O 2º Congresso Nacional de Emergências e Segurança Viária (Conesv), promovido pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), também foi marcado por uma ampla programação prática voltada ao aperfeiçoamento dos profissionais que atuam na resposta a emergências.
Durante os três dias de evento, realizados entre 24 e 26 de junho, no Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, os participantes puderam aperfeiçoar técnicas de controle de hemorragias e de resgate em cenários complexos envolvendo veículos pesados, estruturas colapsadas e vítimas em situações de risco.
Entre as capacitações oferecidas esteve o curso Stop the Bleed, iniciativa internacional voltada ao atendimento inicial de vítimas de trauma. A formação abordou técnicas para o controle de hemorragias graves, uma das principais causas evitáveis de morte em situações de emergência.
Durante as aulas, os participantes receberam orientações teóricas e práticas sobre procedimentos como pressão direta no ferimento, empacotamento de feridas e aplicação correta de torniquetes, técnicas que podem ser empregadas nos primeiros minutos após um acidente até a chegada do atendimento especializado. O curso foi realizado em duas turmas, nos dias 25 e 26 de junho.
O instrutor do curso Stop the Bleed, tenente BM Joelson Aparecido Ferraz da Silva, destacou que os primeiros minutos após um trauma são decisivos e que o conhecimento de técnicas simples pode fazer a diferença entre a vida e a morte.
“A perda intensa de sangue é uma das principais causas de morte após um trauma. Quando o atendimento demora, a vítima pode evoluir para óbito. Por isso, é fundamental agir rapidamente e aplicar as técnicas adequadas ainda no local da ocorrência. Procedimentos como o uso do torniquete, do curativo compressivo, da pressão manual direta, de agentes hemostáticos e o preenchimento de feridas podem ser decisivos até a chegada do atendimento especializado. Quanto mais pessoas estiverem preparadas para realizar esses procedimentos, maiores serão as chances de salvar vidas em situações de emergência”, explicou.
Responsável técnica pela unidade da 5ª Companhia Independente Bombeiro Militar (5ª CIBM), de Nova Mutum, a enfermeira Jéssica Amanda Gurka participou do curso e destacou que o treinamento proporcionou conhecimentos práticos que podem ser aplicados tanto no atendimento a emergências quanto em situações do dia a dia.
“A experiência foi extremamente positiva. O curso alia teoria e prática de forma acessível, o que ajuda a agir rapidamente em situações de emergência. Aprendemos técnicas fundamentais que podem fazer a diferença até a chegada do atendimento especializado, aumentando as chances de sobrevivência da vítima. É um conhecimento que precisa ser cada vez mais difundido, porque qualquer pessoa pode se deparar com uma situação como essa e ter a oportunidade de ajudar a salvar uma vida. Além da aplicação profissional, é um aprendizado que levamos também para a vida pessoal”, afirmou.
Outra atração da programação foi o Holmatro Rescue Experience, treinamento prático voltado ao salvamento veicular em ocorrências envolvendo caminhões, ônibus e outros veículos de grande porte. A atividade contou com oito bases operacionais que simularam situações reais enfrentadas pelas equipes de resgate durante atendimentos complexos.
Ao longo dos três dias de congresso, os participantes puderam vivenciar cenários que exigiam avaliação rápida da ocorrência, estabilização dos veículos, acesso seguro às vítimas e aplicação de técnicas de desencarceramento e salvamento. As bases permitiram o contato direto com equipamentos e metodologias utilizadas em atendimentos de alta complexidade, favorecendo a troca de experiências entre profissionais de diferentes estados do país.
O gerente de vendas da Holmatro para a América Latina, Luciano Corso, explicou que as bases práticas foram desenvolvidas para reproduzir situações reais enfrentadas pelas equipes de emergência, permitindo que os participantes aperfeiçoassem técnicas de resgate em cenários complexos e de alto risco.
“Os cenários foram construídos com base em ocorrências reais e bastante desafiadoras para as equipes de resgate. Trabalhamos situações envolvendo caminhões, ônibus, vítimas em valas e estruturas colapsadas, que exigem planejamento, técnicas específicas e o uso adequado dos equipamentos. O objetivo é proporcionar um treinamento próximo da realidade, para que os bombeiros possam aperfeiçoar suas habilidades e acessar as vítimas de forma rápida e segura”, ressaltou.
A soldado BM Flávia Michely Franco, da 13ª Companhia Independente Bombeiro Militar (13ª CIBM), de Lucas do Rio Verde, participou do Holmatro Rescue Experience e destacou o aprendizado proporcionado pelas bases práticas e o contato com o que há de mais moderno no resgate técnico.
“Passar pelas oito bases práticas me trouxe uma virada de chave sobre o que há de mais moderno em resgate técnico mundial. As oficinas nos desafiaram o tempo todo a pensar criticamente e a analisar minuciosamente cada cenário, expandindo nossas possibilidades de atuação frente a grandes complexidades. Tivemos a oportunidade de operar equipamentos super versáteis e de altíssima tecnologia, aplicando técnicas atualizadas para o gerenciamento de complexos cenários de estabilização e elevação de veículos pesados, além de garantir a segurança das equipes em intervenções estruturais colapsadas”, pontuou.
As capacitações integraram a programação prática do congresso, que reuniu profissionais de diversas regiões do país para o compartilhamento de experiências e o aperfeiçoamento de técnicas voltadas ao atendimento de emergências e à preservação da vida.
Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora
A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.
Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.
Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.
Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.
O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.
Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.
Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.
Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.
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