Política Nacional

CMA: debatedores apontam expectativas e cobranças para a COP 30

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Convidados da Comissão de Meio Ambiente (CMA) defenderam que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), agendada para novembro em Belém (PA), marcará uma nova etapa na evolução da sustentabilidade. A avaliação ocorreu em audiência pública na CMA nesta quinta-feira (21).

A reunião ocorreu no âmbito do Programa Jovem Senador, que proporciona a alunos do ensino médio de escolas públicas a vivência prática da política parlamentar. Os jovens participaram dos debates sob a presidência do senador Paulo Paim (PT-RS). A edição do programa deste ano tem foco na crise climática.

A representante da organização da COP 30, Alice de Moraes Amorim Vogas, afirmou que o evento servirá para implementar de forma efetiva as normas e metas já definidas em conferências anteriores. O Acordo de Paris, por exemplo, foi assinado em 2015, na COP 21, para criar metas de redução de gases poluentes. As discussões do ponto de vista regulatório serão sobre “detalhes de detalhes”, segundo ela. 

— A COP 30 tem três grandes objetivos. O primeiro é fortalecer o sistema multilateral: não adianta o Brasil fazer muito se a Argentina não faz nada, por exemplo. O segundo é aproximar a questão climática da vida das pessoas. [As enchentes no] Rio Grande do Sul [em 2024] nos ensinaram muito sobre o quanto não estamos preparados para lidar com essa situação. O terceiro é acelerar a restauração florestal, a expansão de renováveis e o processo de transição para longe dos combustíveis fósseis — disse.

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Agendas ambientais

Para isso, há cinco abordagens que os países precisam implementar para promover um futuro sustentável, explicou Vogas:

  • Mitigação, que se refere à redução de gases de efeito estufa
  • Adaptação, que são medidas para contornar as consequências das mudanças climáticas, como a construção de barreiras em cidades litorâneas para não serem invadidas pelo mar
  • Financiamento feito por países mais ricos, que historicamente contribuíram mais para as emissões de carbono. Isso permite que países menos desenvolvidos realizem investimentos ambientais. Ainda há controvérsias diplomáticas neste aspecto
  • Compartilhamento de tecnologias, como aquelas que retiram carbono da atmosfera (captura de carbono) e que restauram florestas
  • Construção de capacidade, que se refere à análise do impacto ambiental de todos os setores da sociedade, como na elaboração de leis, mesmo que tratem de outros temas

Protagonismo

A ativista climática Paloma Costa Oliveira apontou que o Brasil possui protagonismo nas ações de sustentabilidade. Ela lembrou que o país sediou a primeira grande conferência da ONU sobre o assunto: a Eco-92, no Rio de Janeiro (RJ), que lançou as conferências de clima, de biodiversidade e de desertificação. 

No entanto, para Oliveira, os parlamentares ainda precisam se comprometer com a pauta ambiental. Ela criticou a aprovação da nova regulamentação do licenciamento ambiental (Lei 15.190, de 2025), que, para ela, aumentará a devastação ambiental. O governo federal vetou parcialmente o texto, que ainda pode ser retomado pelos parlamentares.

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— A gente não pode estar, no contexto nacional e internacional, liderando a ação climática, [dizendo] que esse é o ano da implementação, se nossos Poderes estão discutindo um projeto de lei que devasta os nossos direitos. Eu sinto muito pelos colegas que não votaram corretamente.

Senado

O poder público também deve dar o exemplo ao promover ações ambientais, afirmou a representante do Núcleo de Coordenação de Ações Socioambientais do Senado, Danielle Abud. 

— Há uma necessidade de fortalecer a capacidade institucional dos órgãos públicos para promover a capilaridade da sustentabilidade e do diálogo de gestores públicos, que precisam também trabalhar com análise de dados e traduzir essas informações para a tomada de decisão. O Senado tem promovido a capacitação de gestores públicos de assembleias estaduais e tribunais de contas em todo o Brasil, por meio do programa Interlegis — disse ela.

Também participaram da audiência a Campeã da Juventude na COP 30, Marcele Oliveira, e a diretora de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Inamara Santos Melo.

COP

A COP é um encontro global que reúne líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para debater soluções e ações contra as mudanças climáticas. A primeira edição aconteceu em 1995, em Berlim, na Alemanha. Até o final de 2026, a presidência da conferência é do Brasil.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Política Nacional

Religiosos de matriz africana e gestores públicos denunciam intolerância e racismo

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Gestores públicos e líderes de religiões de matriz africana denunciaram casos de intolerância e racismo durante audiência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, ocorrida na quarta-feira (10). Também apresentaram políticas públicas em curso e sugestões para o enfrentamento do problema.

Entre janeiro de 2025 e janeiro deste ano, o Disque 100 registrou 2,7 mil denúncias ligadas à intolerância religiosa. Umbanda, candomblé e outras religiões afro-brasileiras estão entre as principais vítimas.

O coordenador de promoção da liberdade religiosa do Ministério dos Direitos Humanos, Luís Alberto Diaz, apresentou dados da pesquisa “Respeite meu Terreiro”, feita em parceria com a UniRio: 76% dos líderes de 255 terreiros ouvidos em todo o país relataram casos de racismo diante de seus espaços e 80% tinham integrantes vítimas diretas de intolerância.

“Esses dados demonstram que nós não estamos diante de episódios isolados. O racismo religioso é uma realidade estrutural, que se manifesta por meio de discriminações, agressões verbais, ameaças, interrupções de rituais, depredações e diversas formas de exclusão social, inclusive de racismo institucional religioso”, observou Diaz.

Tony Winston/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Intolerância religiosa contra povos e comunidades tradicionais de matrizes africanas e de terreiros. Ministério da Igualdade Racial, Luzineide Miranda Borges.
Luzineide Borges: governo criou política para religiões de matriz africana

Território tradicional
Mãe Zana de Odé citou o próprio caso: seu terreiro, em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, foi demolido pela prefeitura em 2022, soterrando objetos pessoais e de crença.

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“Nós autodeclaramos o nosso terreiro como unidade territorial tradicional. É necessário que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) reconheça nossas unidades. Eu estou em exílio: todo dia eu estou num lugar, escapando, correndo, fugindo da morte”, afirmou.

Reforço orçamentário
A diretora de política pública do Ministério da Igualdade Racial, Luzineide Borges, mostrou como é feito o enfrentamento do problema por meio do Decreto 12.278/24, que criou a Política Nacional para Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana. Segundo ela, esse é o principal legado do governo Lula para o reforço orçamentário de políticas públicas interministeriais na área.

“A gente sai de um orçamento de R$ 2,5 milhões em 2023 para um orçamento de R$ 115 milhões em 2025 e 2026. E isso sai da responsabilidade de um único ministério para 11 ministérios. Para mim, enquanto gestora e enquanto pessoa de terreiro, ainda é muito pouco, mas a gente consegue dialogar a partir desse lugar”, disse.

Entre as políticas públicas em curso, Luzineide Borges citou ações de desenvolvimento social e de valorização da cultura e da memória dos afrodescendentes.

Apagamento histórico
O coordenador do Instituto Latinoamericano de Tradições Afro Bantu (Ilabantu), Pai Walmir Damasceno, defendeu o mapeamento dos terreiros do país e o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para superar o que ele chama de “processo de apagamento histórico do negro na construção da sociedade brasileira”.

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“Um terreiro é um espaço de ressignificação da vida, de acolhimento, de proteção, além de ser um espaço de benção. Tantos saberes e fazeres ancestrais estão na cabeça de tantas mulheres e tantos homens: saberes da cura, do manuseio de ervas e raízes. O Brasil não pode ser conivente com essa perseguição sistemática aos povos de matriz africana”, afirmou.

Organizadora do debate, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) manifestou repúdio ao racismo e prestou solidariedade às religiões de matriz africana.

“Poderíamos ficar aqui horas e horas falando não só de lideranças religiosas que foram agredidas no exercício da sua espiritualidade, mas de terreiros que foram depredados, mães e pais de santos que foram agredidos fisicamente. Não é possível que o Brasil consiga conviver com esse tipo de realidade”, afirmou a deputada.

No fim de junho (dias 29 e 30), o governo federal vai promover o seminário “racismo religioso na perspectiva da violação de direitos humanos”, com foco no reforço da articulação entre poder público e sociedade civil no enfrentamento do problema.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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