanda fraca

O mercado brasileiro de carne suína registrou uma semana de preços estáveis tanto para o quilo vivo quanto para os principais cortes no atacado. O cenário foi marcado por um ritmo de negócios mais intenso, porém com dificuldades para avanços nas cotações.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, o ambiente seguiu desafiador para a formação de preços, refletindo um equilíbrio delicado entre oferta e demanda.

Indústria adota postura cautelosa nas compras

A indústria frigorífica atuou de forma mais cautelosa ao longo da semana, avaliando que o processo de reposição entre atacado e varejo deve seguir difícil até o encerramento do mês.

Segundo o analista, fatores como a perda de poder de compra da população e os preços mais competitivos da carne de frango influenciam negativamente o consumo de carne suína no mercado interno.

Esse cenário reduz o ritmo de escoamento na ponta final da cadeia, pressionando a formação de preços e limitando movimentos de alta.

Exportações sustentam parcialmente o mercado

Apesar das dificuldades no mercado doméstico, o desempenho das exportações brasileiras de carne suína tem sido um fator importante de sustentação para os preços.

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O bom fluxo de embarques ajuda a equilibrar a oferta interna e impede quedas mais acentuadas nas cotações, funcionando como um suporte relevante para o setor.

Preços do suíno vivo e cortes apresentam leve variação

Levantamento da Safras & Mercado apontou leve recuo no preço médio do quilo do suíno vivo no país, que passou de R$ 6,60 para R$ 6,59 na semana.

No atacado, os preços dos cortes permaneceram estáveis, com a carcaça cotada, em média, a R$ 10,15 por quilo, enquanto o pernil foi negociado a R$ 12,04 por quilo.

Cotações regionais do suíno vivo

No mercado paulista, a arroba suína recuou de R$ 133,00 para R$ 132,00.

Nos demais estados acompanhados, predominou a estabilidade:

  • Rio Grande do Sul: R$ 6,35/kg na integração e R$ 6,90/kg no interior
  • Santa Catarina: R$ 6,35/kg na integração e R$ 6,65/kg no interior
  • Paraná: R$ 6,85/kg no mercado livre e R$ 6,40/kg na integração
  • Mato Grosso do Sul: R$ 6,50/kg em Campo Grande e R$ 6,30/kg na integração
  • Goiás (Goiânia): R$ 6,50/kg
  • Minas Gerais (interior): R$ 6,60/kg, com R$ 6,80/kg no mercado independente
  • Mato Grosso (Rondonópolis): R$ 6,50/kg e R$ 6,20/kg na integração
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Exportações de carne suína avançam em março

Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que as exportações brasileiras de carne suína “in natura” somaram US$ 224,939 milhões em março, considerando 15 dias úteis.

A média diária foi de US$ 14,996 milhões, com volume total de 89,282 mil toneladas e média diária de 5,952 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.519,4 por tonelada.

Na comparação com março de 2025, houve crescimento de 10,5% no valor médio diário exportado, avanço de 10,2% no volume médio diário e leve alta de 0,3% no preço médio.

Tendência para o mercado de carne suína

O mercado de carne suína deve seguir enfrentando um ambiente desafiador no curto prazo, com consumo interno enfraquecido e forte concorrência com outras proteínas.

Por outro lado, o bom desempenho das exportações tende a continuar oferecendo suporte às cotações, evitando quedas mais expressivas e mantendo o equilíbrio do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Antônio José dos Santos, o “Zé da baga”: a memória viva da pesca em Balneário Camboriú (SC)

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A cidade mudou com o tempo. As ruas ganharam novos prédios, o comércio se expandiu e o litoral passou a viver uma rotina intensa, de sol, movimento e turismo. Balneário Camboriú em meio às transformações mantém uma linha que não se rompe: a pesca como tradição, trabalho e identidade.  

No vai e vem da praia, há um nome que atravessa décadas, Antônio José dos Santos, conhecido por muitos como “Zé da baga, apelido herdado de seu pai. Nascido em 17 de novembro de 1952, ele carrega no corpo e na voz a marca de quem viveu mais de 60 anos de pesca. Para ele, o mar não é paisagem, é sustento, é história, é energia. “A pesca é a fonte de energia na vida. É a riqueza dos pescadores, a vida de quem sobrevive da pesca.”  

A narrativa do Zé da baga começa antes de Balneário Camboriú virar cidade do jeito que se vê hoje. Na sua época, não havia o cenário de fartura que muita gente imagina quando ouve “pesca”. Havia dificuldade, mas também havia esforço.  

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

Da “roça” na praia ao aprendizado ensinado na comunidade  

Zé da baga, tataraneto de pescador, lembra que, na juventude, em torno da praia era roça e mato”. Para buscar os peixes, vinham de carroça e de carro antigo no caminho até o ponto onde a pesca começava. Era um tempo em que a sobrevivência dependia do que o mar entregava.  

E foi assim que ele aprendeu, não só na família, mas na comunidade. Com 14 anos, um primo ensinou o ofício onde viviam, no litoral norte catarinense. Desde então, a pesca passou a ser mais do que trabalho, virou herança. “Desde meus pais e meus avôs eu segui com a pesca. Toda a vida foi isso”, conta Zé com a voz embargada.  

As gerações anteriores, segundo ele, também eram todas de Balneário Camboriú, no bairro, Antônio diz que a história da pesca se confundia com a história das famílias. E é nesse ponto que o rancho e as redes ganham importância não como equipamentos, mas como memória viva. 

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

O rancho da Selma e as redes de origem familiar  

Quando se fala em pesca tradicional em Balneário Camboriú, muitos citam lugares e famílias. Um dos símbolos é o Rancho da Selma, onde a estrutura e as redes guardam histórias que atravessam gerações.   

Zé da baga explica que a rede que existe no rancho tem ligação com famílias tradicionais da cidade. A rede é de origem da família Damasceno, e lembra que, por último, a rede era do Fernando, mas antes pertencia ao pai dele, José Fernandes Damasceno, conhecido como Zé da Bilica 

Assim, o rancho não é só um ponto físico, mas um arquivo de relações, parentesco e continuidade.  

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Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

Tecnologia para enxergar: a arte de ler vento, lua e cardume  

Com o passar dos anos, algumas coisas mudaram. Zé da baga reconhece que hoje existe tecnologia e que ela pode ajudar a entender movimentos no mar: “Tecnologia ajuda um pouco pra ter noção do movimento dos cardumes, conseguimos ver o ponto certo onde eles estão para cercar com a rede.”  

Mesmo com instrumentos modernos, ele defende que a pesca continua sendo sobretudo interpretação do ambiente. O melhor momento, para ele, varia conforme lua, vento e cardume, o peixe “responde” ao encontro entre mar, céu e condições do dia.  

Ele aponta padrões que aprendeu na prática, como pescar no início da manhã ou início da tarde, pescar durante a lua nova e lua cheia, verificar os ventos específicos norte, nordeste e sudeste, “esses três ventos puxam mais o peixe pra praia.”  

E existe ainda outro ingrediente, quando o mar muda o comportamento, a pesca se adapta. Zé da baga relata que, apesar de ter usado diferentes técnicas ao longo da vida, como rede de arrasto, malha e espinhel, nem sempre era sobre “estar ideal”, mas sobre sair quando o mar “deixava” e quando o conjunto de condições fazia sentido.  

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

A pescaria de 3 mil peixes que ficou como marco  

No repertório de histórias do Zé da baga, uma se destaca, em Balneário Camboriú, durante um cerco que virou referência, “a pescaria mais marcante da vida foi há uns 10 anos quando pegamos 3 mil peixes.”  

A cena, descrita sem exagero e sem romantizar o esforço, representa o ápice do trabalho coletivo e da precisão. Não era apenas sorte, era rede no tempo certo, mar adequado e equipe sabendo o que estava fazendo.  

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

Perigo no mar e a persistência depois da doença  

A pesca também traz risco. Zé já passou por momentos em alto-mar em que o mar parecia maior do que ele, chamado, na linguagem dos pescadores, de “mar ruim”, com ondas gigantes e ventos muito fortes. Ele também guarda uma memória dura, no tempo dele, não havia socorro como existe hoje, nem estrutura semelhante.  

Mesmo assim, a vida cobrou outra parte, dois AVCs e agravamento de outras doenças o afastaram da pesca por dois anos. Hoje, ele vai à praia com mais cautela, pescando às vezes e vendendo apenas para ajudar a família, mas sem abandonar totalmente o contato com o mar. “Eu fiquei doente e tive que parar um pouco, mas a pesca é tudo. Não tem nada na minha vida que represente mais do que a pesca.” ressalta Zé que agora exerce a função de olheiro do cardume e em algumas vezes sobe na canoa para guiar.  

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

Quando a safra chega, a convivência fica tensa  

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O calendário do Zé da baga também tem começo e fim. Para ele, o outono é quando a tainha começa a aparecer na praia, indo até o final do inverno.  

Mas a safra é também o momento em que aumentam os conflitos. Salienta que, para ele, o que mais atrapalha são jetski, lancha e stand up, além da presença de banhistas fora do limite. Na sua visão, o problema não é apenas o número de pessoas, é o impacto no mar, o barulho e a desorganização do espaço tradicional de pesca. “Toda esta interferência espanta os peixes.”, salienta Zé.  

Ele defende, com firmeza, três medidas principais, conscientizar os motoristas de jetski a respeitar o espaço de pesca na época da tainha, manter barcos pesqueiros e camaroeiros em alto mar, sem interferir na pesca da costa e ter fiscalização eficaz para impedir que banhistas e embarcações desrespeitem a área dos pescadores, durante o período.  

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

A cidade e a nova geração: o pedido de ensino, apoio e futuro  

Zé da baga acredita que o problema da nova geração não é que a juventude “não presta”, mas que a pesca perdeu interesse porque falta incentivo e oportunidade de aprender, “deveriam colocar uma escola de aprendiz, uma bateira (um tipo de pequena embarcação) com remo pequeno, ensinar a remar, ensinar a jogar a rede”.  

Ele defende projetos com políticas públicas que cheguem a adolescentes de 13 e 14 anos, com aulas práticas diárias, tempo suficiente para ensinar o básico com acompanhamento, porque, “só se aprende tendo um professor direcionado, aulas de 2h por dia já atingiria a nova geração”.  

Mesmo preocupado, Antônio não desanima, para ele, a pesca precisa continuar “seja velho, seja novo”, e a continuidade, segundo o próprio pescador, já existe dentro das famílias.  

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Divulgação Rancho da Selma

A tradição que não pode “morrer na praia”  

Mesmo quando muitos deixam a pesca, Zé diz que ainda há quem siga. Ele relata que tem filhos pescando e que hoje exerce papel de monitor, ajudando a transmitir o que sabe.  

Ele também cita famílias que, em Balneário, sustentaram e sustentam essa cultura, as famílias Correia, Damasceno e a sua família Venâncio. Zé demonstra certa preocupação quando diz que nem todo mundo manteve o caminho, “há famílias em que netos e bisnetos já não querem seguir”. Ainda assim, ele deixa uma mensagem que soa como alerta e compromisso com a memória coletiva da cidade: “Essa tradição não pode ‘morrer na praia’.”  

Ao final, ao falar do mar e da vida, Zé da baga não descreve apenas uma profissão, ele narra uma forma de pertencimento. Em Balneário Camboriú, onde o litoral cresce e muda, a pesca permanece, porque ainda existe quem a defenda com histórias, com técnica e com a insistência de quem sabe que o futuro precisa ouvir o passado

ÉLEN GORSKI
Ministério da Pesca e Aquicultura 

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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