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Comercialização do milho 2026/27 em Mato Grosso atrasa e vendas alcançam apenas 2,75%, aponta Imea

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A comercialização antecipada da safra 2026/27 de milho em Mato Grosso segue em ritmo mais lento do que o registrado no ano passado. Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), as vendas atingiram 2,75% da produção estimada até abril de 2026, resultado que representa atraso de 1,10 ponto percentual na comparação anual.

De acordo com o instituto, o cenário de incertezas climáticas e o aumento dos custos de produção têm reduzido o apetite dos produtores para travar negócios antecipadamente. Mesmo com o ritmo mais lento de comercialização, o preço médio mensal do milho disponível para a safra futura encerrou abril em R$ 45,68 por saca.

Safra 2025/26 acelera comercialização em Mato Grosso

Já a safra 2025/26 apresentou avanço mais expressivo nas negociações. Conforme os dados do Imea, a comercialização atingiu 47,3% da produção projetada até abril, avanço mensal de 7,26 pontos percentuais.

O volume negociado também ficou 6,76 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período de 2025, refletindo a estratégia dos produtores e agentes do mercado de antecipar vendas antes da entrada mais intensa da nova safra no mercado.

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Apesar do maior ritmo de comercialização, o mercado enfrenta pressão nos preços devido à valorização do real frente ao dólar e à proximidade da colheita do cereal. Com isso, o preço médio do milho recuou 2,54% no mês, encerrando abril cotado a R$ 43,52 por saca.

Safra 2024/25 praticamente encerrada

No caso da safra 2024/25, as negociações já estão praticamente concluídas em Mato Grosso. O percentual comercializado atingiu 99,88% da produção até o fim de abril de 2026, avanço mensal de 0,89 ponto percentual.

Segundo o Imea, o ritmo mais lento das vendas nesta etapa reflete a baixa disponibilidade de milho no mercado, somada à retração dos preços. O valor médio pago pela saca apresentou queda de 6,12% no mês, fechando abril em R$ 42,48.

Exportações de milho de Mato Grosso caem mais de 40%

As exportações de milho de Mato Grosso também registraram retração em abril. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Imea, mostram que o Estado embarcou 39,38 mil toneladas do cereal no período.

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O volume representa queda de 40,8% em relação ao mesmo mês de 2025. A redução é atribuída à menor disponibilidade de milho durante a entressafra e ao aumento da destinação do grão para o mercado interno, especialmente para os setores de proteína animal e biocombustíveis.

O cenário reforça a expectativa de atenção redobrada do mercado nos próximos meses, principalmente em relação ao comportamento climático, ao câmbio e à demanda doméstica, fatores que seguem determinando o ritmo das negociações e os preços do milho em Mato Grosso.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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