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El Niño aumenta riscos para a safra e reforça importância da descompactação do solo antes do plantio

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A intensificação do fenômeno El Niño prevista para os próximos meses amplia os desafios para a agricultura brasileira e torna o preparo do solo uma etapa ainda mais estratégica para o sucesso da safra 2026/2027. Diante da possibilidade de eventos climáticos extremos, como excesso de chuvas em algumas regiões e estiagens em outras, especialistas destacam que a descompactação do solo pode ser decisiva para preservar a produtividade das lavouras.

De acordo com boletim divulgado em 11 de junho pelo Climate Prediction Center (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño já está configurado e tem 63% de probabilidade de atingir forte intensidade entre novembro e janeiro.

No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que o fenômeno costuma provocar chuvas acima da média na Região Sul e aumentar o risco de estiagens no Norte e Nordeste, exigindo maior planejamento dos produtores rurais.

Solo descompactado reduz riscos climáticos

Em cenários de chuvas intensas, solos compactados apresentam menor capacidade de infiltração da água, favorecendo enxurradas, erosão, encharcamento e prejuízos ao desenvolvimento das culturas.

Já nas regiões sujeitas a períodos de seca ou veranicos, a compactação dificulta o aprofundamento das raízes e reduz o armazenamento de água no perfil do solo, tornando as plantas mais vulneráveis ao estresse hídrico.

Segundo Henrique Figueiredo Moscatelli, engenheiro agrônomo e analista de inovação do Grupo Piccin, o produtor não pode controlar o clima, mas pode preparar melhor suas áreas para enfrentar os efeitos das variações climáticas.

“Um solo menos compactado infiltra mais água, drena melhor e favorece o aproveitamento de água e nutrientes pelas plantas. A descompactação deixa de ser apenas uma operação corretiva e passa a fazer parte da estratégia de mitigação de riscos da propriedade”, afirma.

Compactação limita o desenvolvimento das raízes

A compactação do solo ocorre principalmente pelo tráfego intenso de máquinas agrícolas, pisoteio animal e operações realizadas em condições inadequadas de umidade.

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O adensamento das camadas reduz a porosidade do solo, dificulta o crescimento das raízes e limita a exploração de água e nutrientes em profundidade.

Segundo estudos da Embrapa, esses efeitos tornam-se ainda mais severos em anos marcados por excesso ou deficiência hídrica, comprometendo diretamente o potencial produtivo das lavouras.

Quando o solo não consegue absorver grandes volumes de chuva, a água escoa pela superfície, favorecendo processos erosivos e a perda da camada mais fértil.

Em áreas de relevo plano ou com drenagem deficiente, o problema também pode provocar alagamentos prolongados, reduzindo a oxigenação das raízes e prejudicando o desenvolvimento das plantas.

Soja e milho estão entre as culturas mais afetadas

Culturas anuais, como soja e milho, figuram entre as mais sensíveis aos efeitos da compactação.

Por apresentarem ciclo produtivo curto, essas lavouras têm menor capacidade de recuperação quando enfrentam excesso de água ou déficit hídrico em fases críticas do desenvolvimento.

Em solos compactados, o sistema radicular tende a crescer superficialmente, limitando o acesso às reservas de água e nutrientes existentes nas camadas mais profundas.

Diagnóstico correto evita desperdícios

A identificação da compactação deve ser feita por meio de avaliação técnica.

Embora alguns sintomas possam ser observados em campo, como desenvolvimento desigual das plantas, poças de água após chuvas e histórico de intenso tráfego de máquinas, o diagnóstico mais preciso é realizado com o uso do penetrômetro, equipamento que mede a resistência do solo e identifica a profundidade da camada compactada.

Essas informações permitem definir a necessidade e a intensidade da intervenção mecânica.

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Descompactação exige planejamento e condições adequadas

A descompactação mecânica rompe as camadas adensadas, melhora a estrutura física do solo, aumenta a aeração e favorece o crescimento das raízes.

Além disso, contribui para maior eficiência no aproveitamento da água e dos nutrientes, proporcionando maior estabilidade produtiva tanto em períodos chuvosos quanto em épocas de menor disponibilidade hídrica.

Entretanto, a operação deve ser realizada em condições adequadas de umidade.

Quando o solo está excessivamente seco, aumenta a demanda de potência dos equipamentos e há maior formação de torrões. Já em solo muito úmido, as hastes podem não romper corretamente a camada compactada, comprometendo a eficiência da operação e até agravando problemas estruturais.

Por isso, especialistas recomendam avaliar cada área individualmente, ajustando corretamente a profundidade de trabalho e o espaçamento entre hastes conforme as características do solo.

Preparo do solo é investimento na produtividade

Segundo Moscatelli, a escolha do implemento adequado também influencia diretamente os resultados da operação. Entre os fatores que devem ser considerados estão o tipo de solo, potência do trator, profundidade de trabalho, tamanho da área e presença de palhada.

Mais do que uma prática de correção física, a descompactação do solo vem se consolidando como uma importante ferramenta de manejo para aumentar a resiliência das lavouras frente às mudanças climáticas.

“O produtor não controla o clima, mas controla a qualidade do preparo do solo. É nesse momento que se reduz parte dos riscos da safra. Uma lavoura de alto desempenho começa muito antes da semeadura, com um perfil de solo bem estruturado e preparado para enfrentar os desafios climáticos”, conclui o especialista.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produtor tem até 30 de setembro para entregar a DITR

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O produtor rural tem até 30 de setembro para entregar a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) de 2026 e não precisa adotar automaticamente o valor da terra divulgado pelo município ou por órgãos estaduais. As tabelas servem como referência, mas o valor informado deve refletir as características e o preço de mercado de cada imóvel.

O esclarecimento foi feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab). Segundo o órgão, os preços publicados representam médias regionais e não substituem uma avaliação individual da propriedade.

O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) é autodeclaratório. Isso permite que o contribuinte utilize um valor diferente da tabela, desde que consiga demonstrar como chegou ao resultado. Diferenças sem justificativa podem levar a Receita Federal ou o município conveniado a revisar a declaração e cobrar imposto adicional, juros e multa.

O Valor da Terra Nua (VTN) deve corresponder ao preço de mercado do imóvel em 1º de janeiro de 2026. O cálculo precisa considerar fatores como localização, acesso, logística, relevo, qualidade do solo e aptidão agrícola.

Propriedades formadas por áreas com características diferentes não devem ter todos os hectares avaliados pelo mesmo preço. A orientação é separar os talhões entre lavoura de aptidão boa, regular ou restrita, pastagem, silvicultura e áreas de preservação. Depois, a área de cada parcela é multiplicada pelo valor correspondente à sua capacidade de uso.

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Uma área próxima de rodovias, com solo fértil e condições adequadas para mecanização, por exemplo, tende a valer mais do que um talhão com acesso difícil, relevo acidentado ou limitações produtivas. Essas particularidades podem justificar um VTN diferente da média municipal.

Quando houver diferença relevante, especialmente se o valor declarado estiver abaixo da referência pública, o produtor deve manter um laudo de avaliação elaborado por profissional habilitado. O documento precisa identificar o imóvel, explicar a metodologia adotada e apresentar os elementos utilizados para determinar o preço.

Também é necessário separar o valor da terra nua dos investimentos existentes na propriedade. Construções, instalações e benfeitorias, como casas, galpões, currais, cercas e sistemas de irrigação, não entram no VTN. O mesmo vale para culturas, pastagens cultivadas ou melhoradas e florestas plantadas.

Matas nativas e pastagens naturais, entretanto, compõem o valor da terra nua. Áreas de preservação permanente, reserva legal e outras áreas ambientalmente protegidas podem ser excluídas da área tributável quando atendidos os requisitos legais, mas isso não significa que desapareçam do cálculo do valor total da terra.

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A declaração pode ser entregue pelo serviço Minhas Declarações do ITR, disponível no Portal de Serviços da Receita Federal. O acesso exige conta gov.br Prata ou Ouro. Pessoas físicas com imóveis de até 100 hectares também podem utilizar o Programa ITR 2026.

A entrega fora do prazo gera multa de 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, respeitado o valor mínimo de R$ 50. A quota única ou a primeira parcela do imposto também vence em 30 de setembro.

A tabela pública oferece uma referência para o preenchimento, mas não substitui a avaliação da propriedade. O produtor que declarar um valor diferente deve estar preparado para demonstrar que o cálculo representa as condições reais do imóvel.

Fonte: Pensar Agro

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