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DDG avança no Brasil mesmo com queda na safra de milho e amplia presença no mercado internacional

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Produção de milho recua, mas expansão do DDG segue firme

Mesmo com a estimativa de retração de 1,9% na produção de milho na safra 2025/2026, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o mercado de DDG (grãos secos de destilaria) mantém trajetória de crescimento no Brasil.

Principal coproduto da produção de etanol de milho, o DDG continua avançando impulsionado, sobretudo, pelos ganhos de eficiência industrial. A União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) projeta aumento de cerca de 19% na produção neste ano, refletindo a ampliação da capacidade instalada e a abertura de novos mercados internacionais.

Eficiência industrial sustenta crescimento do setor

O avanço do DDG está diretamente ligado à transformação estrutural da indústria de biocombustíveis no país. Tradicionalmente concentrado na cana-de-açúcar, o setor de etanol passou a incorporar o milho de forma estratégica na última década, especialmente na região Centro-Oeste.

A consolidação de usinas dedicadas exclusivamente ao milho elevou a produção de etanol e garantiu maior regularidade na oferta de coprodutos, como o DDG.

Segundo Daniel Salcedo, diretor comercial da Brado Logística, o amadurecimento do setor foi determinante para reposicionar o produto no mercado.

“O DDG deixou de ser um excedente sem destinação clara e passou a ser um insumo de alto valor agregado na nutrição animal. A eficiência industrial hoje tem peso semelhante ao volume de matéria-prima disponível”, afirma.

Expansão do milho criou base sólida para o setor

Nos últimos cinco anos, a produção brasileira de milho avançou de 87,1 milhões para 138,5 milhões de toneladas, crescimento de 59%. Esse cenário viabilizou novos investimentos industriais e fortaleceu o segmento de etanol de milho.

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Mesmo com ajustes pontuais na oferta do grão, o setor opera atualmente em um nível mais estável, garantindo produção contínua de etanol e DDG. Esse equilíbrio permite atender à demanda interna e ampliar a atuação no mercado externo.

Logística ganha protagonismo no escoamento

Com a formação de excedentes, a logística passa a desempenhar papel estratégico na competitividade do DDG brasileiro.

De acordo com Ronney Maniçoba, gerente comercial da Brado Logística, o direcionamento entre mercado interno e exportação depende diretamente das condições de safra.

Na safra 2024/2025, a escassez de milho elevou os preços e reduziu a disponibilidade para exportação. Já com a retomada da produção nas safras seguintes, a tendência é de maior excedente, favorecendo o avanço das vendas externas.

Primeira exportação para a China marca novo momento

O Brasil alcançou um marco relevante ao realizar a primeira exportação de DDG para a China, um dos mercados mais estratégicos para o setor.

A operação foi conduzida pela FS, com suporte logístico da Brado, envolvendo o transporte de 72 contêineres a partir de Rondonópolis (MT) até o Porto de Santos.

A expectativa é de expansão significativa dos embarques ao longo do ano. A FS projeta crescimento de 180% no volume exportado em relação à safra anterior, incluindo também destinos como Vietnã e Indonésia.

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Apesar do potencial, o acesso ao mercado chinês exige adaptação às exigências regulatórias.

“A China é um mercado relevante, mas possui regras rigorosas de importação, o que demanda uma inserção gradual do produto brasileiro”, destaca Salcedo.

Multimodalidade e conteinerização elevam eficiência

A operação logística do DDG brasileiro é baseada em um modelo multimodal, que integra transporte ferroviário e rodoviário.

O produto, fabricado em Primavera do Leste (MT), segue até Rondonópolis, onde é acondicionado em contêineres. Em seguida, é transportado por ferrovia até Cubatão e finaliza o trajeto por rodovia até o Porto de Santos.

A conteinerização garante maior integridade da carga, reduz riscos operacionais e aumenta o controle logístico, fatores essenciais para operações de longa distância.

Além disso, o uso combinado de modais proporciona ganhos de escala, previsibilidade e eficiência ao processo de exportação.

Perspectiva é de consolidação no mercado global

Mesmo diante de oscilações na produção de milho, o mercado de DDG no Brasil demonstra resiliência e potencial de crescimento contínuo.

Com ganhos operacionais, evolução logística e abertura de novos mercados, o país avança na consolidação do DDG como produto estratégico da cadeia do etanol de milho, ampliando sua presença no comércio internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Ureia despenca mais de 40% e fertilizantes voltam ao nível pré-crise com avanço de acordo entre EUA e Irã

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Os preços internacionais da ureia registraram forte recuo nas últimas semanas e já retornaram aos níveis observados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo análise da StoneX, as cotações destinadas ao mercado brasileiro acumulam queda superior a 40% após oito semanas consecutivas de desvalorização, refletindo o avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.

O movimento é acompanhado de perto pelo setor de fertilizantes, uma vez que a região concentra uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo, amônia, enxofre e fertilizantes nitrogenados. A perspectiva de retomada da navegação vem reduzindo os temores relacionados à oferta global e aos gargalos logísticos que pressionaram os preços nos últimos meses.

Mercado reage à expectativa de normalização logística

De acordo com a StoneX, a possibilidade de restabelecimento do fluxo marítimo no Golfo Pérsico tem provocado uma mudança significativa no comportamento dos mercados de energia e fertilizantes.

As restrições impostas à navegação durante o período de instabilidade elevaram custos e dificultaram o transporte de insumos estratégicos. Agora, com o avanço das negociações entre Washington e Teerã, os agentes de mercado passaram a precificar um cenário de maior disponibilidade de produtos e menor risco logístico.

Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o acordo preliminar representa um importante fator de pressão baixista para o setor.

“O entendimento entre Estados Unidos e Irã tem impacto direto sobre a logística global e a oferta de fertilizantes. O Estreito de Ormuz é uma rota fundamental para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre, o que torna qualquer sinalização de normalização extremamente relevante para os mercados”, avalia.

Ureia retorna aos patamares anteriores ao conflito

O efeito mais visível foi observado no mercado da ureia. As cotações CFR Brasil recuaram para níveis inferiores aos registrados antes do início da crise geopolítica, revertendo completamente os ganhos observados durante o período de maior incerteza.

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A queda acumulada superior a 40% representa uma das correções mais expressivas dos últimos meses e sinaliza uma redução dos prêmios de risco que vinham sendo incorporados aos preços internacionais.

Além da expectativa de reabertura das rotas marítimas, o mercado também passou a considerar uma possível ampliação da oferta global de fertilizantes caso as negociações avancem para uma flexibilização das sanções impostas ao Irã.

Acordo ainda depende de novas etapas

Apesar da reação positiva dos mercados, o acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não está concluído. Informações divulgadas pela Reuters indicam que o entendimento atual prevê a extensão do cessar-fogo por mais 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas questões centrais continuam em negociação.

Entre os temas que permanecem em discussão está o futuro do programa nuclear iraniano, considerado um dos principais pontos de divergência entre os dois países.

Especialistas do setor marítimo alertam que a normalização completa das operações não deve ocorrer imediatamente. Mesmo após a eventual reabertura da rota, a retomada da confiança dos operadores logísticos e o reposicionamento das embarcações podem levar semanas.

Fertilizantes ainda dependem da evolução do cenário geopolítico

A StoneX destaca que o mercado segue monitorando fatores que podem limitar a recuperação plena da logística na região.

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Existem preocupações relacionadas à segurança da navegação, incluindo relatos sobre possíveis áreas minadas e incertezas quanto às condições definitivas para a circulação de embarcações. Além disso, navios que permaneceram retidos durante o período de restrições poderão enfrentar atrasos até que o fluxo marítimo seja totalmente restabelecido.

Dessa forma, embora a tendência atual seja de alívio para os preços, a oferta global de fertilizantes continua condicionada à evolução das negociações diplomáticas e à estabilidade da região.

Cenário favorece importadores brasileiros

A queda das cotações ocorre em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. Tradicionalmente, as compras externas de fertilizantes nitrogenados ganham força ao longo do segundo semestre, período de preparação para importantes culturas da safra de verão.

Com preços mais baixos e perspectiva de melhora na logística internacional, os importadores brasileiros encontram um ambiente mais favorável para negociar volumes e recompor estoques.

Além dos fertilizantes, o anúncio do acordo preliminar também impactou o mercado energético. Os preços do petróleo recuaram para os menores níveis dos últimos três meses, refletindo as expectativas de retomada do fluxo normal de cargas em uma das regiões mais importantes para o comércio global.

Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre fertilizantes mais baratos e redução das incertezas logísticas pode representar um importante fator de alívio nos custos de produção nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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