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El Niño eleva risco climático na Bacia do Paraná e acende alerta para produtores rurais e seguro agrícola

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A possibilidade de retorno do fenômeno El Niño ao longo de 2026 aumenta o nível de incerteza climática para produtores rurais da Bacia Hidrográfica do Paraná, uma das regiões mais importantes para o agronegócio brasileiro. O cenário acende alerta para riscos de seca, excesso de chuvas e impactos diretos na produtividade agrícola e no mercado de seguro rural.

Um estudo desenvolvido pelo IRB(Re), por meio da área de pesquisa e desenvolvimento IRB(P&D), analisou a relação entre fases do fenômeno climático e a ocorrência de eventos extremos, além dos efeitos sobre indicadores de sinistralidade do seguro rural.

A área estudada envolve estados estratégicos como São Paulo e Paraná, que concentram parte relevante da produção nacional de grãos, especialmente soja, milho e outras culturas essenciais para o agronegócio.

NOAA aponta alta probabilidade de formação do El Niño em 2026

De acordo com projeção da NOAA divulgada em maio, há 82% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño entre maio e julho, com possibilidade de avanço para 96% até dezembro de 2026.

O cenário indica um curto período de neutralidade climática, seguido por transição para o fenômeno ao longo de 2026, com possibilidade de manutenção até o fim do ano.

O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando padrões de circulação atmosférica e influenciando regimes de chuva em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil.

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Agricultura e seguro rural são diretamente impactados por variações climáticas

Segundo o estudo, as variações climáticas provocadas por fenômenos como El Niño e La Niña afetam diretamente a disponibilidade hídrica, a produtividade agrícola e o nível de perdas no seguro rural.

A proposta do IRB(P&D) é integrar indicadores climáticos globais, sinais regionais de seca e métricas de sinistralidade do seguro agrícola, permitindo uma leitura mais ampla dos riscos.

“O objetivo é conectar sinais climáticos de grande escala aos impactos observados no território e no mercado segurador”, explica Reinaldo Marques, superintendente atuarial do IRB(Re) e responsável pelo IRB(P&D).

A metodologia também pode auxiliar na melhoria de estratégias de subscrição, monitoramento de carteiras e gestão de riscos no setor de seguros rurais.

Bacia do Paraná concentra forte relevância econômica e agrícola

A Bacia Hidrográfica do Paraná reúne áreas de alta relevância para o agronegócio brasileiro, com forte presença de produção agrícola e importância econômica e energética.

Somente nos estados de São Paulo e Paraná, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) ultrapassou R$ 1,3 trilhão em 2023, com grande parte desse resultado oriunda de municípios inseridos na bacia.

Como a atividade agrícola da região depende fortemente da regularidade das chuvas, períodos de déficit hídrico durante fases críticas das culturas podem resultar em perdas de produtividade e impactos econômicos significativos.

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Impactos do El Niño variam entre regiões do Brasil

O estudo aponta que os efeitos do El Niño não são uniformes no território nacional e variam conforme a região.

No Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno tende a aumentar o risco de redução de chuvas, estiagens prolongadas e estresse hídrico nas lavouras. Já no Sul do Brasil, o padrão mais comum está associado ao aumento de precipitações e maior probabilidade de eventos extremos, incluindo cheias.

Apesar disso, o IRB(P&D) reforça que a relação entre El Niño e impactos climáticos não é linear e deve ser analisada com base em recortes regionais.

“O sinal existe, é monitorável e deve ser considerado na avaliação de risco, mas não determina sozinho o que ocorrerá em cada região ou atividade produtiva”, destaca Reinaldo Marques.

Monitoramento climático é chave para reduzir riscos no campo

Diante do aumento da probabilidade do fenômeno, especialistas reforçam a importância do monitoramento climático contínuo e da adoção de estratégias de gestão de risco no agronegócio.

Embora o El Niño possa indicar tendências, sua intensidade e efeitos variam significativamente, exigindo cautela nas interpretações e planejamento regionalizado por parte de produtores, seguradoras e agentes do setor agrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Soja em Mato Grosso se aproxima do limite de expansão e clima preocupa safra 2026/27

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A safra de soja 2026/27 em Mato Grosso pode marcar uma nova fase para o agronegócio brasileiro. Após anos de forte expansão territorial, o principal estado produtor do país dá sinais de que a ampliação da área cultivada está próxima do limite, tornando a produtividade e a eficiência no campo fatores cada vez mais decisivos para sustentar o crescimento da produção.

A avaliação é baseada na primeira projeção divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), analisada pelo consultor de agronegócio Antonio Prado G. B. Neto. Os números indicam que Mato Grosso deverá cultivar 13,05 milhões de hectares de soja na temporada 2026/27, avanço de apenas 0,25% em relação ao ciclo anterior.

O crescimento é considerado o menor dos últimos anos e reforça uma mudança estrutural no modelo de expansão da oleaginosa no estado. Nas últimas cinco safras, Mato Grosso incorporou aproximadamente 1,57 milhão de hectares ao sistema produtivo. Agora, o aumento da produção tende a depender menos da abertura de novas áreas e mais de investimentos em tecnologia, manejo e construção da fertilidade do solo.

Produtividade deve recuar com maior risco climático

Além da desaceleração da expansão territorial, a projeção do IMEA indica uma redução na produtividade média da soja.

A estimativa para a safra 2026/27 é de 62,44 sacas por hectare, volume 5,43% inferior ao registrado na temporada 2025/26.

A expectativa reflete a crescente preocupação com as condições climáticas para o próximo ciclo agrícola, especialmente diante das previsões de fortalecimento do fenômeno El Niño.

Modelos climáticos internacionais apontam probabilidade superior a 90% para a formação do fenômeno a partir do trimestre entre junho e agosto. Há ainda indicação de aumento do risco de um evento de intensidade forte a muito forte entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027.

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Caso esse cenário se confirme, regiões do Centro-Norte brasileiro poderão enfrentar atraso no início das chuvas, períodos mais frequentes de veranicos e impactos sobre o desenvolvimento das lavouras de soja e, principalmente, do milho segunda safra.

Por outro lado, estados da Região Sul tendem a registrar volumes pluviométricos acima da média histórica.

Manejo e fertilidade do solo ganham protagonismo

Diante da possibilidade de um ambiente climático mais desafiador, especialistas destacam que a gestão agronômica será fundamental para reduzir riscos produtivos.

Práticas como correção do solo, construção de perfil, calagem, aprofundamento do sistema radicular e uso mais eficiente dos fertilizantes devem ganhar ainda mais importância na estratégia dos produtores.

A adoção dessas tecnologias pode aumentar a resiliência das lavouras diante de períodos de déficit hídrico e contribuir para preservar o potencial produtivo mesmo em cenários climáticos adversos.

Mercado de soja enfrenta baixa liquidez e preços pressionados

Enquanto as atenções se voltam para a próxima safra, o mercado da soja encerrou o mês de maio com baixa movimentação comercial e preços pressionados.

A comercialização permaneceu abaixo da média histórica, refletindo a cautela dos produtores diante das incertezas do mercado e da volatilidade internacional.

Nos portos brasileiros, os preços da soja ficaram aproximadamente R$ 15 por saca abaixo dos níveis observados no início da safra recorde colhida neste ano, reduzindo a atratividade para novas negociações.

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O cenário é influenciado pela ampla oferta global da oleaginosa, pelo comportamento da demanda internacional e pelas oscilações cambiais.

Milho recua, mas fundamentos seguem favoráveis

O mercado do milho também apresentou desvalorização ao longo de maio.

A pressão veio principalmente do avanço do plantio da safra norte-americana e do início da colheita da segunda safra brasileira, fatores que ampliaram a oferta disponível e contribuíram para a retração dos preços.

No mercado físico, o cereal acumulou queda próxima de R$ 5 por saca no período.

Apesar do recuo recente, os fundamentos do milho continuam considerados positivos por analistas do setor. O crescimento da demanda interna para produção de etanol e para a indústria de rações segue sustentando perspectivas favoráveis para o consumo do grão no Brasil.

Planejamento será decisivo para a próxima temporada

Com juros elevados, fertilizantes mais caros, margens mais apertadas e aumento da volatilidade climática, a safra 2026/27 exigirá dos produtores um nível ainda maior de planejamento e eficiência operacional.

Nesse novo cenário, o sucesso da atividade dependerá cada vez mais da gestão financeira, da construção da fertilidade dos solos, do uso racional dos insumos e da adoção de tecnologias capazes de elevar a produtividade.

A mensagem que emerge das primeiras projeções é clara: o crescimento da produção brasileira de soja não estará mais baseado apenas na expansão da área cultivada, mas principalmente na capacidade do produtor de extrair mais resultados por hectare em um ambiente de risco cada vez maior.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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