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Custos de produção sobem enquanto preços ao produtor recuam no Rio Grande do Sul

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O Sistema Farsul divulgou os resultados de janeiro de 2026 dos indicadores que acompanham a evolução dos custos de produção e dos preços recebidos pelos produtores rurais no Rio Grande do Sul: o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) e o Índice de Inflação dos Preços Recebidos (IIPR).

Segundo o levantamento, o IICP registrou alta de 0,51% em janeiro, puxada principalmente pelo aumento do custo da mão de obra, que subiu 7%, e dos fertilizantes, com avanço de 2%. O relatório relaciona a alta nos fertilizantes à elevação do preço do petróleo no mercado internacional e alerta que novas elevações podem ocorrer caso os conflitos em regiões produtoras de matéria-prima se intensifiquem.

No entanto, no acumulado de 12 meses, o IICP apresenta deflação de 2,95%, a quarta queda consecutiva, influenciada pela redução nos preços de herbicidas, fertilizantes e inseticidas, refletindo a queda de 11% do dólar e de 7% do petróleo.

Preços pagos aos produtores recuam em janeiro

Enquanto os custos de produção aumentaram, os preços recebidos pelos produtores começaram o ano em retração. O IIPR caiu 1,73% em relação ao mês anterior. Entre os principais fatores estão a queda no preço do leite, associada ao aumento da oferta, e a redução do preço da soja, acompanhando o movimento de baixa no Chicago Board of Trade (CBOT), que reflete projeções de maior oferta global e a colheita em andamento no Centro-Oeste do Brasil.

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No acumulado de 12 meses, o IIPR registrou queda expressiva de 14,04%, influenciado pela retração de 46% no preço da saca de arroz e pela redução de 24% no litro do leite, consequência da maior oferta desses produtos.

Inflação ao consumidor persiste mesmo com queda nos preços ao produtor

Apesar da retração nos preços recebidos pelos produtores, o relatório do Sistema Farsul destaca que os alimentos continuam registrando inflação ao consumidor, de acordo com o IPCA. O documento aponta que as altas observadas no índice de preços ao consumidor decorrem principalmente de pressões ao longo da cadeia produtiva, e não do preço pago diretamente ao produtor rural.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

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O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

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O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

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Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

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