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Contribuição das trilhas na conservação e desenvolvimento de territórios é destacada no VIII Fórum do Caminho dos Veadeiros

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) participou, entre os dias 4 e 7 de dezembro, do VIII Fórum do Caminho dos Veadeiros, em Cavalcante (GO). Considerado o maior encontro anual dedicado à trilha, às comunidades e às redes de cooperação que a sustentam, a inciativa compõe a Política Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas), ação que tem a pasta entre os órgãos coordenadores. O evento contou com a presença de 80 participantes.

A iniciativa reuniu gestores, lideranças comunitárias, pesquisadores e voluntários em uma programação diversa — cinco mesas-redondas, oito palestras, duas oficinas participativas de planejamento, uma capacitação sobre Leave No Trace, uma oficina de sinalização e vivências culturais. As atividades contribuíram para aprimorar o uso público da trilha, fortalecer o turismo comunitário e integrar conservação, cultura e geração de renda na região.

O analista ambiental da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Samuel Schwaida, destacou que o modelo de governança observado no Caminho dos Veadeiros demonstra, na prática, o potencial das trilhas de longo curso.

“O fórum mostra a força do trabalho coletivo envolvendo usuários, proprietários, gestores públicos e pesquisadores. Essa cooperação permite implementar trilhas que funcionam como ferramentas de conservação, conectividade da paisagem, geração de emprego e renda e recreação. É um modelo que queremos ver replicado em todo o Brasil, com comunidades cada vez mais envolvidas no planejamento, na decisão e na gestão do uso público.”

Intercâmbio de experiências e agendas comuns

O fórum promoveu o intercâmbio entre atores de diferentes regiões do Brasil, compartilhando aprendizados sobre governança e gestão de trilhas em diferentes estágios de maturidade da política pública.

A presença ativa de comunidades tradicionais, principalmente de mulheres, e a participação de guias da região trouxeram para o debate os impactos positivos da trilha sobre a cultura local e a geração de renda.

“Uma trilha de longo curso de centenas de quilômetros não se faz com apenas uma pessoa. Quando existe uma rede de colaboradores — pessoas físicas, instituições públicas e privadas — cada ator cumpre seu papel. Os gestores das unidades de conservação são fundamentais, porque essas áreas são núcleos das trilhas. Os pesquisadores geram dados que orientam o manejo e as comunidades locais assumem serviços de receptivo, guiamento e manutenção. É assim que a trilha se fortalece de baixo para cima”, destacou Schwaida.

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Planejamento para os próximos passos

O encontro estruturou diretrizes para o biênio 2026–2027, com foco em implementação e qualificação do uso público da trilha; conservação da biodiversidade ao longo do percurso; e fortalecimento da comunicação e da mobilização territorial. Essas agendas foram consolidadas de forma participativa e multissetorial.

Diálogo, planejamento e construção coletiva

Os dois primeiros dias de programação ocorreram na Casa do Aprendiz e foram dedicados a debates sobre conservação e biodiversidade, turismo de natureza e bem-estar, sinergias territoriais, conduta consciente e experiências de gestão de trilhas de longo curso no Brasil. A participação das mulheres Kalunga teve papel central nos painéis sobre turismo de base comunitária, destacando a ancestralidade como um valor do território. Paralelamente, a Feirinha Kalunga reforçou o protagonismo econômico local, evidenciando como a trilha movimenta a economia e fortalece a autonomia das comunidades.

Ao longo do Fórum, também foram realizadas atividades de planejamento reservadas a atores-chave da governança, com o objetivo de aprimorar o Plano de Ação Anual do Caminho dos Veadeiros. Nessas oficinas, foram definidas prioridades relacionadas à segurança dos usuários, qualificação da sinalização, estratégias de monitoramento e fortalecimento da articulação comunitária.

Durante as tardes, os debates ampliaram o olhar para temas como sociobiodiversidade, empreendedorismo comunitário, conservação da fauna do Cerrado e mobilização territorial no Mosaico Veadeiros–Paranã. Também foram discutidas ações em desenvolvimento, incluindo o fortalecimento da governança colaborativa da trilha, melhorias contínuas de sinalização e segurança, capacitações para guias e agentes comunitários, incentivo a produtos turísticos sustentáveis, iniciativas de comunicação e educação ambiental e a integração entre comunidades e instituições públicas.

Estruturação

Na Chapada dos Veadeiros, o Projeto GEF Áreas Privadas, estratégia coordenada pelo MMA, tem trabalho diretamente para consolidar o Caminho dos Veadeiros como referência nacional em turismo regenerativo, conectando conservação, geração de renda e valorização cultural.

Para o superintendente executivo da Funatura, Pedro Bruzzi, o Caminho dos Veadeiros demonstra que, quando comunidades, gestores públicos e organizações se articulam, os resultados chegam ao território. “Com o apoio do Projeto GEF Áreas Privadas, estamos estruturando o uso público da trilha, promovendo capacitações, fortalecendo a governança e qualificando a experiência do visitante com mais segurança e sinalização adequada. É uma agenda que gera renda, promove conservação e amplia o reconhecimento do Cerrado como patrimônio natural e cultural. Esses impactos são fruto de uma rede colaborativa que acredita no futuro sustentável da Chapada.”

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Vivências de campo e boas práticas

As atividades práticas do Fórum ocorreram na Reserva Bacupari e no Parque Municipal LavaPés, com oficina de sinalização com marcenaria; caminhada técnica no Caminho de Santana e formação Leave no Trace. As ações reforçaram a conduta consciente e o uso público responsável do território.

O domingo celebrou o trabalho das brigadas voluntárias do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A ação ressaltou o papel essencial dessas forças no combate aos incêndios florestais que ameaçam o Cerrado.

A apresentação de Sussa do Grupo Flores e Frutos do Quilombo Kalunga marcou o encerramento da atividade para evidenciar o Caminho dos Veadeiros como expressão de memórias, histórias e modos de vida que mantêm vivo o Cerrado e fortalecem o vínculo das comunidades com o território.

RedeTrilhas

O Caminho dos Veadeiros integra a Política Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas), estratégia federal que fortalece o turismo sustentável, orienta padrões de sinalização, qualificação profissional e gestão integrada da paisagem.

O percurso conecta Formosa a Cavalcante, passa por Água Fria de Goiás, São João d’Aliança, Alto Paraíso e Colinas do Sul, acompanha o relevo da Serra Geral do Paranã e revela a diversidade ambiental e cultural da Chapada dos Veadeiros. São aproximadamente 480 km liberados para visitação, que podem ser percorridos a pé ou de bicicleta, conectando atrativos, comunidades e unidades de conservação.

Realização e parceria

O Fórum foi realizado pela Associação Caminho dos Veadeiros (ACV), com apoio da Prefeitura de Cavalcante, Funatura e do Projeto GEF Áreas Privadas – Conservando a Biodiversidade em Paisagens Rurais, coordenado pelo MMA, financiado pelo Global Environment Facility (GEF) e implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A gestão financeira é realizada pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e a coexecução no Cerrado pela Fundação Pró-Natureza (Funatura).

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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(61) 2028-1227/1051
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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Pesca e aquicultura geram empregos em todo o país

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Em média, o brasileiro consome 12 quilos de pescado por ano. O número é ainda maior em alguns estados como Ceará, Pernambuco e Amazonas, onde o consumo pode passar de 40 quilos por pessoa ao ano. Esse consumo só é possível porque contamos com uma longa cadeia produtiva, que envolve pescadores industriais e artesanais, armadores de pesca, aquicultores e uma indústria robusta, responsável pelo beneficiamento.

Atualmente, são mais de 1 milhão de pescadores profissionais registrados, sendo que mais de 507 mil mulheres. Na aquicultura, apenas em Águas da União, são 1.422 contratos vigentes, que geral 4.126 empregos diretos e outros mais de 16 mil indiretos.

Esses trabalhadores são responsáveis por mais de 1.780 milhão de toneladas de pescado ao ano (águas continentais e marinhas). Na aquicultura, são mais de 3,1 milhões de toneladas ao ano. Entre os produtos mais procurados estão o camarão, a tilápia, o tambaqui e outras espécies de peixes.

Mas o setor ainda pode ser fortalecido e gerar ainda mais empregos por meio do aumento do consumo. Em entrevista recente ao programa “Bom Dia, Ministro”, do Canal Gov, o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, ressaltou a importância de incentivar o consumo pescado pelos brasileiros. “Estamos trabalhando para que a população deixe de comer peixe apenas no Natal e na Semana Santa, datas em que o consumo é principalmente de espécies estrangeiras, como o bacalhau”.

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Ele também destacou a necessidade de políticas públicas para melhorar a rastreabilidade e a confiabilidade dos produtos de origem da pesca e aquicultura. “A gente precisa garantir que o pescado chegue com qualidade na mesa do nosso consumidor”.

Para o secretário Nacional da Pesca Artesanal, Cristiano Ramalho, a atuação do Ministério da Pesca e Aquicultura tem contribuído para o reconhecimento e a valorização dos trabalhadores do setor pesqueiro. “As nossas ações se conectam para ampliar a potencialidade do mundo do trabalho da pesca artesanal, que é associado ao modo de vida, à segurança alimentar e aos aspectos éticos e raciais nos territórios pesqueiros”, declarou.

A diretora do Departamento de Aquicultura em Águas da União, Juliana Lopes, exaltou o trabalho e a dedicação de todos que trabalham na pesca e aquicultura. “Neste Dia do Trabalhador, vamos celebrar quem faz das águas o seu sustento e a sua missão. Homens e mulheres que movimentam a economia, que alimentam o Brasil e que mantêm viva a tradição da pesca e da aquicultura. Por trás de cada produção, existe dedicação, resistência, resiliência e muito amor pelo que se faz”.

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Acesse nosso Boletim e Painel da Estatística Pesqueira e Aquícola e saiba mais sobre o perfil dos trabalhadores e trabalhadoras das águas do Brasil.

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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