Saúde

Cidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão recebem mais R$ 243 milhões para fortalecer o SUS

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quinta-feira (11), em Mariana (MG), o repasse de mais R$ 243 milhões para os planos de ação do Programa Especial de Saúde do Rio Doce (PES-Rio Doce), iniciativa do Governo Federal voltada ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) nos 49 municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015. O valor se soma aos R$ 562,6 milhões disponibilizados em 2025. Também foram entregues 70 veículos, como ambulâncias e vans, além de autorizados R$ 284 milhões para a construção do Hospital Universitário de Mariana, em um conjunto de entregas estratégicas para fortalecer a assistência à saúde nas regiões afetadas

Coordenado pelo Ministério da Saúde, o PES-Rio Doce é financiado com recursos decorrentes das obrigações de reparação assumidas no acordo judicial concluído em 2024. Os investimentos são destinados à ampliação e qualificação dos serviços públicos de saúde nos territórios impactados em Minas Gerais e no Espírito Santo.

“Estamos cuidando da saúde dessa população que foi afetada por um crime bárbaro, um crime ambiental gravíssimo e que, graças à habilidade e à insistência do presidente Lula, conseguimos fazer um novo acordo que coloca 16 vezes mais recursos do que o acordo anterior para as ações nos municípios”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.

Ele destacou que o volume de recursos saiu de R$ 700 milhões para mais de R$ 12 bilhões com o Acordo do Rio Doce. Desses, cerca de R$ 3,6 bilhões são para ações imediatas, como obras e ajuda aos municípios. Enquanto R$ 8,4 bilhões ficam depositados num fundo permanente.

“As dezenas de Unidades Básicas de Saúde são muito importantes, assim como os Centros de Atenção Psicossocial, os centros de monitoramento da qualidade da água, os centros de referência para o cuidado ao câncer, o centro de referência para as doenças fruto da contaminação e da toxicidade por crimes ambientais. E os equipamentos que estamos distribuindo, SAMU, os equipamentos para os Conselhos, as carretas Agora Tem Especialistas. Mas o mais importante é garantir que elas funcionem depois de construí-las. Que possa ter médico, insumos, equipamentos”, disse o ministro.

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Durante a agenda, realizada no Centro de Convenções de Mariana, o Ministério da Saúde anunciou o repasse da terceira parcela de recursos aos municípios contemplados pelo programa. Serão destinados R$ 243 milhões para execução dos Planos de Ação em Saúde aprovados pelas gestões municipais, além da reforma e ampliação do bloco cirúrgico da Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto (SCMOP). Em 2025, o programa já havia transferido mais de R$ 562,6 milhões para os municípios da área de abrangência.

Os recursos permitirão a ampliação das equipes de saúde, contratação de profissionais, construção e reforma de Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), policlínicas e Unidades de Pronto Atendimento (UPA), fortalecendo a rede pública de saúde nas regiões atingidas.

Novos veículos ampliam acesso à saúde

Como parte das ações do PES-Rio Doce, foram entregues 20 vans destinadas ao fortalecimento da atenção especializada, ampliando o acesso da população a consultas, exames, procedimentos e cirurgias fora do domicílio.

A região também recebeu nove novas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), reforçando a rede de urgência e emergência, além de três ambulâncias Tipo A para transporte e remoção de pacientes.

Outros 38 veículos foram destinados aos Conselhos Municipais de Saúde dos municípios mineiros abrangidos pelo programa. A iniciativa integra uma estratégia de fortalecimento da participação social e do controle social do SUS. Todos os 49 Conselhos Municipais de Saúde contemplados pelo PES-Rio Doce receberão veículos para apoiar suas atividades.

Carreta de oftalmologia desafogará demanda de avaliação e cirurgias

Na ocasião, o ministro da Saúde também inaugurou uma carreta de oftalmologia do programa Agora Tem Especialistas, do Governo do Brasil. Com foco no diagnóstico de doenças oculares, a unidade móvel realizará consultas e avaliações oftalmológicas, exames de diagnóstico de doenças da vista e até cirurgias de catarata. O atendimento é realizado para pacientes previamente agendados e encaminhados pela secretaria municipal de saúde.

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Em Minas Gerais, a iniciativa do Governo do Brasil também levou o cuidado especializado em imagem e saúde da mulher para as cidades de Juiz de Fora, Viçosa, Conselheiro Lafaiete, Itajubá, Turmalina, Diamantina, Taiobeiras, Virgem da Lapa, Mário Campos, Araçuaí, Teófilo Otoni e São João das Missões. As de exames de imagem passaram por Camanducaia, Almenara, Curvelo, Juiz de Fora, Cataguases e São José da Lapa. E a de oftalmologia passou por Salinas, Ituiutaba e Uberlândia.

Hospital Universitário de Mariana vai reforçar assistência de alta complexidade

Também foi autorizado o repasse de recursos destinados à construção do Hospital Universitário de Mariana, vinculado à Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Com investimento de R$ 284 milhões, a unidade será referência regional em assistência de alta complexidade para atendimento adulto, pediátrico, clínico, cirúrgico e materno-infantil.

O hospital contará com 225 leitos, unidades de terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, centro cirúrgico e centro de diagnóstico por imagem, em uma estrutura de aproximadamente 33 mil metros quadrados de área construída. A unidade atenderá especialidades como oncologia, cardiologia, nefrologia, neurologia, cirurgia vascular e obstetrícia, ampliando significativamente a capacidade assistencial da região.

Ampliação do bloco cirúrgico da Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto

O ministro finalizou a agenda na Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto, onde foi anunciada a destinação de R$ 2 milhões para a ampliação do bloco cirúrgico da instituição. A Santa Casa está oferece atendimento ambulatorial, internações, exames, urgência e atendimento nas especialidades cirúrgica, clínica, obstétrica e pediátrica. A unidade possui 136 leitos, sendo 98 destinados ao SUS.

Conheça o Programa Especial de Saúde do Rio Doce (PES-Rio Doce) 

Vicente Ramos
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Ministério da Saúde participa de fórum internacional que debate produção de medicamentos e tecnologias na América Latina

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Garantir que medicamentos, vacinas e tecnologias de saúde estejam disponíveis de forma segura, sustentável e a preços acessíveis é um dos principais desafios para os sistemas de saúde da América Latina e do Caribe. Para discutir alternativas para ampliar a produção e o acesso a esses produtos, o Ministério da Saúde, em conjunto com representantes de governos, organismos internacionais, indústria, instituições de pesquisa, agências reguladoras, financiadores e sociedade civil se reuniram em Brasília no Fórum de Engajamento da Indústria (Industry Engagement Forum – IEF), realizado nos dias 20 e 21 de agosto.

Durante a abertura, a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, falou sobre a estratégia brasileira de apoio à produção e à tecnologia. “Temos políticas consolidadas de apoio à produção. Acreditamos que isso é uma condição necessária, mas também precisamos desenvolver competências para inovar, impulsionar a produção tecnológica local e fomentar a geração de conhecimento”, destacou De Negri.

O fórum foi planejado em parceria com o Ministério da Saúde do Brasil, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo, a United States Pharmacopeia (USP) e a Unitaid, organização internacional sediada na Organização Mundial da Saúde, que financia iniciativas voltadas à inovação e ampliação do acesso a produtos de saúde em países de baixa e média renda.

O diretor de Gestão e Programas da Unitaid, Robert Matiru, destacou a atuação da organização para apoiar o desenvolvimento das capacidades industriais, regulatórias e de compras. Segundo ele, entre os desafios estão a regulação, a definição da demanda, as compras antecipadas, o capital de giro e a fragmentação dos mercados.

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“É preciso enfrentar esses gargalos. O fórum busca identificar esses obstáculos e ajuda a definir em quais áreas os investimentos da Unitaid podem contribuir, especialmente em situações que governos e empresas não conseguem enfrentar sozinhos”, ressaltou.

Produção, inovação e acesso

Ao longo de dois dias de evento, os participantes acompanharam painéis organizados em oito eixos. As discussões trataram de produção, acesso, desenvolvimento de mercados, políticas públicas, regulação e desafios enfrentados pelos países da América Latina e do Caribe. O objetivo é que a integração contribua para ampliar mercados, dê maior previsibilidade às compras e permita o compartilhamento de capacidades produtivas e tecnológicas.

Também foi discutido o papel do Estado no desenvolvimento da produção e na garantia do acesso, além da importância de regras de propriedade intelectual e de políticas que estimulem a participação do setor produtivo.  Para o diretor do Departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde da SCTIE/MS, Igor Bueno, três fatores são necessários para ampliar a capacidade de inovação e produção: infraestrutura, condições econômicas e formação de profissionais.

“No Brasil, investimentos do Novo PAC Saúde e o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde buscam ampliar a capacidade de produção de vacinas, medicamentos, diagnósticos e dispositivos médicos. A estratégia também inclui o fortalecimento da pesquisa e da formação de profissionais”, afirmou.

Segundo o diretor, a cooperação entre os países pode permitir o compartilhamento de estruturas, conhecimentos e capacidades, evitando a duplicação de esforços. Ele também citou iniciativas brasileiras, como as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), o Programa Nacional de Pesquisa Clínica (PPClin), o Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL) e as encomendas tecnológicas, que aproximam o poder público de empresas, universidades e instituições de pesquisa.

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“A ideia é dar previsibilidade aos investimentos, tratar as demandas de longo prazo com segurança, ao mesmo tempo, em que são desenvolvidas soluções de acordo com as necessidades da população”, exemplificou. 

As iniciativas brasileiras também foram destacadas pelo representante da Associação Latino-Americana de Indústrias Farmacêuticas (Alifar), Walker Lahmann. “Por meio da Nova Indústria Brasil, o Ministério da Saúde estimula investimentos, parcerias e inovação, contribuindo para ampliar a capacidade produtiva nacional e a oferta de tecnologias de saúde”, ressaltou Walker.

Coalizão Global

A Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo atua em conjunto com o Fórum de Engajamento da Indústria (Industry Engagement Forum – IEF) na organização de encontros estratégicos, a exemplo do fórum realizado em Brasília. Criada no contexto da presidência brasileira do G20, a Coalizão Global foi formalizada com a assinatura da Carta de Genebra, em maio de 2025. O Brasil participa por meio do Ministério da Saúde que, atualmente, está na presidência da Coalizão e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que ocupa o a secretaria executiva.

“A Coalizão Global tem atuado para aproximar diferentes atores e unir esforços na busca de soluções para desafios comuns aos países latino-americanos. Essa articulação entre governos, indústria, organismos internacionais e sociedade civil contribui para discutir caminhos para a produção, a inovação e o acesso a produtos e tecnologias de saúde”, ressaltou a secretária-executiva adjunta da Coalizão, Priscila Ferraz.

Janine Russczyk
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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