Política Nacional

Comissão vai pedir investigação sobre causas do desabamento de aterro sanitário no entorno do DF

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O aterro sanitário Ouro Verde, em Padre Bernardo (GO), foi interditado após uma avalanche de lixo em junho. O local recebia resíduos de cidades vizinhas, principalmente do Distrito Federal, e funcionava de forma irregular dentro da área de proteção ambiental da bacia do rio Descoberto.

A Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados debateu o caso com especialistas e autoridades, a pedido da deputada Erika Kokay (PT-DF). O objetivo foi discutir os impactos ambientais, sociais e econômicos do aterro.

Como resultado da reunião, a comissão vai apresentar requerimentos para que:

  • a Comissão de Meio Ambiente e a Comissão de Direitos Humanos façam uma visita técnica ao local;

  • o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investigue a decisão que permitiu o funcionamento do aterro;

  • a Secretaria de Meio Ambiente de Goiás, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apresentem diagnóstico sobre os danos e plano de recuperação da área;

  • a Polícia Federal investigue o caso.

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Também será solicitado à Agência Nacional de Águas (ANA) a criação do comitê da bacia do rio do Sal e informações sobre a instalação de termelétricas e o loteamento Ouro Verde.

Para o representante da Superintendência de Fiscalização e Controle Ambiental de Goiás, Marcelo Martines Sales, o acidente mostra a fragilidade da gestão de resíduos. “A política nacional de resíduos sólidos tenta mudar a cultura dos lixões, que não têm impermeabilização nem controle de chorume e gases. Essa ainda é a realidade de muitos municípios”, afirmou.

Segundo ele, o episódio deve servir de alerta para impedir novos empreendimentos sem critérios técnicos.

Comitê de crise
A gerente de emergências em saúde pública da Secretaria de Saúde de Goiás, Cristina Paragó, integra o comitê de crise criado após o deslizamento. Ela explicou que o grupo atua no combate à proliferação de moscas e no monitoramento da qualidade da água. “Temos protocolos para avaliação de risco, acompanhamento das internações e vigilância da água e de outros indicadores”, disse.

O desmoronamento poluiu a bacia do rio do Sal e afetou o córrego Santa Bárbara, prejudicando a fauna, a produção rural e o abastecimento de água. Apesar de sucessivos embargos do Ministério Público de Goiás e de órgãos ambientais, o aterro continuava em operação.

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A representante do Fórum Defesa das Águas, do Clima e do Meio Ambiente do Distrito Federal, Lúcia Mendes, alertou para os impactos na população local. “Há famílias sem acesso à água e convivendo com infestações de moscas e animais. Assim como em Mariana (MG) e Brumadinho (MG), seguimos convivendo com tragédias evitáveis”, afirmou.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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Política Nacional

Comissão aprova diretrizes para diagnóstico precoce de autismo em crianças

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A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a adotar ações para identificar sinais de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças com idades entre 16 e 30 meses. O objetivo é garantir que essas crianças recebam avaliação de especialistas e acompanhamento adequado o mais cedo possível.

A proposta altera a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA e prevê que a identificação precoce seja feita por meio de procedimento padronizado e validado pela comunidade científica.

Se os sinais de risco forem identificados, a criança deve ser encaminhada para avaliação diagnóstica por uma equipe multiprofissional especializada e ter acesso imediato ao cuidado necessário.

A comissão aprovou a versão da relatora, deputada Julia Zanatta (PL-SC), para o Projeto de Lei 2063/25, do deputado Dr. Zacharias Calil (União-GO). Enquanto o projeto previa a criação de uma lei autônoma, o substitutivo inclui as novas diretrizes diretamente na política nacional.

Idade limite
Outra mudança passa a prever um limite de idade para a triagem obrigatória. “No Brasil, recomenda-se o rastreio de sinais de TEA entre 16 e 30 meses na atenção primária, como parte do acompanhamento do desenvolvimento infantil”, destacou a relatora.

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A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, desde a 7ª edição (2024), já inclui o teste M-CHAT-R, traduzido e validado pela Sociedade Brasileira de Pediatria. “Trata-se de instrumento de triagem, não de diagnóstico definitivo”, destacou a relatora.

Equipe multiprofissional
O substitutivo também deixa claro que as ações devem considerar a saúde, o comportamento e o ambiente da criança e ser feitas por uma equipe multiprofissional.

Também estão previstas ações de capacitação para profissionais da saúde, educação e assistência social. Além disso, o texto inclui campanhas para informar a população sobre os sinais precoces do autismo.

O texto assegura ainda que os pais ou responsáveis recebam informações claras e participem de todas as decisões sobre o cuidado da criança.

Próximas etapas
A proposta será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, o texto deve ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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