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Cooperação Brasil e Alemanha avança em pesquisa climática, setor espacial e inovação

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Brasil e Alemanha reafirmaram compromissos bilaterais em áreas estratégicas, como inteligência artificial, tecnologia quântica, energias renováveis, bioeconomia e cooperação espacial. A agenda fortalece ações conjuntas em pesquisas climáticas, inovação industrial e desenvolvimento tecnológico voltado para soluções sustentáveis a desafios globais. 

O encontro ocorreu na terça-feira (3), durante a visita oficial da ministra de Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha, Dorothee Bär, ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A reunião teve como objetivo apresentar as novas atribuições da pasta alemã e estreitar a coordenação política bilateral em ciência, tecnologia e inovação. 

Durante a audiência, foi destacada a reestruturação do ministério alemão, que, desde 2025, ampliou sua atuação em tecnologias espaciais, inteligência artificial e tecnologias quânticas. A nova configuração abre oportunidades para aprofundar iniciativas conjuntas com o Brasil em setores estratégicos para o futuro da tecnologia. 

A ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou que a Alemanha é parceira histórica e prioritária do Brasil em ciência. “O alinhamento entre as agendas dos dois países cria um ambiente favorável ao fortalecimento de programas conjuntos voltados à inovação sustentável, à transição ecológica e à soberania tecnológica”, destacou.  

A ministra Dorothee Bär reforçou o papel do Brasil como parceiro estratégico para a Alemanha em ciência e tecnologia. “O Brasil é um dos nossos principais parceiros em pesquisa e inovação na América Latina. Compartilhamos valores e a convicção de que ciência e tecnologia são fundamentais para enfrentar mudanças climáticas, promover transformação digital e construir economias mais sustentáveis”, declarou. 

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Ela também destacou o interesse em ampliar iniciativas conjuntas em inteligência artificial, tecnologias quânticas, energias renováveis e pesquisa climática, além de reforçar o compromisso alemão com projetos científicos de longo prazo na Amazônia. 

Luciana Santos falou das iniciativas científicas já consolidadas entre os países, como o Observatório da Torre Alta da Amazônia (Atto), referência internacional em pesquisa sobre o clima e a Floresta Amazônica e símbolo da cooperação entre Brasil e Alemanha. 

“O Atto é um símbolo da cooperação bilateral em ciência e tecnologia, uma parceria que mostra que, juntos, podemos compreender melhor nosso planeta, fortalecer a ciência e enfrentar, com conhecimento, o maior desafio da nossa Era, que é a mudança climática”, combinando conhecimento, inovação e desenvolvimento sustentável”, afirmou. 

Cooperação espacial e clima 

O setor espacial foi outro ponto relevante da agenda, com destaque para a cooperação bilateral entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Aeroespacial Alemão, especialmente em missões de observação da Terra e monitoramento ambiental. 

O coordenador-geral de Engenharia, Tecnologia e Ciência Espaciais do Inpe, Adenilson Roberto Silva, ressaltou a consistência do trabalho conjunto entre Brasil e Alemanha no setor espacial. 

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“Há quase dois anos mantemos uma cooperação técnica intensa com o parceiro alemão, marcada por intercâmbio de conhecimento e alinhamento entre as equipes. O projeto já passou por duas revisões, o que reforça a solidez do desenvolvimento conjunto. A expectativa é que a missão represente um avanço significativo nas tecnologias de detecção de gases de efeito estufa, contribuindo de forma relevante para a ciência e para o monitoramento ambiental em escala global”, afirmou. 

O chefe do Departamento Espacial e de Segurança do Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha, Thomas Arthur Reiter, ressaltou a trajetória de diálogos e a confiança construída entre os dois países. “Já tivemos diversas oportunidades de dialogar em diferentes fóruns internacionais. Fico ainda mais satisfeito em ver essas cooperações bilaterais se consolidando. O Inpe é, sem dúvida, um parceiro sólido e confiável”, comentou. 

Também participaram da audiência a secretária de Políticas e Programas Estratégicos (Seppe), Andrea Latgé; o secretário de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital (Setad), Henrique Miguel; e o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), Inácio Arruda. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos

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Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.

A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.

Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.

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O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.

A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.

Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.

Minerais críticos

“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.

Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.

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Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.

Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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