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China anuncia suspensão parcial de tarifas sobre produtos agrícolas dos EUA, mas soja americana segue menos competitiva

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A China anunciou nesta quarta-feira (5) que suspenderá parte das tarifas impostas sobre importações de produtos agrícolas dos Estados Unidos, em mais um sinal de alívio nas tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo. A decisão foi tomada após a reunião entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o ex-presidente americano Donald Trump, realizada na Coreia do Sul na semana passada.

Segundo comunicado da Comissão de Tarifas do Conselho de Estado da China, as taxas adicionais de até 15% aplicadas a determinados produtos agrícolas norte-americanos serão removidas a partir de 10 de novembro. No entanto, permanecem em vigor as tarifas de 10% aplicadas em resposta às medidas conhecidas como “tarifas do Dia da Libertação”, implementadas durante o governo Trump.

Alívio no mercado e expectativa por avanços nas negociações

A notícia foi recebida com otimismo por investidores de ambos os lados do Pacífico, que temiam uma nova escalada na guerra tarifária. O encontro entre Xi e Trump reacendeu a expectativa de retomada das negociações comerciais que vinham afetando as cadeias globais de suprimentos desde 2018.

“Em termos gerais, é um grande sinal de que os dois lados estão progredindo rapidamente para colocar o acordo em vigor”, avaliou Even Rogers Pay, diretor da consultoria Trivium China. “Isso mostra que há alinhamento político e que o compromisso tende a ser mantido.”

Ainda assim, o governo chinês não divulgou detalhes oficiais sobre o conteúdo das negociações ou prazos concretos para a implementação dos acordos.

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Soja americana mantém tarifa e segue com preços pouco atrativos

Apesar do gesto diplomático, a suspensão parcial das tarifas não beneficiará diretamente o principal produto agrícola exportado pelos Estados Unidos: a soja. O grão continuará sujeito a uma tarifa de 13%, o que, segundo operadores de mercado, mantém os embarques americanos caros em relação aos do Brasil, principal concorrente no fornecimento do produto à China.

“Não esperamos que a demanda chinesa volte imediatamente ao mercado dos EUA”, disse um operador de uma trading internacional. “O Brasil segue oferecendo preços mais competitivos, e até mesmo importadores de outros países estão preferindo cargas brasileiras.”

De acordo com o mercado, a soja brasileira para embarque em dezembro está sendo negociada com um prêmio de US$ 2,25 a US$ 2,30 por bushel sobre o contrato de janeiro em Chicago. Já a soja norte-americana, embarcada pela Costa do Golfo, tem prêmio de cerca de US$ 2,40 por bushel, o que reforça a perda de competitividade dos EUA.

Promessas de compra ainda não confirmadas por Pequim

Após o encontro bilateral, a Casa Branca anunciou que a China teria se comprometido a comprar ao menos 12 milhões de toneladas de soja americana nos dois últimos meses de 2025, além de 25 milhões de toneladas anuais nos três anos seguintes. No entanto, Pequim ainda não confirmou oficialmente esses números, e os traders permanecem atentos a qualquer sinal de grandes compras.

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Enquanto isso, importadores chineses aumentaram as aquisições de soja brasileira, aproveitando a recente queda dos preços e o câmbio favorável. Segundo operadores, apenas nas últimas semanas foram adquiridas 20 cargas do produto brasileiro, reforçando a preferência da China pelo grão sul-americano.

Cenário global ainda é de cautela no mercado de grãos

Apesar da sinalização positiva nas relações entre Pequim e Washington, analistas avaliam que a concorrência entre os dois maiores exportadores globais de soja deve continuar acirrada. O Brasil segue com ampla vantagem devido à oferta abundante e custos logísticos mais competitivos.

A decisão chinesa é vista como um passo político importante, mas o impacto prático sobre o comércio agrícola ainda é limitado. A tarifa de 13% sobre a soja americana continua sendo um obstáculo relevante para retomar o fluxo de exportações ao nível pré-guerra comercial.

Enquanto isso, o mercado observa com atenção as próximas etapas das negociações sino-americanas e o comportamento dos preços nas bolsas de Chicago e Dalian, que tendem a reagir conforme novos anúncios de tarifas, compras ou acordos comerciais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Ministro André de Paula recebe Mariangela Hungria e celebra reconhecimento internacional da ciência brasileira

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O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, recebeu nesta terça-feira (28) a pesquisadora da Embrapa, Mariangela Hungria, para parabenizá-la por ter sido eleita pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo e pelo recebimento do World Food Prize 2025, considerado o “Nobel da Agricultura”.

Durante o encontro, o ministro destacou o orgulho do país pela projeção internacional alcançada pela cientista e pela contribuição de sua trajetória para a ciência brasileira e mundial.

“Para todos nós, brasileiros, é motivo de orgulho ver alguém do nosso país chegar a um nível de reconhecimento internacional como o que você alcançou. Isso não é pouca coisa. Para dimensionar, é quase como uma Copa do Mundo. É uma conquista que projeta o país. Nós temos muito orgulho de tudo o que você representa, de toda a trajetória que construiu e da forma como elevou o nome da ciência brasileira”, declarou o ministro.

Mariangela Hungria recebeu, em outubro de 2025, nos Estados Unidos, o World Food Prize em reconhecimento a mais de quatro décadas de pesquisas voltadas ao uso de microrganismos capazes de substituir fertilizantes químicos na agricultura. As tecnologias desenvolvidas pela cientista estão presentes hoje em cerca de 85% das lavouras de soja do Brasil, reduzindo custos de produção e ampliando a sustentabilidade no campo. A pesquisadora estava acompanhada pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.

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Segundo a pesquisadora, a homenagem internacional representa também o trabalho acumulado ao longo de décadas pela ciência brasileira. “O reconhecimento que estou recebendo hoje não é um reconhecimento pessoal. É um reconhecimento da Embrapa e da ciência brasileira. Eu apenas carrego essa bandeira”, afirmou.

Mariangela destacou ainda que a base científica construída ao longo de mais de 40 anos foi fundamental para consolidar o uso de bioinsumos na agricultura brasileira. “Quando muitos apostavam apenas em fertilizantes químicos, nós já defendíamos outro caminho. Hoje existe uma base de dados robusta construída ao longo de décadas. Inovação precisa ser sólida e baseada em evidências”, explicou.

Em abril de 2026, Mariangela Hungria foi incluída na lista TIME100, que reúne as cem personalidades mais influentes do mundo. A pesquisadora foi destacada na categoria “Pioneiros”, dedicada a líderes responsáveis por avanços científicos e tecnológicos com impacto global. Seu trabalho com microrganismos capazes de fixar nitrogênio no solo permite reduzir o uso de fertilizantes químicos e gerar economia bilionária anual para a agricultura brasileira.

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Além do World Food Prize, a cientista também recebeu outras homenagens recentes, como o Grande Colar do Mérito do Tribunal de Contas da União (TCU), em 2025, e condecorações como a Medalha de Mérito Apolônio Salles, concedida pelo Ministério da Agricultura, e a Ordem do Pinheiro, maior honraria do estado do Paraná.

Há mais de quatro décadas na  Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Mariangela Hungria é membro da Academia Brasileira de Ciências e reconhecida em rankings internacionais de impacto científico nas áreas de microbiologia e fitotecnia. Seu trabalho é referência no desenvolvimento de tecnologias biológicas voltadas para uma agricultura mais produtiva e de baixo carbono.

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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