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Embrapa usa imagens de satélite para prever produtividade de cana-de-açúcar e soja

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Um modelo desenvolvido pela Embrapa demonstrou alta assertividade na previsão de produtividade agrícola, utilizando imagens de satélite integradas a técnicas estatísticas e de aprendizado de máquina. O sistema alcançou 89% de acerto na cana-de-açúcar e 71% na soja, indicando grande potencial para apoiar decisões de produtores e indústria.

Cana-de-açúcar: monitoramento preciso com alta confiabilidade

O modelo foi aplicado em parceria com a Coplacana e financiado pela Finep, monitorando duas safras de cana ao longo de três anos. A previsão da produtividade considerou variáveis como cultivar, ciclo de produção, precipitação acumulada e índices de vegetação obtidos por imagens PlanetScope do Programa Brasil Mais.

O pesquisador Geraldo Magela Cançado, da Embrapa Agricultura Digital, destaca que o modelo começou com variáveis básicas, mas planeja incluir dados como temperatura, textura do solo e disponibilidade hídrica para aumentar a precisão. A ferramenta pode ser utilizada para planejamento estratégico, logística e intervenções nas lavouras, além de apoiar órgãos públicos na previsão de safra.

Soja: validação com bioestimulante Hydratus

A metodologia também foi aplicada na soja, em pesquisa de validação do bioestimulante Hydratus, em parceria com a Embrapa Milho e Sorgo e a empresa Bioma. Foram monitoradas três áreas, utilizando imagens de satélite PlanetScope e drones, com índice EVI2 para estimar produtividade.

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Segundo Cançado, a correlação entre produtividade prevista e observada foi de 71%, considerada alta, mesmo inferior ao índice da cana. “Cada cultura se comporta de forma diferente. Na cana, a biomassa está diretamente ligada à produtividade; na soja, o grão depende de fatores mais complexos, tornando a predição menos direta”, explica.

Comparação entre métodos estatísticos e aprendizado de máquina

O modelo combina abordagens estatísticas e de aprendizado de máquina. Segundo Eduardo Speranza, analista da Embrapa, os cálculos estatísticos têm se mostrado mais precisos até o momento, devido ao volume limitado de amostras disponíveis para treinar o algoritmo. Para aumentar a eficiência do aprendizado de máquina, seria necessário ampliar significativamente a base de dados validada em campo.

Imagens de satélite oferecem vantagem sobre drones

O projeto utiliza imagens diárias de nanossatélites PlanetScope, disponibilizadas pelo Programa Brasil MAIS do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Com resolução de 3 metros por pixel e 8 bandas espectrais, as imagens permitem acompanhamento diário e análise detalhada do desenvolvimento das culturas, superando limitações de frequência que drones apresentam.

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Trabalho premiado pela Rede MAIS

O estudo “Previsão da Produtividade em Cana-de-Açúcar Utilizando Análise Temporal de Imagens PlanetScope” foi primeiro lugar na categoria instituições federais na premiação da Rede MAIS, reconhecendo o potencial inovador do uso de satélites para pesquisas agrícolas.

“Essa metodologia combina métricas agronômicas com sensoriamento remoto, oferecendo uma estratégia inovadora e econômica para monitoramento em tempo real das culturas”, afirma Júlio Esquerdo, chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agricultura Digital.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fracassa acordo no STF e disputa sobre Moratória da Soja volta a julgamento

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O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a tentativa de construir um acordo entre produtores rurais, indústria, ambientalistas e Ministério Público sobre a Moratória da Soja. Sem consenso entre as partes, o Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) devolveu os quatro processos relacionados ao tema aos ministros relatores, abrindo caminho para a retomada do julgamento das ações, ainda sem data definida.

Em despacho assinado nesta sexta-feira (12.06), o juiz auxiliar da Presidência do STF e supervisor do Nusol, Álvaro Ricardo de Souza Cruz, afirmou que as reuniões realizadas entre abril e maio chegaram a criar um ambiente favorável à conciliação, mas houve recuo dos envolvidos, inviabilizando uma solução negociada.

“Durante as tratativas, instaurou-se amplo diálogo entre os envolvidos, tendo-se verificado, em determinado momento, ambiente propício à construção de solução consensual. Contudo, sobreveio recuo das partes, o que impossibilitou a composição”, registra o documento.

Segundo o STF, a tentativa de mediação não buscava discutir a constitucionalidade das leis estaduais questionadas, mas os efeitos práticos decorrentes de uma eventual decisão da Corte. A preocupação é evitar a multiplicação de disputas judiciais em diferentes instâncias após o julgamento das ações.

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As tratativas envolveram representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Ministério Público Federal e dos governos de Mato Grosso, Rondônia e Tocantins, além de partidos políticos autores das ações.

Com o fim da mediação, o Nusol reenviou as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7774, relatada pelo ministro Flávio Dino; 7775, sob relatoria de Dias Toffoli; e 7863 e 7959, ambas sob responsabilidade do ministro Luiz Fux.

As ADIs 7774 e 7775 questionam leis aprovadas em Mato Grosso e Rondônia que retiraram benefícios fiscais de empresas participantes de acordos privados, como a Moratória da Soja.

Criada em 2006, a Moratória da Soja estabelece que empresas signatárias não adquiram grãos produzidos em áreas do bioma Amazônia desmatadas após 2008, ainda que a abertura das áreas tenha ocorrido dentro dos limites previstos pela legislação ambiental.

A disputa ganhou novo capítulo após a entrada em vigor, no início de 2026, da lei de Mato Grosso que impôs restrições às tradings participantes do acordo. A medida contribuiu para o esvaziamento da Moratória, com a saída da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e das empresas associadas.

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No fim do ano passado, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão de todas as ações judiciais e administrativas relacionadas à Moratória da Soja, incluindo processos que pedem indenizações. Em uma dessas ações, produtores rurais de Mato Grosso reivindicam ressarcimento superior a R$ 1 bilhão. O setor também acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando as tradings de formação de cartel.

A tentativa de mediação havia sido anunciada em março, durante o julgamento das ações pelo plenário do STF. Com o fracasso das negociações, caberá agora aos ministros dar prosseguimento à análise do caso.

Fonte: Pensar Agro

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