Agro News

Conexão Delta G encerra 2025 com avanços em seleção genômica e fortalecimento do melhoramento genético

Publicado

Programa de melhoramento genético avança com base científica

A Conexão Delta G encerra o ano de 2025 com resultados expressivos em seu programa de melhoramento genético, marcando um ciclo de crescimento técnico e consolidação de práticas de seleção baseadas em evidências genômicas.

O período foi caracterizado por maior rigor nos processos internos de avaliação e pela ampliação do uso de ferramentas de análise genética, fortalecendo o posicionamento da entidade como referência em qualidade e inovação na pecuária brasileira.

Durante o ano, a Conexão Delta G também teve participação ativa em debates científicos e eventos técnicos, com destaque para o Congresso Mundial da Raça Braford, reforçando sua presença no cenário internacional.

Seleção criteriosa de touros e foco em eficiência produtiva

A presidente Clarissa Lopes Peixoto, que conclui seu mandato à frente da entidade, destacou que o ano foi marcado por avanços importantes na qualificação das etapas de seleção.

“Realizamos um trabalho criterioso na avaliação de touros jovens, com visitas técnicas às propriedades e análises detalhadas dos rebanhos. Esse processo tornou as escolhas mais precisas e alinhadas à demanda por animais produtivos, longevos e adaptados”, afirmou Clarissa.

A dirigente também ressaltou o crescimento do uso da genômica entre os criadores associados, ferramenta que permite maior precisão nas decisões de seleção.

“A genômica trouxe mais assertividade e mostrou que nossos produtores estão comprometidos com práticas modernas que fortalecem produtividade e sustentabilidade”, completou.

Genômica e novos indicadores ampliam potencial de seleção

Entre os avanços técnicos de 2025, o programa registrou o desenvolvimento de novas Diferenças Esperadas de Progênie (DEPs) voltadas ao Consumo Alimentar Residual (CAR) e a características maternais, indicadores que aprimoram a seleção de animais com maior eficiência alimentar e desempenho produtivo superior.

Leia mais:  Produção de tabaco no Paraná atinge recorde na safra 2026, mas preços recuam no mercado

Além disso, sete reprodutores avaliados pela Conexão Delta G ingressaram em centrais de inseminação, o que reforça o reconhecimento de mercado pela genética avaliada e comprovada da associação.

Perspectivas positivas para 2026 com aquecimento do mercado

Com a transição da presidência, quem assume o comando da Conexão Delta G é Bernardo Pötter, que projeta um cenário otimista para 2026, impulsionado pelo aquecimento do mercado interno e externo de genética bovina.

“O mercado externo segue aquecido, especialmente após a retirada das tarifas dos Estados Unidos para a carne brasileira, o que aumenta a demanda e exige genética de alta qualidade”, destaca Pötter.

Ele também observa que o mercado interno apresenta sinais de expansão, com valorização das fêmeas de genética superior ao longo de 2025, o que deve impulsionar o rebanho de cria e a demanda por touros e sêmen no próximo ciclo.

“A Conexão Delta G está preparada para atender essa necessidade crescente e contribuir para um avanço consistente da pecuária nacional”, concluiu o dirigente.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Leia mais:  Produção de eucalipto cresce em São Paulo e coloca silvicultura entre os setores mais valiosos do agronegócio paulista

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro

Publicado

A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.

Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.

Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.

A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.

No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.

O movimento continua em 2026.

Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.

Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.

Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.

O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.

Leia mais:  Gripe aviária: China retira suspensão à exportação de carne de aves brasileira

Essa vantagem aparece com clareza na soja.

Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.

A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.

Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.

No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.

A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.

O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.

A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.

O efeito ultrapassou a soja.

O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.

Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.

Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.

Leia mais:  Retomada da guerra encarece fertilizantes e aumenta riscos para o agronegócio brasileiro

A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.

O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.

Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.

Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.

Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.

Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.

Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.

Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.

A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana