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Copom deve manter Selic em 15%, mas mercado volta atenções ao Fed

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve manter a taxa Selic em 15% na reunião desta semana, segundo projeções do Rabobank. A decisão ocorre em meio a sinais de desaceleração da economia brasileira e ao aumento das incertezas externas, principalmente relacionadas à política monetária dos Estados Unidos.

Inflação recua em agosto

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,11% em agosto, resultado acima das expectativas do mercado (-0,15%). Essa foi a primeira taxa negativa desde agosto de 2024, puxada por quedas em energia elétrica, alimentos e transportes. No acumulado de 12 meses, a inflação recuou para 5,1%, ainda acima do teto da meta.

O Rabobank mantém sua projeção de IPCA em 4,9% para 2025, com pressões vindas principalmente do setor de serviços, que permanece elevado devido ao mercado de trabalho aquecido.

Economia perde força

O IBC-Br, indicador que antecipa o PIB, caiu 0,53% em julho, terceira retração consecutiva. A desaceleração foi generalizada entre agropecuária, indústria e serviços. Para o banco, o crescimento brasileiro deve encerrar 2025 em 2,0%, influenciado pela política monetária restritiva e pelo impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações nacionais.

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Serviços seguem em alta

Apesar da desaceleração geral, o setor de serviços avançou 0,3% em julho, atingindo novo recorde e ficando 18,5% acima do nível pré-pandemia. A alta foi sustentada por serviços de informação, comunicação e atividades profissionais, enquanto transportes tiveram queda.

Vendas no varejo têm desempenho misto

As vendas no varejo restrito recuaram 0,3% em julho, mas avançaram 1% em relação ao ano anterior. Já o varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, subiu 1,3% no mês, embora registre queda de 2,5% em 12 meses.

Política e incertezas externas

No cenário político, a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe aumentou a apreensão sobre possíveis sanções internacionais e revisão de isenções tarifárias.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve deve reduzir os juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 4,00% a 4,25%. A decisão reflete a combinação de inflação persistente e mercado de trabalho em desaceleração, criando risco de estagflação.

Projeções do Rabobank
  • Selic: 15% em 2025, caindo para 12,5% em 2026
  • IPCA: 4,9% em 2025
  • PIB: 2% em 2025
  • Câmbio: dólar a R$ 5,75 no fim de 2025
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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro

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Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes

O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.

A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.

A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.

Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.

Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes

O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.

Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.

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No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.

De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.

Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.

Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário

Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.

Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.

O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.

A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.

Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026

Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.

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A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.

Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.

Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.

Demanda interna por milho deve seguir aquecida

Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.

O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.

O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.

Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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