Agro News

Deputados discutem regras mais rígidas para comercialização da tilápia no Estado

Publicado

A expansão da tilapicultura em Mato Grosso do Sul começa a provocar ajustes na legislação estadual. Mesmo com participação modesta nas exportações nacionais — 3% do total embarcado pelo Brasil em 2024, segundo o anuário da PeixeBR — o setor vem ganhando importância econômica e política no Estado. E é justamente nesse momento de crescimento que deputados passaram a defender medidas de proteção ao mercado local.

A Assembleia Legislativa analisa o Projeto de Lei 304/2025, que cria um filtro mais rígido para a entrada e a comercialização de tilápia cuja procedência não esteja claramente documentada. A proposta, apresentada pelo deputado estadual Roberto Hashioka, surgiu após relatos de circulação de pescado barato e sem comprovação sanitária, prática que, segundo produtores, distorce preços e ameaça a competitividade da cadeia sul-mato-grossense.

O texto impede a venda no Estado de qualquer tilápia — fresca, congelada, filetada ou processada — que não esteja acompanhada de nota fiscal, documentos sanitários e informações de rastreabilidade emitidas por produtor ou fornecedor brasileiro. Na prática, cria um barreira contra o que o parlamentar chama de “produto de origem nebulosa”, que chega ao varejo com preço abaixo do mercado e sem garantias mínimas de segurança alimentar.

Leia mais:  Dieta de alta energia eleva produção de embriões bovinos em mais de 20%

Os estabelecimentos serão obrigados a manter, de forma visível ao consumidor, informações sobre lote, data de processamento e identificação do produtor, além dos certificados dos órgãos de inspeção.

Hashioka sustenta que o objetivo não é interferir nas regras de comércio exterior — prerrogativa da União — mas ordenar o mercado interno e impedir que pescado sem origem verificada circule livremente dentro do Estado. “Estamos falando de saúde pública, proteção econômica e respeito ao consumidor”, diz o deputado na justificativa.

A proposta ganhou simpatia entre criadores e frigoríficos, que temem que a chegada de peixe mais barato force uma disputa desigual. O setor argumenta que produtos sem rastreabilidade podem entrar no mercado praticando valores inferiores aos custos locais, cenário que poderia configurar dumping e comprometer a estabilidade da cadeia.

O argumento ganha força num momento em que o Estado tenta consolidar sua posição como polo de tilapicultura, disputando espaço com regiões mais tradicionais como Paraná e São Paulo, líderes nacionais nas exportações.

O PL prevê fiscalização conjunta da Secretaria de Meio Ambiente e da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal. Quem descumprir as regras poderá ter mercadorias apreendidas, sofrer suspensão de registros sanitários e enfrentar multas que podem chegar a 300 UFERMS — cerca de R$ 15,7 mil. Os valores serão revertidos ao Fundefesa, que financia ações de defesa agropecuária no Estado.

Leia mais:  Reino Unido completa depósito de R$ 500 milhões e se torna segundo maior doador do Fundo Amazônia

O setor privado terá 90 dias de adaptação caso a medida seja aprovada.


Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Pós-colheita de grãos se torna nova fronteira de competitividade no agronegócio brasileiro, aponta MOTOMCO

Publicado

O agronegócio brasileiro consolidou, nas últimas décadas, uma forte revolução tecnológica dentro da porteira. Agora, um novo ciclo de inovação começa a ganhar protagonismo: o pós-colheita. Etapas como secagem, armazenagem e controle de qualidade dos grãos vêm se tornando determinantes para a rentabilidade das safras, em um cenário de margens mais apertadas e maior exigência dos mercados.

Dados da MOTOMCO, empresa especializada em tecnologias de monitoramento de umidade e qualidade de grãos, mostram que cerca de 58,3% dos descontos aplicados na recepção da soja estão ligados ao excesso de umidade, um fator que pode ser controlado com gestão e tecnologia ainda na propriedade.

Umidade dos grãos é principal fator de desconto na soja

O levantamento evidencia que o controle inadequado da umidade segue como um dos principais gargalos econômicos na comercialização de grãos no Brasil.

Na Região Sul, 63,5% das cargas de soja chegam às unidades armazenadoras com umidade entre 12% e 15%, faixa próxima ao padrão de referência de 14%. Já no Centro-Oeste, onde a colheita coincide frequentemente com períodos chuvosos, 48,3% das cargas ultrapassam 17,8% de umidade, exigindo secagem adicional e aumentando os descontos na classificação.

Em situações de adversidade climática, os impactos podem ser ainda mais severos. Embora o avanço tecnológico das colhedoras tenha reduzido impurezas, os índices de grãos avariados ainda podem ultrapassar 30% da carga em algumas regiões, ampliando perdas financeiras.

Na prática, o excesso de água é descontado diretamente do peso líquido entregue pelo produtor, reduzindo a remuneração final da produção.

Falta de monitoramento ainda gera perdas silenciosas no campo

Segundo especialistas, muitos produtores ainda não têm visibilidade completa das perdas associadas ao pós-colheita.

Sem sistemas de monitoramento adequados, decisões sobre colheita, secagem e armazenagem continuam sendo tomadas com base em observação visual ou experiência acumulada, sem dados precisos sobre a qualidade real dos grãos.

Leia mais:  Caravelas se mantém líder de vendas de açúcar no Brasil pelo segundo ano seguido

Para o engenheiro agrônomo da MOTOMCO, Roney Smolareck, o principal entrave à adoção de tecnologias no pós-colheita já não é financeiro, mas cultural.

“Em muitos casos, a resistência está relacionada ao modelo de gestão. Empresas e propriedades mais tradicionais tendem a adotar novas tecnologias de forma mais lenta”, afirma.

Nova geração de produtores acelera transformação no pós-colheita

Nas novas fronteiras agrícolas, como o MATOPIBA, o cenário é diferente. Produtores mais jovens e conectados já nasceram em um ambiente de gestão digital, com uso intensivo de dados e integração de sistemas.

“Esses produtores entendem que pequenas perdas durante a secagem, armazenagem e movimentação dos grãos podem representar impactos financeiros significativos ao final da safra”, explica Smolareck.

A mudança de mentalidade também avança entre propriedades tradicionais, impulsionada pela necessidade de maior eficiência econômica. O foco deixa de ser apenas produtividade e passa a incluir indicadores de rentabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva.

Caso real mostra ganhos com tecnologia no pós-colheita

O produtor rural Marcos Marques, de Rondon do Pará (PA), que cultiva cerca de 1.300 hectares de soja, milho, sorgo e gergelim, relata que a mudança na gestão do pós-colheita transformou sua percepção sobre perdas na atividade.

Há quatro anos, ele investiu em armazenagem própria e sistemas de monitoramento de umidade e temperatura, passando a ter maior controle sobre a qualidade dos grãos dentro da fazenda.

“Depois que eu comprei o silo e coloquei mais tecnologia voltada pro pós-colheita na fazenda, pude perceber o tanto que eu perdia lá para trás. Não dá nem para mensurar o tamanho do ganho, mas a diferença é muito grande”, afirma.

Segundo o produtor, a principal vantagem foi a maior segurança nas negociações e o controle sobre as informações da carga.

“Já tivemos situações em que a carga chegou ao porto e os números não batiam. Como temos equipamentos aferidos e laudos próprios, conseguimos comprovar a qualidade do produto. Isso traz muito mais segurança para negociar.”

Exigências do mercado ampliam importância do pós-colheita

A crescente exigência dos mercados consumidores também impulsiona a adoção de tecnologias no pós-colheita. A rastreabilidade e a preservação de atributos industriais dos grãos tornaram-se fatores estratégicos na comercialização.

Leia mais:  Brasil amplia área de cultivo e consolida liderança global nas exportações de algodão

Na soja, o foco está na manutenção de teores de proteína e óleo. No milho e no sorgo, o amido é essencial para alimentação animal e produção de etanol. No trigo, a qualidade da farinha depende diretamente das características tecnológicas do grão. Já na cevada, falhas na secagem podem comprometer o poder germinativo, reduzindo o valor de mercado.

Tecnologia e dados redefinem a armazenagem de grãos no Brasil

O avanço de soluções como sensores conectados, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e plataformas integradas de monitoramento vem transformando a gestão pós-colheita em toda a cadeia produtiva.

De acordo com Smolareck, essa evolução já é visível na estrutura das unidades armazenadoras.

“O que antes era uma simples sala de classificação hoje muitas vezes funciona como um laboratório de qualidade, com sistemas automatizados e análise de dados em tempo real”, destaca.

Ele reforça que o movimento segue trajetória semelhante à da agricultura de precisão dentro da lavoura.

“Há alguns anos, muitos questionavam o uso de GPS e sensores no campo. Hoje isso é rotina. No pós-colheita, estamos vendo a mesma transformação, mas agora a disputa acontece depois que o grão sai do campo”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana