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Em Mato Grosso, ministro Fávaro destaca atuação dos adidos agrícolas e reforça estratégias de promoção do agro brasileiro

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Nesta quarta-feira (24), durante o lançamento do escritório da ApexBrasil em Cuiabá (MT), foi realizada a “Reunião de Trabalho: Adidos Agrícolas e Entidades do Agro de Mato Grosso”.

O encontro, liderado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, ao lado do secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, permitiu apresentar o trabalho desenvolvido pelos adidos agrícolas, as oportunidades comerciais nos países em que atuam e a relevância da parceria entre governo e setor privado para a promoção internacional do agro brasileiro.

Também estavam no encontro o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o senador Jaime Campos, o assessor especial do ministro, Carlos Augustin, e o secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais, Marcel Moreira.

Durante o evento, o ministro Fávaro ressaltou a importância do encontro para evidenciar a atuação integrada do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). “Este foi um dia de trabalho para mostrar o esforço conjunto do Mapa, da ApexBrasil, do Ministério das Relações Exteriores e do MDIC, sob a coordenação do vice-presidente Geraldo Alckmin, na ampliação das exportações brasileiras e no papel estratégico desempenhado pelos nossos adidos agrícolas”, afirmou.

Fávaro também destacou o fortalecimento da rede de adidos desde o início da atual gestão. “O Brasil contava com 29 adidos espalhados pelo mundo. Ao assumirmos, recebemos do presidente Lula a missão de restabelecer boas relações diplomáticas e transformá-las em oportunidades comerciais. Ele nos pediu 200 novos mercados abertos para os produtos agropecuários. O trabalho foi tão intenso e tão conectado que estamos chegando a 500 mercados abertos. Esse avanço exigiu ampliar a nossa representação no exterior. Passamos de 29 para 40 adidos, que estão aqui hoje, e chegaremos a 54, considerando os substitutos já definidos para os postos que terão renovação até o fim do ano”, ressaltou.

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Ao longo da reunião, os adidos agrícolas detalharam suas áreas de atuação, ressaltando o papel estratégico que desempenham na negociação de protocolos sanitários e fitossanitários, na abertura e ampliação de mercados para produtos agropecuários brasileiros, no monitoramento regulatório e na identificação de barreiras tarifárias e não tarifárias, bem como no mapeamento de oportunidades comerciais e de investimentos para o setor produtivo. Também destacaram sua atuação no apoio à importação de insumos e bens de interesse do agronegócio, além do trabalho contínuo de articulação com autoridades locais, organismos internacionais e o setor privado para fortalecer a presença do Brasil nos mercados globais.

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, definiu o encontro como um momento histórico. “Reunir todos os adidos agrícolas brasileiros em um estado como Mato Grosso, grande responsável pelo saldo positivo da balança comercial, demonstra a força e o potencial do agronegócio nacional. Mato Grosso é referência global, com cadeias consolidadas, como soja, milho, algodão e carne bovina, que impulsionam as exportações e fortalecem as reservas internacionais do país”, afirmou.

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MATO GROSSO: OPORTUNIDADES PARA EXPORTAÇÕES E INVESTIMENTOS

Durante a reunião, a ApexBrasil apresentou estudo mostrando que, em 2024, o estado exportou US$ 27,6 bilhões, consolidando-se como o principal exportador da região Centro-Oeste (55%) e contribuindo com 8,2% das exportações brasileiras.

Os principais parceiros comerciais do estado concentram-se na Ásia, com destaque para China, Vietnã, Tailândia, Indonésia e Bangladesh, sendo a China o maior destino das vendas externas mato-grossenses.

Entre os produtos mais exportados estão soja, milho não moído, farelo de soja, alimentos para animais, farinhas de carne, algodão e carne bovina.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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