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Deputados participam de audiência pública sobre concessões de ferrovias em Mato Grosso

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Foi realizada na manhã desta sexta-feira (14), no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá, audiência pública para a apresentação e debate do projeto de concessão à iniciativa privada das ferrovias Integração Centro-Oeste (Fico) e Integração Leste-Oeste (Fiol). As propostas constam como prioritárias no Novo PAC do governo federal.

Os deputados Dr. Eugênio (PSB) e Wilson Santos (PSD) representaram a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) na discussão da proposta. O representante da região do Araguaia, Dr. Eugênio, propôs o desmembramento da concessão da Fico com a da Fiol. Segundo ele, as ferrovias têm funções diferentes na execução das obras.

“Não podemos depender da Fiol para que seja licitada a concessão da Fico. São duas concessões que têm que ser colocadas de formas diferentes, serem exploradas de formas diferentes, pode até ser a mesma empresa, não tem problema. Tanto que seja a Rumo, como a VLI, para que possam participar do processo licitatório, mas que sejam feitos de forma diferente. Não podemos depender da Fiol para que a Fico seja licitada”, afirmou Dr. Eugênio.

O parlamentar disse ainda que o modal terá impacto na logística de exportação de grãos de Mato Grosso e, mais ainda, da região do Vale do Araguaia. “Por isso sugiro que na licitação seja feita a separação da gestão das ferrovias, que a da Fico fosse independente da Fiol. Esta segue o rumo para a Bahia, tem a logística diferente da Fico, que vai ser à cidade de Água Boa”, explicou Dr. Eugênio.

De acordo com o parlamentar, a ferrovia fará uma mudança extraordinária às questões sociais e econômica da região do Araguaia. “Hoje, a gente percebe isso. No município de Cocalinho não tem mais residências à locação. Até o prefeito deixou a sua residência oficial e foi morar na fazenda, para alugá-la. É um momento histórico que vive a região do Vale do Araguaia”, afirmou Dr. Eugênio.

O deputado Wilson Santos afirmou que as obras para construção dos trilhos são estratégicas para o estado

O deputado Wilson Santos afirmou que as obras para construção dos trilhos são estratégicas para o estado

Foto: JLSIQUEIRA/ALMT

Para o prefeito de Lucas do Rio Verde, Miguel Vaz (Cidadania), a chegada dos trilhos até o município é de fundamental importância à região médio-norte de Mato Grosso que, segundo ele, é a que mais produz grãos do Brasil. Hoje, de acordo com o prefeito, metade da produção é exportada pelo Arco Norte Terminais, por meio de rodovia, e a outra metade por Rondonópolis pela ferrovia.

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“A expectativa é de que a produção aumente muito na região e a Fico pode direcionar parte dessa produção, que está em crescimento, inclusive para outros portos, como por exemplo, de Ilhéus (BA). Existe a expectativa de que a produção de grãos chegue próximo de 150 milhões de toneladas nos próximos anos. Por isso as ferrovias são importantes. A Rumo é importante, ela liga o Norte-Sul, a Fico liga o Leste-Oeste e a Ferrogrão liga a região para o Arco Norte”, disse Vaz.

O deputado Wilson Santos mostrou-se preocupado com a continuidade dos trilhos da ferrovia do município de Água Boa até Lucas do Rio Verde. “Até Água Boa os recursos estão garantidos, que são oriundos de uma renovação de uma concessão feita pelo governo federal em favor da antiga Vale do Rio Doce, hoje só Vale. Esse trecho de 384 quilômetros (km) está garantido para Água Boa, mas a partir de Lucas até Vilhena (RO) é a nossa maior preocupação. Essa é uma obra estratégica para Mato Grosso e o Centro-Oeste”, destacou Santos.

O superintende da Concessão de Infraestrutura (Sucon/ANTT), Marcelo Fonseca, afirmou que já existem estudos (engenharia, demandas, ambientais) de viabilidade desenvolvidos pelo poder concedente, que as audiências públicas são para o refinamento dos projetos apresentados. “O momento é de ouvir a sociedade para pegar contribuições e refinar esses projetos. São projetos grandiosos. São corredores de 2.700 km, ligando a produção de grãos de Mato Grosso, passando por Goiás, chegando até Bahia, no Porto de Ilhéus”, disse Fonseca.

Nesse trecho, segundo Fonseca, serão investidos cerca de R$ 30 bilhões ao longo de 35 anos. Fonseca disse que existe um planejamento de a construção do Porto de Ilhéus ser entregue até 2028. “Assim como o trecho 1 da Fiol, que já está concedido inclusive, a gente conecta com o restante do trecho. A concessão que discutimos é para conectar com o restante desses trechos”.

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Ele afirmou que a Fico 1 deverá percorrer o trecho de 383 km de Mara Rosa (GO) até Água Boa (MT). A obra está sendo construída e executada pela Vale no contrato da Vitória Minas, uma contrapartida do contrato da Vitória Minas, e a Fico 2 está prevista dentro desse projeto para Mato Grosso.

“A ideia é que seja uma opção desse concessionário ao assumir a obra e, com isso, possa estender o trecho até Lucas do Rio Verde (Água Boa até Lucas do Rio Verde), conectando-o com os demais que estão sendo construídas. Isso é dentro dessa concessão, não é por orçamento público, não é por outro investimento, é por dentro da concessão e poderá ter uma participação do governo federal para equilibrar essa conta e permitir a construção”, afirmou Fonseca.

Fonseca disse que ANTT tem o prazo de até 23 de março de 2025 para as coletas de contribuições e que o próximo passo será o de refinar o projeto. “Tomadas às decisões, vamos encaminhá-lo ao Tribunal de Contas da União. E no segundo semestre, esperamos que o TCU tenha uma decisão oficial e, com isso, possamos efetivamente publicar o edital de licitação até o final de 2025, e termos um leilão no início de 2026. Esse é o planejamento, e ao longo de 2026 termos a assinatura desse contrato de concessão”, afirmou o superintendente Sucon.

A Ferrovia de Integração Centro-Oeste conectará Mato Grosso à Ferrovia Norte-Sul, fortalecendo a logística do agronegócio. É prevista a implantação de cerca de 2,7 mil quilômetros de extensão de trilhos, atravessando os estados da Bahia, Tocantins, Goiás e Mato Grosso.

As estradas de ferro serão interligadas à Ferrovia Norte-Sul e à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), fortalecendo a infraestrutura logística do país e impulsionando o escoamento da produção nacional.

O investimento total previsto na concessão pelo prazo de 35 anos é de R$ 28,7 bilhões, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Os principais produtos a serem escoados pelo trecho ferroviário são soja, milho e grãos (80%), fertilizantes (15%) e demais cargas como combustíveis, açúcar e algodão. O cenário base considerado pela ANTT prevê que o ano 1 da concessão será 2027.

Fonte: ALMT – MT

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Leis aprovadas pela ALMT reforçam combate ao cigarro e alertam sobre riscos do vape à saúde

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O Dia Mundial sem Tabaco, lembrado em 31 de maio, reforça a importância da conscientização sobre os danos causados pelo cigarro convencional e pelos dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como vapes, pods ou cigarros eletrônicos. Em Mato Grosso, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) possui legislações voltadas à proteção da saúde pública e ao combate ao tabagismo, além de promover ações de cuidado e prevenção por meio do QualiVida – Programa de Saúde e Qualidade de Vida da ALMT.

Entre as legislações em vigor está a Lei nº 9.256/2009, que proíbe o consumo de cigarros, charutos, cachimbos e outros produtos fumígenos em ambientes coletivos públicos e privados fechados no estado. A norma também determina a criação de ambientes livres de fumaça e prevê medidas de fiscalização e orientação.

Mais recentemente, a Assembleia aprovou a Lei nº 12.302/2023, de autoria da deputada estadual Sheila Klener (PSDB), que ampliou as restrições aos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), proibindo o uso de cigarros eletrônicos em ambientes coletivos. A legislação inclui produtos conhecidos como e-cigarettes, vapes e pods, utilizados como alternativa ao cigarro convencional ou apresentados como tratamento para o tabagismo.

Para o pneumologista João Paulo Jajah Nogueira, que atua no QualiVida da ALMT, além do tratamento, as políticas públicas e a informação de qualidade são fundamentais no combate ao tabagismo.

“As leis que restringem o uso do cigarro e dos dispositivos eletrônicos ajudam a proteger a população, reduzem a exposição passiva à fumaça e contribuem para evitar que o hábito de fumar seja normalizado entre adolescentes e jovens”, destacou.

O médico alerta que o tabagismo continua sendo uma das principais causas evitáveis de doenças e mortes no mundo.

“O cigarro contém milhares de substâncias tóxicas, muitas delas cancerígenas. A nicotina provoca dependência intensa, enquanto outras substâncias causam inflamações, lesões pulmonares e doenças cardiovasculares”, explicou.

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Segundo o especialista, entre as doenças mais associadas ao tabagismo estão câncer de pulmão, bronquite crônica, enfisema pulmonar, infarto, AVC e hipertensão arterial. Ele também destacou os prejuízos causados pelo tabagismo passivo.

“Pessoas que convivem diariamente com fumantes também adoecem. Crianças, idosos e gestantes estão entre os mais vulneráveis aos efeitos da fumaça”, afirmou.

O pneumologista chama atenção ainda para o crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos. Apesar de muitas vezes serem divulgados como menos prejudiciais, os dispositivos eletrônicos apresentam riscos graves à saúde.

“Muitos jovens acreditam que estão inalando apenas vapor de água, mas esses dispositivos possuem nicotina, metais pesados e substâncias químicas capazes de causar inflamação pulmonar importante e dependência química”, alertou João Paulo.

Entre os principais problemas associados ao uso de vape estão tosse persistente, falta de ar, irritação das vias respiratórias, agravamento da asma, bronquite e até lesões pulmonares graves, conhecidas internacionalmente como EVALI (Lesão Pulmonar Associada ao Uso de Cigarro Eletrônico ou Vape).

Na prática clínica, segundo o médico, também é comum o chamado “uso dual”, quando a pessoa utiliza simultaneamente o cigarro convencional e o eletrônico, aumentando ainda mais os danos à saúde.

João Paulo ressalta que não existe forma segura de fumar e destaca que parar de fumar é uma das decisões mais importantes para a qualidade de vida e prevenção de doenças.

“O tratamento da dependência da nicotina muitas vezes exige acompanhamento médico e psicológico. O mais importante é buscar ajuda e entender que recaídas podem acontecer durante o processo”, orientou.

A experiência de quem conseguiu abandonar o vício reforça os benefícios dessa decisão. O técnico em mecânica industrial e refrigeração comercial, Roberto Tsuzuki Müller, de 55 anos, fumou dos 18 aos 48 anos e está há sete anos sem fumar. Ele conta que a decisão de abandonar o cigarro foi motivada por uma série de acontecimentos familiares e pela percepção dos impactos do tabagismo em sua rotina.

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“Uma sequência de mortes e casos de câncer entre familiares me fez refletir. Minha esposa também fumava e parou após perder o pai para a doença. Eu comecei a me sentir mal por causa do cheiro do cigarro e percebi que precisava mudar. Usei adesivos de nicotina, mas, acima de tudo, é preciso ter decisão. Para largar o cigarro, a pessoa precisa realmente querer. Precisa ser de opinião”, relatou.

Embora praticasse atividades físicas regularmente, como ciclismo e downhill, Roberto conta que não sentia falta de ar nem limitações que o levassem a pensar em abandonar o cigarro. Com o passar do tempo, porém, outros efeitos do tabagismo passaram a incomodá-lo cada vez mais, como o cheiro impregnado nas roupas e a perda do prazer de sentir o sabor dos alimentos.

“O que mais senti quando parei foi o prazer de comer e perceber melhor o sabor dos alimentos. Também me senti mais limpo. O cigarro deixa a pessoa com mau hálito, dentes amarelados e uma sensação constante de sujeira. Além disso, existe o gasto financeiro, que acaba pesando com o tempo”, destacou.

Embora não tenha precisado de acompanhamento psicológico para abandonar o vício, ele considera o suporte profissional importante para muitas pessoas que enfrentam dificuldades durante o processo.

“Eu não precisei de ajuda psicológica, mas considero fundamental para quem está tentando parar. Cada pessoa tem uma experiência diferente e todo apoio pode fazer a diferença”, afirmou.

A mensagem que Roberto deixa para quem ainda fuma ou utiliza dispositivos eletrônicos é direta: “Pare antes que seja tarde. O cigarro convencional, assim como o cigarro eletrônico, é desnecessário e traz graves riscos à saúde”.

Fonte: ALMT – MT

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