Política Nacional

Dependência econômica da mulher agrava violência, para debatedoras em comissão

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Debatedoras ouvidas na Comissão Mista de Combate à Violência Contra a Mulher (CMCVM) nesta quarta-feira (8) defenderam políticas públicas integradas para afastar a população feminina da dependência econômica, que leva a uma espiral de violência.

A audiência pública foi conduzida pela deputada Luizianne Lins (Rede-CE), presidente do colegiado.

Kenia de Souza, professora adjunta do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), definiu a violência econômica como o instrumento de controle das mulheres por meio de mecanismos como restrição de recursos financeiros, impedimento de geração de renda, apropriação do patrimônio feminino e endividamento forçado.

Segundo ela, essa situação leva as mulheres a maior possibilidade de desenvolvimento de doenças psíquicas, menores salários e participação restrita no mercado de trabalho.

— A gente consegue interpretar isso como um imposto implícito sobre a renda das mulheres. A expectativa de renda acaba sendo menor que o potencial de renda daquelas mulheres, pois elas estão num ciclo de violência — afirmou.

Secretária nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres, Joana Célia dos Passos considera necessário que as mulheres “tomem as suas vidas nas mãos” para deter a violência física, sexual e moral que as atinge.

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— Quanto menor a inserção e maior o desemprego, maior é a dificuldade dessas mulheres saírem desse ciclo de violência. A desigualdade econômica se constitui em mecanismo que sustenta a violência.

Joana Célia dos Passos criticou as ações judiciais em curso contra a Lei da Igualdade Salarial (Lei 14.611, de 2023), o que avaliou como obstáculo ao avanço das mulheres no mercado de trabalho. Ela citou ações do governo federal a favor das mulheres, mas ressalvou que o enfrentamento à violência exige abordagem integrada entre os três Poderes e a sociedade civil.

Para Lais Wendel Abramo, secretária nacional da Política de Cuidados e Família do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, os homens têm sua autonomia financeira construída por uma inserção mais estável no mercado de trabalho, com menos interrupções na trajetória profissional e menor carga de trabalho não remunerado.

Ela saudou a rápida aprovação da Política Nacional de Cuidados (Lei 15.069, de 2024), que classificou como um reconhecimento inédito da sobrecarga de trabalho sobre as mulheres.

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— A desigualdade na autonomia financeira das mulheres não nasce apenas no mercado de trabalho. Ela nasce antes: na distribuição do tempo e das responsabilidade de cuidado — afirmou.

Tereza Campello, diretora socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), expôs as iniciativas da instituição para fortalecimento do protagonismo feminino.

A economista da Universidade Federal Fluminense (UFF) Hildete Pereira de Melo criticou a persistência do “pensamento conservador” na política e a baixa representação feminina no Parlamento.

Carolina Campos Afonso, doutoranda da Universidade de Brasília (UnB), destacou a necessidade de levar as mulheres a ter condições reais de autonomia para que escapem do ciclo de violência gerado pela dependência econômica.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Política Nacional

Sessão pelos 30 anos do UOL aponta jornalismo contra desinformação

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Senadores e deputados homenagearam, nesta quarta-feira (29), os 30 anos do Portal UOL, que publica conteúdo na internet desde 1996. Os participantes da sessão solene do Congresso, realizada no Plenário do Senado, apontaram o jornalismo profissional como solução para o combate às informações falsas ou de veracidade questionável.

O requerimento para a realização da homenagem (REQ 12/2026 – Mesa) foi do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que afirmou ser “usuário assíduo” do portal. Pacheco disse que o UOL é um “marco do jornalismo” pelo pioneirismo na internet.

— A era digital transformou a maneira como consumimos conteúdo. Isso é absolutamente fundamental para o fortalecimento da cidadania. Por outro lado, trouxe também grande profusão de informações das mais variadas fontes, que muitas vezes podem trazer desinformação. Ao nos depararmos com canais confiáveis de jornalismo profissional, precisamos enaltecer esses veículos.

Intolerância

A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que também requereu a comemoração, afirmou que o jornalismo on-line permitiu uma maior participação dos leitores.

— Para além de receber informação, brasileiros já queriam, 30 anos atrás, produzir, comentar, conversar, ser parte da notícia. A audiência precisava ter voz, e vocês foram um dos primeiros a reconhecerem isso.

O senador Omar Aziz (PSD-AM) disse que a alta conectividade levou pessoas a confundir “liberdade de expressão com libertinagem na internet, onde todos podem agredir a todos”. 

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— Infelizmente, hoje as redes sociais estragam a mente das pessoas. Uma pessoa coloca um trecho da Bíblia, uma coisa falando de Deus, e daqui a pouco o cara está lá comentando: “tomara que você morra”.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) avaliou que o “mundo se tornou mais caótico” nos últimos 15 anos, em razão dos algoritmos que determinam como as redes sociais funcionam. O resultado é uma “democracia em xeque”, disse o senador.

— [Isso] transformou a política em um universo em que a crença pessoal é mais importante do que a ciência do que os fatos. Esse tipo de sociedade deu espaço para uma política em que a emoção vale mais. Isso tem consequência direta sobre a ascensão de populismo. 

Atuação dos jornalistas

O colunista do UOL, Josias de Souza, disse que a democracia depende da “sanidade dos cidadãos”, obtida por meio de um jornalismo comprometido.

— O jornalismo deve servir ao interesse da coletividade. A apartidarismo não se confunde com a neutralidade diante dos fatos. É a independência diante do poder, liberdade de criticar e de questionar —, disse o jornalista.

Na avaliação do diretor de conteúdo do UOL, Murilo Garavello, os jornalistas devem ajudar as pessoas a digerirem as notícias, selecionar o que importa e investigar “o que querem esconder”.

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— O mundo está cada vez mais fragmentado, mais polarizado, mais barulhento. Corremos o risco de navegar sem bússola no mar de informação, de inutilidade e de desinformação, sem saber em quem confia. Em meio a esse caos, o jornalismo profissional é essencial.

UOL

Vice-presidente de Áreas Corporativas do Grupo UOL, Maria Judith de Brito afirmou que participou do grupo que criou o portal. Ela lembrou que a empresa é faz parte do Grupo Folha, responsável pelo jornal Folha de S. Paulo, mas com gestão própria. Ainda assim, os princípios de jornalismo continuam os mesmos: credibilidade, ética, pluralidade e independência.

O diretor-presidente do UOL, Paulo Samia, afirmou que cerca de 90% dos “brasileiros conectados todos os meses”, mais de R$ 70 milhões de pessoas. Os acessos se referem aos serviços do Grupo UOL, que incluem jornalismo, entretenimento e educação.

Também participaram da sessão os diretores do UOL Alexandre Gimenez e Carol Elizabeth Reikdal Conway.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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